Resumo executivo
A administração pública sabe quantos processos possui, quantos servidores trabalham em cada unidade e quantos documentos produz. Mas, tradicionalmente, enfrenta dificuldades para responder a perguntas essenciais: quanto esforço institucional foi necessário para entregar determinado resultado? Quanto custa executar um programa ou uma ação? Quais atividades consomem mais recursos? Onde estão os principais gargalos?
No Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCMGO), a quem compete constitucionalmente fiscalizar a gestão pública dos municípios, essa realidade não era diferente. O Tribunal conhecia seus processos, seus servidores e seus documentos, mas desconhecia o próprio trabalho: a atividade-fim é cercada de inúmeras tarefas que nunca haviam sido mensuradas nem reunidas em um só lugar.
O Sistema Integrado de Gestão de Atividades (SIGA) foi concebido para responder essas perguntas, transformando cerca de 500 mil horas de trabalho, antes invisíveis, em informação estratégica de gestão.
Com o SIGA, o TCMGO passou a medir sua própria eficiência com o mesmo rigor aplicado em suas fiscalizações. Mais do que uma ferramenta de acompanhamento de atividades, o sistema representa um novo modelo de gestão fundamentado em dados, capaz de transformar registros operacionais em inteligência institucional para subsidiar decisões estratégicas.
A solução consolida as atividades desenvolvidas por todas as unidades estratégicas do TCMGO em uma base única de informações, convertendo o esforço institucional em indicadores objetivos de produtividade, desempenho e utilização dos recursos humanos. Cada servidor registra diariamente as atividades desenvolvidas, informando o tempo efetivamente dedicado a cada uma delas, e acompanha, ele próprio, sua produtividade de forma simples e em um único lugar.
A partir dessa base de informação, gestores e administradores acompanham, em tempo real, a evolução das equipes, identificam gargalos, distribuem melhor a força de trabalho, mensuram o esforço institucional dedicado a cada ação, monitoram o cumprimento das metas e fundamentam decisões relacionadas ao teletrabalho, ao planejamento e à avaliação de desempenho. Ao capturar o tempo efetivamente dedicado a cada atividade, o SIGA supre a variável que historicamente faltava ao TCMGO para o cálculo do custo operacional, tornando viável uma mensuração que antes era um obstáculo estrutural.
Um dos diferenciais da iniciativa é a aplicação da gamificação como instrumento permanente de gestão pública. Os mecanismos de pontuação, metas individualizadas, rankings justos, que comparam apenas servidores de mesma jornada, e projeções de desempenho estimulam o engajamento e fortalecem uma cultura institucional orientada por resultados.
O SIGA está em operação completa desde janeiro de 2026, e os registros de atividades se iniciaram em março de 2025. Nesse período, o SIGA já contabilizou aproximadamente 500 mil horas de trabalho distribuídas em mais de 115 mil atividades executadas por mais de 260 servidores, transformando esse volume de informações em inteligência gerencial utilizada diariamente pela alta administração.
O impacto do SIGA ultrapassa sua utilização interna. Ao permitir maior eficiência na alocação de recursos humanos, planejamento mais preciso e maior transparência sobre a utilização da força de trabalho, a iniciativa amplia a capacidade institucional do Tribunal de fiscalizar a administração pública e entregar melhores resultados à sociedade.
Desenvolvido integralmente por servidores do próprio Tribunal, aproveitando a infraestrutura e os serviços já disponíveis internamente, sem aquisição de softwares ou contratação de fornecedores externos, o SIGA demonstra que inovação em gestão pública pode ser construída a partir do conhecimento institucional e da utilização estratégica dos dados produzidos diariamente pela própria organização.
Vídeo explicativo
Motivação e Justificativa
A gestão pública contemporânea enfrenta um paradoxo. Embora disponha de grande quantidade de dados sobre processos administrativos, protocolos, documentos e procedimentos, ainda possui dificuldades para compreender, de forma objetiva, como sua força de trabalho é efetivamente empregada e quais resultados concretos são produzidos a partir desse esforço.
Nesse contexto, durante muitos anos o TCMGO conviveu com um desconhecimento estrutural sobre o próprio trabalho. O acompanhamento das atividades institucionais estava baseado em controles descentralizados, planilhas independentes e avaliações predominantemente subjetivas. Gestores não sabiam quantas horas haviam sido dedicadas a cada fiscalização; secretarias não dispunham de qualquer medida do esforço consumido por suas atividades; a concessão de gratificações, o planejamento de equipes e a prestação de contas dependiam de dados imprecisos ou dispersos em planilhas individuais.
Esse desafio, que alcançava a gestão de atividades de toda a instituição, tornou-se ainda mais visível com a ampliação do teletrabalho após a pandemia: a modalidade não dispunha de mecanismos objetivos de acompanhamento, e as decisões sobre produtividade — conceder, manter ou encerrar o regime — apoiavam-se em percepções individuais, e não em indicadores.
