Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul: inteligência pública e territorial para políticas públicas informadas por evidências

Resumo executivo

O Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul (OCMS) é uma iniciativa pública de informação, inteligência territorial e gestão do conhecimento voltada à organização, análise e disseminação de dados sobre cidadania, direitos e desigualdades sociais. Estruturado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e com apoio da Fundect, o Observatório integra competências acadêmicas, tecnológicas, administrativas e territoriais para transformar dados dispersos em informações acessíveis e aplicáveis à gestão pública.

A prática responde a um problema recorrente: embora existam diversas bases oficiais relevantes, elas estão distribuídas entre diferentes sistemas, órgãos e publicações, com formatos, períodos de referência e níveis de desagregação distintos. Essa fragmentação dificulta a localização, a comparação e a interpretação das informações por gestores, equipes técnicas, conselhos, pesquisadores e cidadãos. O desafio é ainda maior nos municípios de menor porte, que frequentemente possuem capacidade técnica limitada para reunir bases, construir diagnósticos e acompanhar indicadores. Também havia baixa visibilidade integrada de informações sobre grupos como mulheres, população negra, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas autistas, juventudes, população LGBTQIAPN+, povos originários e comunidades quilombolas.

Para enfrentar essas lacunas, o OCMS estruturou uma plataforma digital de acesso público e gratuito, composta por painéis temáticos, indicadores, mapas, séries históricas, repositório de normativos, linhas do tempo e materiais técnicos. Os dados passam por processos de seleção, conferência, padronização, agregação, territorialização, documentação metodológica e validação. A prática também inclui o levantamento municipal de políticas públicas, a atuação de pontos focais regionais, o atendimento técnico a órgãos públicos, a realização de capacitações e ações de letramento estatístico e a interlocução permanente com municípios, conselhos, instituições produtoras de dados e organizações sociais.

Seu propósito principal é democratizar o acesso a informações confiáveis, reduzir assimetrias de capacidade entre os municípios e fortalecer o planejamento, o monitoramento, a avaliação, a transparência e o controle social. O OCMS busca ampliar a capacidade de gestores e cidadãos para interpretar indicadores, reconhecer desigualdades territoriais e utilizar informações na formulação e no aperfeiçoamento de políticas públicas informadas por evidências.

Entre os resultados alcançados estão a consolidação de uma infraestrutura pública de informação com cobertura dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, a disponibilização de dez painéis temáticos, a criação de repositórios e materiais técnicos e o registro de aproximadamente 218,8 mil visualizações no portal até o final de 2025. A regionalização aproximou o Observatório dos municípios, apoiou a identificação de demandas locais e contribuiu para o levantamento de políticas, serviços, estruturas e instrumentos existentes nos territórios. No 4º Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul, o OCMS realizou cerca de 800 atendimentos e manteve interlocução com representantes de 33 municípios.

Os produtos do Observatório também passaram a subsidiar diagnósticos, programas e ações institucionais. Entre os exemplos estão o uso de indicadores pela Secretaria de Estado da Cidadania e a aplicação do painel Mulheres em Evidência no contexto do Programa Protege MS, integrando registros de violência, características das ocorrências e informações sobre a rede de atendimento. A prática amplia a visibilidade das desigualdades, facilita o acesso público a dados territorializados, fortalece a cooperação entre universidade, Estado, municípios e sociedade e transforma informação técnica em conhecimento mais compreensível e útil à garantia de direitos.

Status Atual
Em Expansão
Premiações recebidas
Sim
Financiamento externo
Sim

Vídeo explicativo

Motivação e Justificativa

O Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul foi concebido em um contexto marcado pela existência de grande volume de dados públicos relevantes, porém distribuídos entre diferentes órgãos, sistemas, portais e publicações, com formatos, periodicidades, metodologias e níveis de desagregação distintos. Embora instituições federais, estaduais e municipais produzam informações demográficas, sociais, econômicas, territoriais e administrativas, esses dados nem sempre se encontram organizados de forma integrada, comparável e acessível. Para compreender uma realidade específica, gestores, pesquisadores, conselhos e cidadãos frequentemente precisavam consultar diversas fontes separadamente, reunir arquivos, conferir conceitos, compatibilizar períodos e realizar tratamentos técnicos antes de obter uma visão territorial minimamente consolidada.

A fragmentação das informações dificultava a elaboração de diagnósticos integrados, a comparação entre municípios, o acompanhamento de séries históricas e a identificação de desigualdades sociais e territoriais. Também limitava a capacidade de relacionar indicadores estatísticos com a existência de serviços, programas, órgãos, conselhos, equipamentos públicos e instrumentos normativos. Assim, o problema institucional não decorria propriamente da inexistência de dados, mas da dificuldade de transformá-los em informação organizada, compreensível e útil ao planejamento, ao monitoramento e à avaliação das políticas públicas.

Esse desafio era especialmente relevante em Mato Grosso do Sul, onde 72 dos 79 municípios possuem população de até 50 mil habitantes. Em muitos desses municípios, as equipes responsáveis pelas políticas de cidadania acumulam diferentes atribuições e nem sempre contam com profissionais especializados em estatística, ciência de dados, geoprocessamento ou avaliação de políticas públicas. Essa assimetria de capacidade técnica produzia condições desiguais de acesso e uso da informação: enquanto algumas instituições conseguiam reunir, tratar e interpretar bases complexas, outras dependiam de consultas pontuais, relatórios gerais ou informações não suficientemente territorializadas para suas necessidades.

