Lucia: Uma assistente virtual baseada em IA para estudantes da graduação da UFPB

  • Entidade(s) Responsável(is): Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por meio da Pró-Reitoria de Graduação (PRG), em parceria com o Laboratório de Gestão & Inteligência de Dados (LAGID), vinculado ao Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA/UFPB). A iniciativa conta ainda com o apoio técnico da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), responsável pela infraestrutura, e colaboração da Comissão de Inclusão e Acessibilidade da UFPB.
  • Categorias da Gestão da Informação: Inteligência Artificial e Ética no Setor Público
  • Palavras-chave: IA, agente, assistente virtual, graduação, estudantes

Resumo executivo

A Lucia é uma assistente virtual baseada em Inteligência Artificial, desenvolvida pelo Laboratório de Gestão & Inteligência de Dados (LAGID) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com apoio institucional da Pró-Reitoria de Graduação (PRG) e da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), para oferecer suporte contínuo e confiável aos cerca de 25 mil estudantes de graduação da instituição. Seu nome deriva do latim lux (luz), expressando o propósito central da iniciativa: iluminar as dúvidas dos estudantes sobre a vida acadêmica, traduzindo normas, procedimentos e informações institucionais, frequentemente dispersos, técnicos ou de difícil acesso, em respostas claras, precisas e disponíveis a qualquer momento.

Tecnicamente, a Lucia integra modelos de linguagem de grande escala (LLMs) a uma arquitetura de Retrieval-Augmented Generation (RAG), ancorada exclusivamente em documentos oficiais da UFPB, como a Resolução Geral da Graduação (RGG), os Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs), resoluções de assistência estudantil e diversas normas que regem a graduação. Essa arquitetura garante que as respostas geradas pela IA estejam sempre alinhadas à realidade normativa e institucional da universidade, diferenciando a Lucia de assistentes conversacionais genéricos, cujas respostas não têm compromisso com fontes oficiais e podem induzir o estudante a erro. Disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, a Lucia funciona como um canal complementar às coordenações de curso e setores administrativos, ampliando o acesso à informação para além do horário de expediente.

A evasão e a retenção na educação superior pública brasileira são fenômenos multicausais, mas uma parcela de seus determinantes está ligada à desinformação e à desorientação do estudante diante da burocracia acadêmica. Estudantes que desconhecem os serviços institucionais disponíveis, não compreendem os fluxos e pré-requisitos de seu curso, ou ignoram os programas de assistência estudantil aos quais têm direito, estão mais vulneráveis ao abandono, especialmente nos primeiros períodos, quando o desconhecimento da estrutura universitária se soma à insegurança típica da transição para o ensino superior. Coordenações de curso e setores de atendimento, por sua vez, operam com capacidade limitada e horário restrito, o que gera filas de espera, respostas inconsistentes entre atendentes e sobrecarga de demandas repetitivas, sendo muitas delas de baixa complexidade, mas de alto impacto na experiência do estudante quando não respondidas a tempo.

Ao mesmo tempo, o avanço recente dos LLMs abriu uma oportunidade concreta de oferecer atendimento em linguagem natural, escalável e disponível ininterruptamente, desde que ancorado em uma base de conhecimento confiável — o que a arquitetura RAG da Lucia assegura. A oportunidade identificada, portanto, não é apenas tecnológica, mas de equidade: democratizar o acesso à informação institucional para todos os estudantes, independentemente de seu capital cultural, disponibilidade de tempo ou familiaridade prévia com a burocracia universitária.

A Lucia tem como propósito central atuar como instrumento de equidade, acolhimento e permanência estudantil, contribuindo para a redução da evasão ao endereçar diretamente suas causas informacionais: desinformação acadêmica (explicando a RGG, prazos e trancamentos em linguagem simples), desconhecimento de auxílios (informando sobre bolsas, restaurante universitário e assistência estudantil), desorientação no curso (esclarecendo pré-requisitos, fluxos e carga horária), sensação de desamparo (por meio da disponibilidade 24/7) e medo da burocracia (traduzindo documentos complexos em orientações práticas). É especialmente relevante no acolhimento de calouros, orientando-os desde a matrícula até o entendimento de seus direitos e da estrutura institucional — momento em que o risco de evasão é historicamente mais elevado.