Foi nesse contexto que surgiu o SIGA. A iniciativa nasceu com o propósito de transformar registros operacionais dispersos em uma base integrada de inteligência gerencial, permitindo que a instituição deixasse de medir apenas processos para passar a compreender o trabalho efetivamente realizado por todos os seus servidores.
O projeto foi concebido para responder perguntas que tradicionalmente permaneciam sem resposta: quanto esforço institucional consome determinada atividade? Quais projetos demandam mais recursos humanos? Onde existem gargalos? Como distribuir melhor as equipes? O teletrabalho está produzindo os resultados esperados? Quais áreas necessitam de reforço? E, a partir do registro do tempo dedicado a cada ação, o dado que nenhum controle anterior capturava, tornou-se possível caminhar para uma resposta até então fora do alcance da instituição: o custo de cada atividade do Tribunal, cuja mensuração — pela associação entre o tempo registrado e a remuneração correspondente —, o sistema já torna viável.
Ao responder essas questões com indicadores objetivos, o SIGA transformou a gestão da produtividade em um instrumento estratégico de governança, planejamento e prestação de contas: subsidia as decisões do Comitê de Teletrabalho, orienta a distribuição das equipes pelas unidades e qualifica as informações que a instituição presta sobre a utilização de sua força de trabalho.
- 9 - Indústria, inovação e infraestrutura
- 16 - Paz, justiça e instituições eficazes
Cinco diferenciais qualificam a iniciativa: 1. Tempo como medida comum do trabalho, mensurando o esforço real por trás de cada entrega, enxergando também o trabalho que não gera produto formal. 2. Comparabilidade. Torna comparáveis 25 unidades de naturezas distintas por meio da parametrização das atividades, sem padronizar artificialmente suas rotinas 3. Gamificação. Incorpora a gamificação de forma permanente à gestão, estimulando desempenho e engajamento. 4. Decisão por dados, não por percepção. Distribuição de equipes, avaliação de desempenho, concessão de gratificações, acompanhamento do teletrabalho e planejamento passaram a se fundamentar em indicadores objetivos, 5. O rigor do controle aplicado a quem controla. O Tribunal de Contas submeteu a si mesmo a exigência de eficiência que impõe aos jurisdicionados, medindo a própria força de trabalho com a objetividade que cobra da administração pública.
Contexto e Alcance
A boa prática foi concebida, desenvolvida e implantada pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCMGO), por intermédio da Secretaria de Informações Estratégicas e Inovações, em estreita colaboração com a Superintendência de Tecnologia da Informação, gestores das unidades administrativas e servidores de diversas áreas da instituição.
O desenvolvimento ocorreu integralmente com equipe própria do Tribunal, utilizando o conhecimento acumulado pelos servidores sobre os processos internos, as necessidades de gestão e os desafios enfrentados pela administração pública.
A construção colaborativa permitiu que a solução fosse continuamente aperfeiçoada a partir das demandas reais dos usuários, garantindo elevada aderência às rotinas institucionais e plena autonomia tecnológica para sua evolução.
Servidores: acompanham seu desempenho, evolução das metas, histórico de atividades e posição em rankings. O SIGA dá visibilidade ao esforço real de cada servidor, inclusive ao trabalho que não gera produto formal e antes permanecia invisível. Funciona como instrumento de transparência e assegura avaliação por critérios objetivos e iguais para todos. Gestores. Dispõem da visão consolidada de suas equipes: monitoram a produtividade, identificam sobrecargas e necessidades de redistribuição de trabalho, acompanham alertas do teletrabalho e fundamentam, em indicadores, as decisões relacionadas ao desempenho de suas unidades. O mesmo dado que dá transparência ao servidor dá justiça à decisão do gestor, as duas pontas enxergam os mesmos números. Alta administração. Utiliza as informações consolidadas para o planejamento estratégico, a governança do teletrabalho, o dimensionamento da força de trabalho e a prestação de informações a outros órgãos de controle e à sociedade.
Embora seus usuários imediatos sejam os servidores públicos do Tribunal, que passam a atuar em um ambiente de gestão mais justo, transparente e orientado por critérios objetivos, os principais beneficiários da iniciativa são os cidadãos e os municípios jurisdicionados ao TCMGO.
Ao proporcionar uma gestão fundamentada em dados, maior eficiência operacional, melhor utilização dos recursos humanos, planejamento mais qualificado e decisões baseada em evidências, o SIGA amplia a capacidade institucional do Tribunal de exercer sua missão constitucional de controle externo.