Além das dificuldades técnicas, identificou-se baixa visibilidade integrada de informações relacionadas a grupos historicamente sub-representados ou mais expostos a desigualdades e violações de direitos, como mulheres, população negra, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas autistas, crianças, adolescentes e jovens, população LGBTQIAPN+, povos originários e comunidades quilombolas. Os dados referentes a esses grupos estavam, em muitos casos, distribuídos entre fontes distintas ou apresentados de forma pouco articulada com as características dos territórios, dificultando a identificação de padrões, lacunas de atendimento, diferenças regionais e necessidades específicas.

Também havia uma lacuna relacionada às informações sobre as próprias políticas públicas municipais. Indicadores socioeconômicos e demográficos, embora indispensáveis, não demonstram isoladamente quais estruturas, serviços, programas, conselhos, legislações e iniciativas estão disponíveis em cada município. A ausência de uma base organizada sobre essas ações dificultava a compreensão das capacidades locais e a identificação de experiências que poderiam ser compartilhadas, aperfeiçoadas ou replicadas. Essa situação evidenciou a necessidade de complementar as bases oficiais existentes com informações coletadas diretamente junto às administrações municipais e verificadas em fontes institucionais.

Outro desafio estava relacionado à interpretação dos dados. A simples disponibilização de planilhas, tabelas ou painéis não assegura que as informações sejam efetivamente compreendidas e utilizadas. Conceitos como taxa, proporção, série histórica, recorte populacional, fonte administrativa, atualização e limitação metodológica exigem conhecimentos específicos. Sem ações de orientação e letramento estatístico, existe o risco de subutilização, interpretação inadequada ou uso descontextualizado das informações. Por essa razão, tornou-se necessário associar a organização tecnológica dos dados a atividades formativas, atendimento técnico, produção de materiais orientadores e diálogo contínuo com os usuários.

Nesse cenário, a criação do OCMS representou uma oportunidade de articular as competências complementares da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, da Secretaria de Estado da Cidadania, da Fundect, dos municípios e de outras instituições parceiras. A Universidade contribuiu com capacidade acadêmica, técnica, tecnológica e extensionista; a Secretaria aproximou a iniciativa das políticas estaduais de cidadania, dos órgãos governamentais, dos conselhos e dos municípios; e o fomento permitiu estruturar equipe multidisciplinar, desenvolver produtos, ampliar a atuação territorial e assegurar condições para a execução das atividades.

A prática tornou-se necessária para reunir, selecionar, conferir, padronizar, integrar, analisar e territorializar informações provenientes de diferentes fontes, disponibilizando-as em ambiente público e gratuito. O Observatório foi estruturado não apenas como um portal de indicadores, mas como uma plataforma de inteligência pública e territorial, composta por painéis temáticos, mapas, séries históricas, repositórios normativos, linhas do tempo, levantamentos municipais, materiais técnicos, capacitações e ações de comunicação.

Sua implementação busca reduzir assimetrias informacionais e de capacidade técnica, ampliar a transparência, fortalecer o controle social e melhorar as condições para que gestores, conselhos, pesquisadores e cidadãos compreendam as realidades locais. Ao transformar dados dispersos em informações contextualizadas e acessíveis, o OCMS contribui para que decisões, prioridades e estratégias sejam formuladas com maior conhecimento das características dos territórios e dos grupos populacionais.

A necessidade da prática também decorre de seu caráter público, cooperativo e territorializado. Em vez de concentrar a produção e a interpretação das informações em uma única instituição, o Observatório promove a articulação entre universidade, governo estadual, municípios, órgãos produtores de dados e sociedade civil. As demandas apresentadas pelos usuários orientam a definição de temas, recortes, produtos e ações formativas, aproximando a gestão da informação das necessidades concretas das políticas de cidadania.

Dessa forma, o OCMS responde simultaneamente a uma lacuna de gestão da informação, a uma desigualdade de capacidade institucional e a uma oportunidade de inovação no setor público. Sua finalidade é transformar dados públicos fragmentados em conhecimento acessível e aplicável, dar maior visibilidade às desigualdades sociais e territoriais e apoiar o planejamento, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas informadas por evidências nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.

Objetivos ODS: 
  • 10 - Redução das desigualdades
  • 16 - Paz, justiça e instituições eficazes
  • 17 - Parcerias e meios de implementação
Inovação e diferencial: 

O Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul qualifica-se como uma boa prática de gestão da informação porque foi concebido para enfrentar um problema público claramente identificado: a dispersão de dados relevantes entre diferentes órgãos, sistemas, portais e publicações, com formatos, períodos de referência, metodologias e níveis de desagregação distintos. Em vez de criar apenas mais um repositório ou painel isolado, o OCMS estruturou um processo permanente de seleção, conferência, tratamento, integração, territorialização, interpretação e disseminação de informações, orientado pelas necessidades de gestores, conselhos, pesquisadores, organizações sociais e cidadãos.