O projeto é coordenado pelo Prof. Dr. José Jorge Lima Dias Júnior, do Departamento de Administração da UFPB e coordenador do Observatório de Dados da Graduação (ODG) da PRG, com apoio de bolsistas de iniciação científica e tecnológica (PIBITI) em Ciência de Dados para Negócios e Administração. A Lucia se insere em uma trajetória mais ampla de soluções analíticas do LAGID voltadas à gestão da graduação baseada em evidências.

A Lucia encontra-se em desenvolvimento avançado, com arquitetura RAG estruturada, curadoria da base de conhecimento institucional em andamento. Está sendo implantado, em paralelo, um sistema de monitoramento de uso que acompanhará número de usuários, volume de interações, feedback positivo e negativo, sugestões de melhoria e relatos de erro, permitindo o aprimoramento contínuo da ferramenta a partir de evidências reais de uso.

O impacto projetado da Lucia é duplo. No nível individual, espera-se reduzir a insegurança e o tempo gasto pelo estudante na busca por informações institucionais, aumentando sua autonomia e seu senso de pertencimento à universidade. No nível institucional, a expectativa é aliviar a carga de atendimento das coordenações de curso e setores administrativos, permitindo que esses atores concentrem esforços em demandas de maior complexidade, além de gerar dados sistemáticos sobre as dúvidas mais recorrentes dos estudantes — informação relevante para o aprimoramento de normas, comunicação institucional e políticas de permanência.

Por fim, a Lucia representa uma iniciativa pioneira no uso de inteligência artificial conversacional na educação superior pública brasileira, com potencial de replicação em outras instituições federais de ensino, na medida em que sua arquitetura, fundamentada em documentos institucionais, e não em treinamento genérico, pode ser adaptada a qualquer universidade disposta a estruturar sua própria base de conhecimento oficial. Trata-se, assim, de uma tecnologia a serviço da democratização da informação, da permanência e do sucesso acadêmico na UFPB.

Status Atual
Em Implantação
Categorias de gestão da informação
Premiações recebidas
Não
Financiamento externo
Sim
Website da Prática

Vídeo explicativo

Motivação e Justificativa

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), como a maioria das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) brasileiras, convive com um desafio de gestão acadêmica de grande escala e complexidade: garantir que aproximadamente 25 mil estudantes de graduação tenham acesso claro, rápido e confiável às informações necessárias para navegar sua trajetória universitária. Essas informações estão espalhadas por diferentes fontes — resoluções normativas, Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs), editais de assistência estudantil, portarias e comunicados de coordenações — muitas vezes redigidas em linguagem técnico-jurídica, de difícil compreensão para um estudante recém-ingresso ou mesmo para quem já está em fase avançada do curso.

Essa fragmentação e complexidade informacional não é um problema meramente administrativo: ela está diretamente relacionada a um dos fenômenos mais estudados e mais preocupantes da gestão da educação superior — a evasão estudantil. A literatura sobre o tema aponta que estudantes que desconhecem os serviços institucionais disponíveis, não compreendem os fluxos acadêmicos de seu curso (pré-requisitos, carga horária, prazos de trancamento e matrícula) ou ignoram os programas de assistência estudantil aos quais têm direito estão mais vulneráveis ao abandono. Esse risco se intensifica justamente nos momentos de maior fragilidade da trajetória acadêmica: o primeiro período, quando o estudante ainda não conhece a estrutura da universidade, e os períodos de dificuldade acadêmica ou financeira, quando a falta de orientação sobre os canais de apoio disponíveis pode significar a diferença entre a permanência e a desistência.

Do lado da gestão institucional, o cenário apresenta um segundo tipo de desafio. As coordenações de curso, a Pró-Reitoria de Graduação (PRG) e os setores de atendimento estudantil operam com equipes limitadas e horário de funcionamento restrito, enquanto a demanda por esclarecimentos é constante e, em grande parte, repetitiva. Um volume expressivo de solicitações recebidas por esses setores refere-se a dúvidas recorrentes e de baixa complexidade, como prazos de matrícula, regras de trancamento, requisitos para colação de grau ou funcionamento de auxílios estudantis, que consomem tempo da equipe técnica e administrativa, mas que poderiam ser respondidas de forma padronizada, imediata e sem necessidade de intervenção humana direta. Esse desequilíbrio entre demanda e capacidade de atendimento gera filas, atrasos nas respostas e, eventualmente, inconsistência nas orientações fornecidas por diferentes atendentes, o que compromete a experiência do estudante e a própria credibilidade institucional.