Uma instituição que conhece seus custos, compreende sua produtividade, identifica seus gargalos e distribui adequadamente sua força de trabalho consegue realizar mais fiscalizações, produzir análises de maior qualidade, utilizar melhor os recursos públicos, prestar contas com maior transparência e responder com mais agilidade às demandas da sociedade. Quanto à transparência, vale destacar que pela primeira vez, tornou-se possível demonstrar, de forma estruturada, quanto esforço institucional foi empregado em cada projeto, programa, fiscalização ou atividade administrativa, permitindo maior clareza sobre a utilização dos recursos públicos.
Para os municípios jurisdicionados, o benefício se traduz em um controle externo mais qualificado e tempestivo: fiscalizações mais bem planejadas — o próprio Planejamento Anual de Fiscalização passou a se apoiar nos dados do SIGA —, e análises processuais mais céleres que contribuem para a melhoria da gestão municipal.
Dessa forma, os benefícios do SIGA transcendem o ambiente interno da organização e se refletem diretamente na qualidade dos serviços públicos fiscalizados, na efetividade do controle externo e na geração de valor público para toda a sociedade goiana.
Goiânia – Goiás – sede do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCMGO).
Resultados e Impacto
O SIGA entrou em produção parcial em março de 2025, por meio do registro de atividades, e operação definitiva com relatórios em janeiro de 2026. A iniciativa foi estruturada sobre três objetivos estratégicos, todos alcançados. Foram contabilizadas mais de 115.000 atividades (média de cerca de 6.700 registros mensais) e aproximadamente 500.000 horas de trabalho.
Devido à limitação de espaço deste formulário, cujo campo foi reduzido de 1.000 palavras para 1.000 caracteres, a resposta completa a este item foi apresentada no Anexo I, disponibilizado no campo Informações Complementares, por meio do link do Google Drive.
A escalabilidade do SIGA é uma propriedade de arquitetura: o sistema foi concebido desde sua origem como uma plataforma institucional, estruturada para incorporar continuamente novas unidades, processos, indicadores e funcionalidades sem necessidade de alterações em seu modelo conceitual e sem reescrita de código. O crescimento horizontal já foi demonstrado na prática: desde o lançamento, sucessivas versões incorporaram novas áreas e novos usuários, preservando a consistência dos dados e a comparabilidade dos resultados. Ainda, o sistema permite a implementação de novos indicadores, módulos gerenciais e processos conforme as necessidades institucionais.
O SIGA foi desenvolvido para resolver desafios comuns à administração pública e não problemas exclusivos do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás. Praticamente todos os órgãos públicos enfrentam dificuldades relacionadas ao acompanhamento da produtividade, ao dimensionamento da força de trabalho, à gestão do trabalho remoto, à avaliação de desempenho com critérios objetivos e ao planejamento com base no esforço real. A arquitetura não depende de nada exclusivo do TCMGO. Destaca-se, ainda, que a replicabilidade opera em dois níveis. No primeiro, a solução tecnológica pode ser adaptada por órgãos com capacidade técnica própria. No segundo, e talvez mais relevante, o modelo de gestão é replicável mesmo sem a ferramenta: a adoção do tempo dedicado às atividades como medida comum do trabalho institucional, com metas proporcionais à jornada e decisões fundamentadas em indicadores, é um método que qualquer órgão pode implementar com os instrumentos de que dispuser.
A solução foi incorporada às rotinas permanentes do Tribunal e passou a subsidiar decisões estratégicas. Sua utilização deixou de depender de iniciativas individuais ou de vontade da gestão para integrar os processos formais de governança da organização. Além disso, o sistema foi concebido, desenvolvido e é mantido integralmente por servidores do próprio Tribunal, utilizando conhecimento interno sobre os processos de trabalho e as necessidades institucionais. Não há contrato de fornecedor a renovar, consultoria a recontratar ou dependência externa cuja interrupção ameace a continuidade.
O principal impacto do SIGA foi de natureza cultural: a mudança na forma como o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás compreende, mede e administra o próprio trabalho.
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Informações complementares
Sob a perspectiva metodológica, a solução incorpora princípios da Gestão por Resultados (Results-Based Management) — abordagem em que as decisões e avaliações se orientam por resultados verificáveis, e não por atividades presumidas —, e da Gestão Baseada em Evidências (Evidence-Based Management), que substitui avaliações subjetivas por indicadores objetivos. A esses princípios soma-se a abordagem Time-Driven Activity-Based Costing (TDABC) — método de custeio que calcula o custo de cada atividade a partir do tempo que ela consome. Quanto às tecnologias e ferramentas empregadas, a plataforma foi desenvolvida sobre a combinação de tecnologias abertas e sem custo de licenciamento.
https://drive.google.com/drive/folders/1cBPIH9yOA2DR1Q79FfRJODTYFyN1Q5oy?hl=pt-BR