Seu principal diferencial está na transformação de dados públicos fragmentados em conhecimento organizado, acessível e aplicável à gestão. A prática integra informações provenientes de bases federais, estaduais e municipais, registros administrativos, documentos normativos e levantamentos produzidos diretamente junto aos municípios. Esses conteúdos são submetidos a procedimentos de padronização, validação, agregação, documentação metodológica e análise territorial antes de serem disponibilizados em painéis, mapas, séries históricas, repositórios, linhas do tempo, estudos e materiais técnicos. Dessa forma, o Observatório não apenas reúne dados, mas acrescenta valor público ao qualificá-los, contextualizá-los e apresentá-los de maneira compreensível.

A abordagem também se diferencia por combinar dimensões que muitas vezes são desenvolvidas separadamente. O OCMS articula tecnologia, gestão da informação, pesquisa, extensão universitária, formação de usuários, comunicação pública e cooperação interinstitucional. Os painéis digitais constituem uma parte da prática, mas não esgotam sua atuação. O Observatório também realiza capacitações, ações de letramento estatístico, atendimento técnico, escutas institucionais, participação em eventos, produção de materiais orientadores e interlocução direta com municípios e órgãos públicos. Essa combinação busca assegurar que as informações disponibilizadas sejam não apenas consultadas, mas efetivamente compreendidas e utilizadas.

Outro elemento inovador é a territorialização das informações para os 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Essa opção permite observar diferenças regionais, comparar localidades, acompanhar séries históricas e identificar desigualdades que poderiam permanecer ocultas em análises exclusivamente estaduais. A prática reconhece que municípios apresentam capacidades institucionais distintas e que grande parte deles não dispõe de equipes especializadas em estatística, ciência de dados, geoprocessamento ou avaliação. Ao organizar e disponibilizar informações em escala municipal, o OCMS reduz assimetrias de acesso ao conhecimento e amplia as condições para o planejamento e o monitoramento das políticas públicas.

A atenção a grupos historicamente sub-representados também constitui um diferencial substantivo. Os produtos do Observatório contemplam informações relacionadas a mulheres, população negra, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas autistas, crianças, adolescentes e jovens, população LGBTQIAPN+, povos originários e comunidades quilombolas. A organização desses dados permite dar maior visibilidade às desigualdades sociais, territoriais e de acesso a direitos, contribuindo para diagnósticos mais qualificados e para políticas públicas informadas por evidências. Não se trata apenas de acrescentar filtros aos painéis, mas de estruturar produtos temáticos que consideram as características e necessidades específicas desses grupos.

A produção de informações próprias amplia o caráter inovador da iniciativa. Além de utilizar bases oficiais já existentes, o OCMS desenvolve levantamentos junto aos municípios para identificar políticas, serviços, programas, órgãos, conselhos, normativos e estruturas locais. Esse processo complementa os indicadores estatísticos com informações sobre a capacidade institucional dos territórios. Assim, torna-se possível relacionar necessidades sociais com as respostas públicas existentes, identificar lacunas de atendimento e reconhecer experiências que possam ser compartilhadas ou adaptadas. O repositório de normativos também contribui para essa finalidade ao organizar leis e decretos relacionados à cidadania em uma base temática de consulta pública.

A governança da prática constitui outro fator que a distingue de iniciativas pontuais. O OCMS resulta da cooperação entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado da Cidadania, a Fundect, a FAPEC, municípios e outras instituições parceiras. A UFMS oferece capacidade acadêmica, técnica, tecnológica e extensionista; a SEC/MS aproxima a iniciativa das políticas estaduais, dos órgãos públicos, dos conselhos e dos municípios; a Fundect apoia o desenvolvimento científico e tecnológico; e a FAPEC contribui para a execução administrativa e financeira. Essa distribuição de competências fortalece a legitimidade, a qualidade técnica e a continuidade das ações.

A participação dos usuários também orienta o desenvolvimento da prática. Demandas identificadas em reuniões, formulários, capacitações, eventos, atendimentos e diálogos com gestores e conselhos são utilizadas para aperfeiçoar conteúdos, recortes, formas de visualização, notas metodológicas e novos produtos. Dessa forma, o Observatório não opera de maneira desconectada das necessidades institucionais, mas adota um processo contínuo de escuta, validação e aprimoramento. Essa característica reduz o risco de produção de soluções tecnológicas sem aderência ao cotidiano da administração pública.

Os resultados alcançados reforçam sua caracterização como boa prática estruturada. O OCMS consolidou uma infraestrutura pública de informação com cobertura dos 79 municípios, disponibilizou dez painéis temáticos, repositórios e materiais técnicos, ampliou a presença territorial por meio de pontos focais e apoiou o levantamento de políticas públicas municipais. Seus produtos passaram a subsidiar diagnósticos, programas e ações institucionais, incluindo a utilização de indicadores pela Secretaria de Estado da Cidadania e a aplicação do painel Mulheres em Evidência no contexto do Programa Protege MS. A iniciativa também ampliou sua interlocução com municípios, conselhos, pesquisadores, órgãos públicos e sociedade, alcançando expressiva circulação por meio do portal, de eventos e da imprensa.