Foi nesse contexto que se identificou a oportunidade de inovação que deu origem à Lucia. O amadurecimento recente dos modelos de linguagem de grande escala (LLMs), combinado a arquiteturas de Retrieval-Augmented Generation (RAG) capazes de ancorar as respostas geradas por IA em bases de conhecimento institucional específicas, tornou viável a construção de um canal de atendimento em linguagem natural, disponível ininterruptamente, cujas respostas não decorrem de conhecimento genérico da internet, mas exclusivamente dos documentos oficiais da própria universidade. Essa característica é decisiva, pois diferencia a Lucia de assistentes conversacionais convencionais, cuja imprecisão ou desatualização poderiam induzir o estudante a erros com consequências acadêmicas reais, e assegura que cada resposta esteja aderente à realidade normativa vigente da UFPB.

A necessidade da Lucia se justifica, portanto, em três frentes complementares. Primeiro, uma frente de equidade em que nem todos os estudantes têm o mesmo repertório para lidar com a burocracia universitária, e um canal acessível, disponível a qualquer hora e capaz de traduzir documentos técnicos em linguagem simples reduz essa desigualdade de partida. Segundo, uma frente de eficiência institucional. Ao absorver o volume de dúvidas recorrentes e de baixa complexidade, a Lucia libera as coordenações de curso e os setores de atendimento para concentrar esforços em demandas que efetivamente exigem julgamento humano e atenção individualizada. Terceiro, uma frente de gestão baseada em evidências em que, ao monitorar sistematicamente as interações, dúvidas mais frequentes e feedbacks dos estudantes, a Lucia gera um fluxo contínuo de dados que pode subsidiar o aprimoramento de normas, da comunicação institucional e das próprias políticas de permanência estudantil, fechando um ciclo virtuoso entre atendimento ao estudante e inteligência de gestão.

Objetivos ODS: 
  • 4 - Educação de qualidade
Inovação e diferencial: 

A Lucia se diferencia por ancorar respostas de IA generativa exclusivamente em documentos oficiais da UFPB (RGG, PPCs, resoluções de assistência estudantil), via arquitetura RAG, e não em conhecimento genérico da internet, como assistentes convencionais. Dessa forma, seu diferencial está no propósito: não é um chatbot genérico, mas um instrumento de equidade e permanência estudantil, com curadoria contínua de conhecimento institucional e monitoramento sistemático de uso e feedback, permitindo evolução baseada em evidências reais, não suposições sobre as necessidades do estudante.

Contexto e Alcance

Entidade responsável

Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por meio da Pró-Reitoria de Graduação (PRG), em parceria com o Laboratório de Gestão & Inteligência de Dados (LAGID), vinculado ao Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA/UFPB). A iniciativa conta ainda com o apoio técnico da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), responsável pela infraestrutura, e colaboração da Comissão de Inclusão e Acessibilidade da UFPB.

Público-alvo

O público-alvo direto da Lucia, no âmbito da administração pública, são as coordenações dos cursos de graduação da UFPB, que atualmente concentram grande parte do atendimento presencial a dúvidas estudantis, e a Pró-Reitoria de Graduação (PRG), responsável pela gestão acadêmica institucional e pela definição de normas e políticas de permanência estudantil.  Indiretamente, setores de assistência estudantil também se beneficiam, pois a Lucia amplia a divulgação e o entendimento dos programas de apoio já existentes. O beneficiário final da prática é o corpo discente da graduação, com potencial alcance de cerca de 25 mil estudantes.

Beneficiários finais

O público-alvo direto da Lucia, no âmbito da administração pública, são as coordenações dos cursos de graduação da UFPB, que atualmente concentram grande parte do atendimento presencial a dúvidas estudantis, e a Pró-Reitoria de Graduação (PRG), responsável pela gestão acadêmica institucional e pela definição de normas e políticas de permanência estudantil.  Indiretamente, setores de assistência estudantil também se beneficiam, pois a Lucia amplia a divulgação e o entendimento dos programas de apoio já existentes. O beneficiário final da prática é o corpo discente da graduação, com potencial alcance de cerca de 25 mil estudantes.

Escopo jurisdicional
Federal
Nível de alcance
Regional Municipal
Local de implantação

A boa prática opera em todos os campi da UFPB: João Pessoa, Santa Rita, Rio Tinto, Mamanguape, Areia e Bananeiras.