A prática apresenta, ainda, potencial de continuidade, expansão e replicação. Sua estrutura modular permite incorporar novos temas, bases, recortes e territórios sem a necessidade de reconstrução integral da solução. O uso de dados públicos, ferramentas institucionais, infraestrutura compartilhada, equipe multidisciplinar e parcerias reduz custos e favorece sua manutenção. A metodologia de integração de dados, territorialização, formação de usuários e articulação interfederativa pode ser adaptada por outros estados, universidades, observatórios e órgãos públicos.

Portanto, o OCMS se diferencia de um projeto aleatório porque possui problema definido, metodologia estruturada, governança formal, atuação contínua, produtos verificáveis, participação dos usuários, resultados mensuráveis e potencial de expansão. Sua inovação está menos na adoção isolada de uma tecnologia e mais na construção de um ecossistema público de informação capaz de transformar dados dispersos em conhecimento territorializado, acessível e útil à transparência, ao controle social e ao aprimoramento das políticas públicas informadas por evidências.

Contexto e Alcance

Entidade responsável

A boa prática foi criada e é mantida pela Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), por meio do Programa de Extensão Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul (OCMS). em parceria com o Estado de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Secretaria de Estado da Cidadania (SEC/MS) e Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).

Público-alvo

O público-alvo direto do OCMS é composto por órgãos estaduais e municipais responsáveis pelo planejamento, pela gestão, pelo monitoramento e pela avaliação de políticas públicas, especialmente secretarias e unidades vinculadas às áreas de cidadania, direitos humanos e políticas sociais. Também são interessados diretos as equipes técnicas municipais, os órgãos de planejamento governamental, os conselhos de direitos, as instituições de controle e os setores públicos responsáveis pela produção, análise e uso de dados. A prática atende, ainda, universidades e instituições públicas de pesquisa que utilizam informações territoriais para estudos, diagnósticos e apoio à gestão. O foco é ampliar a capacidade desses atores de localizar, interpretar e utilizar dados qualificados no planejamento e no acompanhamento de políticas públicas informadas por evidências.

Parceria e participação social
Sim
Beneficiários finais

O público-alvo direto do OCMS é composto por órgãos estaduais e municipais responsáveis pelo planejamento, pela gestão, pelo monitoramento e pela avaliação de políticas públicas, especialmente secretarias e unidades vinculadas às áreas de cidadania, direitos humanos e políticas sociais. Também são interessados diretos as equipes técnicas municipais, os órgãos de planejamento governamental, os conselhos de direitos, as instituições de controle e os setores públicos responsáveis pela produção, análise e uso de dados. A prática atende, ainda, universidades e instituições públicas de pesquisa que utilizam informações territoriais para estudos, diagnósticos e apoio à gestão. O foco é ampliar a capacidade desses atores de localizar, interpretar e utilizar dados qualificados no planejamento e no acompanhamento de políticas públicas informadas por evidências.

Escopo jurisdicional
Estadual
Nível de alcance
Estadual Nacional
Local de implantação

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde se encontram a coordenação e a estrutura central da iniciativa. A prática possui operação digital e alcance territorial em todo o estado, apoiada por ações presenciais, pontos focais regionais e articulação com órgãos estaduais e administrações municipais.

O OCMS abrange os 79 municípios de Mato Grosso do Sul: Água Clara, Alcinópolis, Amambai, Anastácio, Anaurilândia, Angélica, Antônio João, Aparecida do Taboado, Aquidauana, Aral Moreira, Bandeirantes, Bataguassu, Batayporã, Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Brasilândia, Caarapó, Camapuã, Campo Grande, Caracol, Cassilândia, Chapadão do Sul, Corguinho, Coronel Sapucaia, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Deodápolis, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Dourados, Eldorado, Fátima do Sul, Figueirão, Glória de Dourados, Guia Lopes da Laguna, Iguatemi, Inocência, Itaporã, Itaquiraí, Ivinhema, Japorã, Jaraguari, Jardim, Jateí, Juti, Ladário, Laguna Carapã, Maracaju, Miranda, Mundo Novo, Naviraí, Nioaque, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Paraíso das Águas, Paranaíba, Paranhos, Pedro Gomes, Ponta Porã, Porto Murtinho, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Rio Negro, Rio Verde de Mato Grosso, Rochedo, Santa Rita do Pardo, São Gabriel do Oeste, Selvíria, Sete Quedas, Sidrolândia, Sonora, Tacuru, Taquarussu, Terenos, Três Lagoas e Vicentina.

Resultados e Impacto

A prática foi estruturada a partir de objetivos específicos relacionados à integração de dados públicos, à ampliação da transparência, ao fortalecimento das capacidades institucionais dos municípios e ao uso qualificado da informação na gestão das políticas de cidadania. Os resultados alcançados demonstram a evolução do OCMS de uma iniciativa de organização de dados para uma plataforma estadual de inteligência pública e territorial, com produtos, processos e articulações permanentes.

O primeiro objetivo consistiu em reunir, tratar, integrar e disponibilizar dados públicos provenientes de diferentes fontes, superando a fragmentação existente entre sistemas federais, estaduais e municipais. Como resultado, o OCMS consolidou uma plataforma digital pública e gratuita, organizada a partir de bases estatísticas, registros administrativos, informações normativas e levantamentos próprios. Os dados passam por processos de seleção, conferência, padronização, agregação, territorialização, validação e documentação metodológica antes de serem apresentados aos usuários. Essa estrutura permitiu disponibilizar informações comparáveis e territorializadas para os 79 municípios de Mato Grosso do Sul.

O segundo objetivo foi desenvolver produtos informacionais acessíveis sobre cidadania, direitos e desigualdades sociais. Até o momento, foram estruturados dez painéis temáticos, além de repositórios, linhas do tempo, mapas, séries históricas e materiais técnicos. Os produtos contemplam temas como mulheres, população negra, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas autistas, população LGBTQIAPN+, infância, adolescência, juventudes e indicadores gerais de cidadania. Esses recursos permitem consultar informações por município, período e grupo populacional, ampliando a visibilidade de realidades que anteriormente estavam dispersas ou apresentadas sem articulação territorial.

Outro objetivo foi apoiar o planejamento, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas informadas por evidências. Como resultado, os painéis e estudos passaram a subsidiar diagnósticos, programas, ações institucionais e demandas técnicas de órgãos públicos. Entre os exemplos está o painel Mulheres em Evidência, utilizado no contexto do Programa Protege MS para organizar informações sobre violência contra as mulheres, características das ocorrências, medidas protetivas e estrutura da rede de atendimento. Indicadores produzidos ou sistematizados pelo Observatório também foram utilizados em iniciativas estaduais relacionadas ao envelhecimento, à igualdade racial e às juventudes, além de atenderem solicitações de gestores, pesquisadores, conselhos e instituições públicas.

A prática estabeleceu ainda como objetivo reduzir as assimetrias de capacidade técnica e de acesso à informação entre os municípios. Esse propósito é especialmente relevante em Mato Grosso do Sul, onde 72 dos 79 municípios possuem até 50 mil habitantes e nem sempre dispõem de equipes especializadas em estatística, análise de dados ou avaliação de políticas públicas. Para enfrentar essa desigualdade, o OCMS desenvolveu painéis de livre acesso, materiais explicativos, atendimento técnico e ações presenciais de aproximação com gestores municipais. A atuação regionalizada e a interlocução com administrações locais ampliaram o acesso a informações que, anteriormente, exigiam consultas a diferentes sistemas e tratamentos técnicos especializados.

O quinto objetivo foi mapear as políticas, os serviços, os programas, os órgãos, os conselhos e os normativos existentes nos municípios. Para isso, o Observatório estruturou formulários temáticos, processos de contato com as administrações municipais e procedimentos de verificação em fontes institucionais. O levantamento alcançou 292 formulários recebidos, distribuídos em oito eixos de cidadania: Assuntos Comunitários; Crianças, Adolescentes e Jovens; Igualdade Racial; Mulheres; População LGBTQIA+; Pessoas Idosas; Povos Originários; e Pessoas com Deficiência. Esse trabalho complementa os indicadores estatísticos com informações sobre as estruturas e respostas públicas existentes nos territórios, permitindo identificar lacunas, capacidades institucionais e experiências municipais.

Também foi definido como objetivo promover o letramento estatístico e ampliar a capacidade dos usuários para interpretar e utilizar dados públicos. Como resultado, o OCMS passou a oferecer capacitações, oficinas, apresentações, orientações técnicas e materiais de apoio destinados a gestores, equipes municipais, conselheiros, estudantes, pesquisadores e representantes da sociedade civil. Essas atividades abordam a leitura de indicadores, taxas, proporções, séries históricas, mapas, recortes populacionais, fontes de dados e limitações metodológicas. A formação dos usuários reduz riscos de interpretação inadequada e amplia a possibilidade de aplicação prática das informações.

A regionalização da iniciativa também produziu resultados concretos. A implantação de pontos focais e a participação em eventos permitiram identificar demandas locais, divulgar os produtos e estabelecer canais permanentes de diálogo com os municípios. No 4º Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul, o OCMS realizou cerca de 800 atendimentos e manteve interlocução com representantes de 33 municípios. A ação contribuiu para apresentar os painéis, orientar usuários, recolher demandas e fortalecer a aproximação com gestores e equipes técnicas municipais.

O fortalecimento da transparência e do controle social constituiu outro objetivo central. Os painéis, repositórios, estudos e materiais são disponibilizados gratuitamente em ambiente digital, acompanhados, sempre que aplicável, de informações sobre fontes, períodos de referência e procedimentos metodológicos. Até o final de 2025, o portal institucional registrou aproximadamente 218,8 mil visualizações. A divulgação também alcançou meios de comunicação e redes sociais, ampliando o conhecimento público sobre os dados, os direitos e as desigualdades presentes no estado.

Por fim, o OCMS buscou consolidar uma rede de cooperação entre universidade, governo estadual, municípios, órgãos produtores de dados, conselhos e sociedade civil. Como resultado, foi estabelecido um arranjo institucional envolvendo a UFMS, a Secretaria de Estado da Cidadania, a Fundect e a FAPEC, além de parcerias com órgãos estaduais e federais, instituições de pesquisa, conselhos e organizações sociais. Essa rede permite compartilhar conhecimentos, acessar informações, validar produtos, realizar capacitações e incorporar demandas dos usuários ao desenvolvimento da prática.