Resultados e Impacto

Objetivo 1: definir a arquitetura de Retrieval-Augmented Generation, ancorando respostas na RGG, PPCs e resoluções de assistência estudantil; curadoria da base de conhecimento institucional em andamento (concluída).

Objetivo 2: desenvolver sistema para acompanhar usuários, mensagens, feedback positivo e negativo, sugestões de melhoria e relatos de erro, permitindo melhoria contínua da ferramenta com base em evidências reais de uso (concluída).

Objetivo 3: Validar com os coordenadores de curso em cada centro acadêmico da UFPB, para avaliar a assertividae das respostas (Em andameto).

Objetivo 4: Liberar a ferramenta para todos os estudantes de graduação da UFPB (A ser realizada)

Critério
Classificação
Justificativa
Escalabilidade
Alto

Quanto à escalabilidade, o projeto está atualmente em fase de validação com coordenadores de curso em cada centro acadêmico da UFPB, etapa que antecede sua liberação gradual aos estudantes — processo que já prevê expansão progressiva a todos os centros e cursos da instituição. Para além da UFPB, a arquitetura é replicável a outras Instituições Federais de Ensino Superior, bastando estruturar a base de conhecimento institucional local.

Replicabilidade
Muito alto

A arquitetura da Lucia é replicável a qualquer instituição de ensino superior disposta a estruturar sua própria base de conhecimento institucional. O modelo não depende de treinamento proprietário de IA: basta organizar os documentos normativos da instituição (regimentos, PPCs, resoluções de assistência estudantil) para alimentar o mecanismo de RAG, adaptando-o à realidade de cada universidade. A adaptação da Lucia a outra instituição exigiria principalmente curadoria de conteúdo local e ajustes de integração com o sistema acadêmico próprio (equivalente ao SIGAA), sem necessidade de reconstrução da arquitetura tecnológica central, o que reduz significativamente o custo e o tempo de implementação em novos contextos.

Sustentabilidade
Alto

A Lucia foi concebida para operar com baixa dependência de recursos extraordinários. Sua base de conhecimento (RAG) é alimentada por documentos institucionais já existentes (RGG, PPCs, resoluções), exigindo apenas atualização periódica quando normas forem revisadas. A infraestrutura tecnológica reaproveita servidores da STI, evitando investimento adicional em hardware. A equipe de manutenção é formada por bolsistas de graduação (PIBITI) sob coordenação docente, modelo já consolidado e renovável a cada ciclo acadêmico, sem depender de contratações externas. O uso de modelos de linguagem locais (Llama, Mistral, Gemma) está sendo avaliado justamente para reduzir custos recorrentes com APIs comerciais de LLM, tornando o custo operacional previsível e compatível com o orçamento de um laboratório de pesquisa.

Impacto realizado ou potencial:

Nos últimos dois anos, o ecossistema analítico do qual a Lucia é evolução direta (Ecograd e SIGMA) recebeu validações externas relevantes: o Prêmio Nacional de Inovação em Gestão Universitária (INPEAU/UFSC, 2024), menção honrosa de melhor Produto Técnico-Tecnológico no Enanpad (2024) e o Prêmio Jovem Pesquisador PIBITI/CNPq (UFPB, 2025), além do lançamento do SIGMA em 2025, hoje usado por mais de 100 coordenadores e 100 chefes de departamento na UFPB.

O impacto potencial da Lucia amplia esse legado ao endereçar diretamente o estudante: espera-se reduzir a evasão associada à desinformação institucional, aliviar a carga de atendimento das coordenações de curso e gerar dados sistemáticos sobre dúvidas recorrentes, subsidiando melhorias em normas e políticas de permanência. Trata-se de iniciativa pioneira no uso de IA conversacional institucional na educação superior pública brasileira, com potencial de replicação em outras IFES.

Informações complementares

Governança, tecnologias e ferramentas:

Gestão do projeto baseada em metodologia ágil e acompanhamento via Trello. Arquitetura técnica baseada em LLMs  integrados a um mecanismo de Retrieval-Augmented Generation (RAG), ancorado em documentos institucionais oficiais. Governança institucional formalizada por meio de declaração da Pró-Reitoria de Graduação (PRG), com participação técnica da STI e da Comissão de Inclusão e Acessibilidade. Sistema próprio de monitoramento de uso (usuários, mensagens, feedback, erros) apoia a governança contínua e a tomada de decisão sobre melhorias.