Os resultados alcançados demonstram que os objetivos iniciais foram convertidos em produtos e processos verificáveis: cobertura dos 79 municípios, dez painéis temáticos, levantamento municipal estruturado, produção de repositórios e materiais técnicos, ações de capacitação, atendimento direto a gestores, ampliação da transparência e utilização das informações em programas e ações institucionais. Dessa forma, o OCMS contribui para transformar dados públicos dispersos em conhecimento territorializado, acessível e útil à gestão pública, à participação social e à garantia de direitos.

Critério
Classificação
Justificativa
Escalabilidade
Muito alto

O OCMS apresenta elevado potencial de escalabilidade porque sua estrutura digital, modular e territorializada permite incorporar novos painéis, temas, bases de dados, indicadores, recortes populacionais e áreas de atuação sem a necessidade de reconstrução integral da solução. A prática já possui cobertura dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul e pode ampliar seu público por meio do acesso gratuito aos painéis, das capacitações, dos pontos focais regionais e da articulação com órgãos públicos, conselhos, universidades e sociedade civil. A metodologia de integração, tratamento, validação e visualização de dados também pode ser aplicada a outras políticas públicas e unidades da administração. O uso de bases oficiais, infraestrutura institucional e ferramentas compartilhadas favorece o crescimento com aproveitamento da capacidade já instalada, permitindo expansão estadual e adaptação por outros órgãos ou territórios.

Replicabilidade
Muito alto

O OCMS apresenta alta replicabilidade porque sua metodologia pode ser adaptada por outros órgãos, estados, municípios, universidades e observatórios públicos. A prática está organizada em etapas transferíveis: seleção das fontes, tratamento e padronização dos dados, territorialização, validação técnica, documentação metodológica, desenvolvimento de painéis, capacitação dos usuários e articulação institucional. Sua estrutura modular permite substituir ou acrescentar temas, indicadores e recortes conforme as necessidades de cada jurisdição, preservando o modelo de governança e gestão da informação. A utilização de bases públicas, ferramentas institucionais e infraestrutura compartilhada reduz barreiras técnicas e financeiras, favorecendo a reprodução da iniciativa em diferentes contextos administrativos.

Sustentabilidade
Muito alto

O OCMS apresenta boa sustentabilidade porque utiliza predominantemente bases públicas, infraestrutura institucional da UFMS, ferramentas compartilhadas e uma arquitetura modular, fatores que reduzem os custos de manutenção e permitem atualizar ou ampliar os produtos sem reconstruir toda a solução. A formalização das parcerias com a Secretaria de Estado da Cidadania, a Fundect e a FAPEC, associada à equipe multidisciplinar e aos procedimentos de governança, monitoramento e prestação de contas, também favorece sua continuidade. Contudo, a manutenção dos painéis, a atualização periódica das bases, as ações territoriais e as capacitações exigem equipe técnica, coordenação institucional e recursos recorrentes. Por essa razão, a sustentabilidade é considerada alta, mas ainda não máxima, sendo necessário ampliar a institucionalização da prática e diversificar suas fontes permanentes de apoio.

Impacto realizado ou potencial:

Nos últimos dois anos, o OCMS consolidou-se como um hub público de informações, inteligência territorial e gestão do conhecimento, voltado à organização, integração, análise e disponibilização de dados sobre cidadania, direitos e desigualdades sociais. Seu impacto decorre da capacidade de transformar informações dispersas, provenientes de diferentes sistemas, órgãos, registros administrativos e levantamentos próprios, em conhecimento territorializado, acessível e aplicável à administração pública, à pesquisa, à participação social e ao controle das políticas públicas.
O Observatório passou a desempenhar o papel de articulador dessas informações, reunindo dados estatísticos, registros administrativos, normativos, séries históricas e informações municipais em um ambiente público e gratuito.
Um dos principais resultados foi a estruturação de dez painéis temáticos, com informações referentes aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Os painéis abordam diferentes dimensões da cidadania e da garantia de direitos, incluindo temas relacionados às mulheres, à população negra, às pessoas idosas, às pessoas com deficiência, às pessoas autistas, à população LGBTQIAPN+, à infância, à adolescência, às juventudes e a indicadores sociais, econômicos, demográficos e territoriais. Esses produtos permitem realizar consultas por município, período, tema e grupo populacional, comparar localidades, acompanhar séries históricas e identificar desigualdades territoriais.

Os painéis representam mais do que instrumentos de visualização. As informações passam por processos de seleção, conferência, limpeza, padronização, integração, territorialização, validação e documentação metodológica. Esse trabalho qualifica os dados e reduz as dificuldades relacionadas à diversidade de formatos, conceitos e períodos de referência. Ao reunir mapas, gráficos, tabelas, taxas, proporções e séries históricas em um mesmo ambiente, o OCMS facilita o acesso a conteúdos que anteriormente exigiam consultas a diferentes sistemas e conhecimentos técnicos especializados.

Além dos painéis, foram estruturados repositórios de normativos e informações temáticas, que organizam leis, decretos, documentos institucionais e referências relacionadas às políticas de cidadania,ampliando a transparência e simplificando a localização de marcos legais anteriormente dispersos. A organização por temas, períodos e tipos de documentos favorece pesquisas, estudos comparativos, diagnósticos institucionais e consultas realizadas.

As linhas do tempo também constituem produtos relevantes do Observatório. Elas apresentam cronologicamente marcos legais, institucionais e sociais associados aos diferentes grupos e políticas contemplados. Ao relacionar datas, acontecimentos, normas e avanços na garantia de direitos, esses produtos facilitam a compreensão histórica das políticas de cidadania e oferecem uma forma acessível de comunicar conteúdos complexos. Também podem ser utilizados em atividades educativas, ações de formação, pesquisas e iniciativas de sensibilização social.

O OCMS desenvolveu ainda mapas, séries históricas, estudos, relatórios, materiais técnicos, guias orientadores, conteúdos informativos e produtos de comunicação. A diversidade de formatos permite alcançar públicos com diferentes níveis de conhecimento e necessidades. Enquanto os painéis atendem a usuários que precisam explorar indicadores e comparar territórios, os materiais técnicos e de comunicação tornam os resultados mais compreensíveis e ampliam sua circulação entre gestores, conselhos e sociedade.

Outro impacto importante foi a estruturação do levantamento de políticas públicas municipais, destinado a identificar serviços, programas, órgãos, conselhos, normativos e iniciativas existentes nos territórios. Foram recebidos 292 formulários distribuídos em oito eixos de cidadania: Assuntos Comunitários; Crianças, Adolescentes e Jovens; Igualdade Racial; Mulheres; População LGBTQIA+; Pessoas Idosas; Povos Originários; e Pessoas com Deficiência. Esse levantamento complementa os indicadores estatísticos com informações sobre as capacidades e respostas públicas existentes em cada município, permitindo identificar lacunas, experiências relevantes e possibilidades de cooperação.

A aproximação com os municípios também produziu resultados expressivos. A atuação dos pontos focais regionais, as visitas, os atendimentos e a participação em eventos ampliaram o diálogo com gestores e equipes técnicas. No 4º Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul, o OCMS realizou aproximadamente 800 atendimentos e manteve interlocução com representantes de 33 municípios. Essas ações permitiram divulgar os produtos, orientar os usuários, identificar demandas e fortalecer o uso das informações no planejamento e no acompanhamento das políticas públicas.

As ações de letramento estatístico ampliam o impacto dos produtos digitais. O Observatório promove capacitações, oficinas, apresentações e orientações sobre leitura de indicadores, taxas, proporções, séries históricas, mapas, fontes de dados e limitações metodológicas. A prática reconhece que disponibilizar informações não é suficiente: é necessário desenvolver a capacidade dos usuários para compreendê-las e utilizá-las adequadamente. As próximas etapas preveem a ampliação dessas atividades formativas e o aprofundamento da aproximação institucional com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, especialmente para ações de capacitação, difusão de conhecimentos estatísticos e qualificação do uso de bases oficiais.

Os produtos do Observatório também passaram a subsidiar diagnósticos, programas e ações institucionais. O painel Mulheres em Evidência, por exemplo, organiza informações relacionadas à violência contra as mulheres, às características das ocorrências e à estrutura da rede de atendimento, contribuindo para o acompanhamento de indicadores no contexto do Programa Protege MS. Outros dados sistematizados pelo OCMS vêm sendo utilizados em iniciativas relacionadas ao envelhecimento, à igualdade racial, às juventudes e a outros campos da cidadania.

O alcance público da iniciativa é demonstrado pelas aproximadamente 218,8 mil visualizações registradas no portal até o final de 2025 e pela repercussão em veículos de comunicação. O reconhecimento externo também confirma sua relevância, destacando-se a condição de semifinalista do Prêmio Espírito Público, na categoria Gestão e Transformação Digital, e o recebimento do Selo ODS Educação.

Com a ampliação dos produtos e das articulações, o OCMS vem se tornando referência estadual na disponibilização e organização de dados públicos sobre cidadania. Seu modelo contribui para difundir uma cultura de integração de informações, transparência e inteligência territorial. A criação de outras estruturas temáticas semelhantes no estado demonstra a expansão do interesse por observatórios, painéis e ambientes especializados de dados, reforçando o potencial do OCMS como experiência orientadora e replicável.

De forma ampla, os dez painéis, os repositórios, as linhas do tempo, os levantamentos municipais, os estudos, os materiais técnicos, as capacitações e as ações territoriais constituem um ecossistema público de informação. Esse hub reduz a fragmentação informacional, amplia a transparência, dá visibilidade a grupos historicamente sub-representados e fortalece a cooperação entre universidade, Estado, municípios e sociedade. Assim, contribui para o aprimoramento de políticas públicas informadas por evidências e apresenta elevado potencial de continuidade, expansão e replicação em outras instituições e jurisdições.

Informações complementares

Governança, tecnologias e ferramentas:

A governança do Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul está estruturada em um arranjo cooperativo entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Secretaria de Estado da Cidadania de Mato Grosso do Sul (SEC/MS), a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e a Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (FAPEC). A UFMS responde pela coordenação e execução técnico-científica da prática, abrangendo pesquisa, tratamento e análise de dados, desenvolvimento tecnológico, produção de painéis, formação e extensão. A SEC/MS realiza a articulação com órgãos estaduais, municípios, conselhos e políticas de cidadania, além de colaborar no fornecimento de informações e no acompanhamento das atividades. A Fundect atua como agência de fomento, enquanto a FAPEC presta apoio administrativo e financeiro. Essa divisão de responsabilidades está formalizada por instrumentos de parceria, planos de trabalho, metas, cronogramas, relatórios e mecanismos de acompanhamento.

A gestão operacional é conduzida por uma coordenação, uma gerência e uma equipe multidisciplinar formada por profissionais e bolsistas de áreas como gestão pública, tecnologia da informação, ciência de dados, comunicação, design, pesquisa e políticas de cidadania. As atividades são organizadas por projetos, produtos e eixos temáticos, com definição de responsáveis, entregas, prazos e etapas de validação. São realizadas reuniões periódicas de planejamento e acompanhamento, registro de demandas, monitoramento das metas e análise da execução dos produtos. Os resultados são consolidados em relatórios técnicos e gerenciais, utilizados tanto para a tomada de decisão interna quanto para o acompanhamento pelas instituições parceiras.

A governança dos dados segue um fluxo estruturado que compreende a identificação das necessidades informacionais, a seleção das fontes, a obtenção dos dados, a conferência de sua origem, o tratamento, a padronização, a integração, a territorialização, a validação e a publicação. São priorizadas bases oficiais federais, estaduais e municipais, registros administrativos, documentos normativos e informações coletadas diretamente junto às administrações municipais. Cada conjunto de dados é analisado quanto à abrangência territorial, período de referência, unidade de medida, periodicidade de atualização, possibilidade de comparação e limitações metodológicas.

O tratamento das informações inclui correção de formatos, padronização dos nomes e códigos dos municípios, compatibilização de períodos e categorias, agregação de dados e construção de indicadores. Sempre que necessário, as bases são relacionadas por município, ano, tema ou grupo populacional. A validação envolve a comparação com as fontes originais, revisão técnica e temática e conferência das visualizações antes da publicação. Notas metodológicas, identificação das fontes e períodos de referência são utilizadas para conferir transparência e permitir que os usuários compreendam o alcance e as limitações dos dados apresentados.

A infraestrutura tecnológica é composta por uma plataforma digital pública, painéis interativos, bancos e conjuntos estruturados de dados, planilhas de tratamento, repositórios digitais, mapas, gráficos, séries históricas, linhas do tempo e portal institucional. As ferramentas de visualização permitem a aplicação de filtros por município, período, indicador e grupo populacional. A arquitetura modular possibilita atualizar bases, incorporar novos indicadores e desenvolver painéis adicionais sem reconstruir integralmente o ambiente. A documentação analisada não especifica nominalmente todas as linguagens, softwares ou ferramentas de inteligência de negócios utilizadas, razão pela qual a prática é descrita a partir de suas funções tecnológicas e dos produtos efetivamente disponibilizados.

O desenvolvimento dos produtos ocorre de forma incremental. Inicialmente são definidos o tema, os usuários, as perguntas orientadoras e as fontes disponíveis. Em seguida, são elaboradas versões preliminares dos painéis e materiais, submetidas à análise da equipe e, quando pertinente, à validação de órgãos parceiros e especialistas. Após a publicação, manifestações recebidas em reuniões, capacitações, eventos, formulários e atendimentos são incorporadas ao processo de melhoria contínua. Essa abordagem permite corrigir problemas de navegação, aperfeiçoar a linguagem, incluir novos recortes e adequar os produtos às necessidades dos usuários.

A participação dos municípios e da sociedade também integra a governança. Os pontos focais regionais, as oficinas, as capacitações, os eventos e os canais de atendimento funcionam como mecanismos de escuta e identificação de demandas. As informações coletadas junto aos municípios são submetidas a procedimentos de conferência e organização antes de sua incorporação aos produtos. Conselhos de direitos, pesquisadores, gestores e representantes sociais contribuem com sugestões de temas, indicadores, recortes e formas de apresentação, aproximando a produção de informação das necessidades concretas das políticas de cidadania.

A gestão da segurança e da proteção de dados observa os princípios da finalidade, necessidade, adequação, transparência e segurança previstos na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. O convênio estabelece obrigações de confidencialidade, controle de acesso, rastreabilidade, prevenção de incidentes, auditabilidade e utilização das informações exclusivamente para as finalidades pactuadas. A publicação prioriza dados públicos e agregados, evitando a exposição de informações pessoais ou a possibilidade de identificação indevida de indivíduos.

O monitoramento da prática considera produtos, metas, prazos, execução física e financeira, acesso aos painéis, atendimentos realizados, participação municipal, produção de materiais, capacitações e repercussão pública. A manutenção ocorre por ciclos de atualização definidos conforme a periodicidade de cada fonte, acompanhados de revisão técnica, metodológica e visual. Esse conjunto de mecanismos — governança cooperativa, equipe multidisciplinar, gestão estruturada de dados, desenvolvimento incremental, participação dos usuários, proteção de dados e monitoramento de resultados — sustenta o funcionamento do OCMS como um hub público de informações e favorece sua continuidade, expansão e replicação.

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