Justiça sem Distâncias: Inteligência Territorial para Democratizar o Acesso à Justiça no Ceará

  • Entidade(s) Responsável(is): A boa prática foi criada, implantada e é mantida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), por meio da Diretoria Estadual de Atendimento (DEA), unidade vinculada à Presidência responsável pela coordenação da política institucional de atendimento ao cidadão. A DEA exerce papel estratégico na concepção, planejamento, execução, expansão, monitoramento e aperfeiçoamento da iniciativa, definindo diretrizes, padronizando fluxos de trabalho, elaborando protocolos, desenvolvendo procedimentos operacionais, acompanhando indicadores de desempenho, promovendo a capacitação das equipes e implementando melhorias contínuas. Esse modelo de governança assegura a continuidade da prática, sua evolução permanente e o alinhamento às prioridades institucionais do Tribunal. No aspecto organizacional, a iniciativa é sustentada por uma estrutura integrada que articula diferentes unidades administrativas, operacionais, tecnológicas e estratégicas. Sob a coordenação da DEA estão as Centrais de Atendimento Judicial (CAJs), responsáveis pelo atendimento direto ao cidadão; a CAJ Mulher, especializada no atendimento humanizado às mulheres em situação de violência doméstica e familiar; os Postos de Inclusão Digital (PIDs) e os Postos de Justiça e Cidadania (PJCs), destinados à ampliação do acesso aos serviços judiciais em localidades com menor oferta de atendimento. Complementam essa estrutura a Secretaria de Tecnologia da Informação (SETIN), responsável pela infraestrutura tecnológica; a Secretaria de Administração e Infraestrutura, que assegura os recursos físicos, logísticos e contratuais necessários ao funcionamento das unidades; a Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (ESMEC), responsável pela formação continuada de magistrados, servidores e colaboradores; além das áreas de Planejamento, Gestão Estratégica e Governança, que acompanham indicadores, metas e resultados, garantindo aderência ao Plano Estratégico do TJCE, às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.  No aspecto físico, a prática possui ampla capilaridade territorial. Atualmente, é executada por meio de uma rede de atendimento, composta por 54 Centrais de Atendimento Judicial (CAJs), distribuídas em todas as regiões do Estado do Ceará, garantindo maior proximidade, acessibilidade e inclusão dos cidadãos aos serviços do Poder Judiciário. estão instaladas nas seguintes comarcas: 
    • Região do Cariri: Araripe, Assaré, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Jardim, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Mauriti e Missão Velha. 
    • Região Centro-Sul e Sertão Central: Cedro, Iguatu, Mombaça, Senador Pompeu, Várzea Alegre, Baturité, Canindé, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Quixadá e Russas. 
    • Região Metropolitana de Fortaleza e Litoral: Caucaia, Maranguape, São Gonçalo do Amarante, Trairi, Uruburetama, Acaraú, Camocim, Itapajé, Itapipoca, Massapê, Santa Quitéria, São Benedito, Sobral, Viçosa do Ceará, Aquiraz, Eusébio, Horizonte, Itaitinga, Pacajus, Pacatuba e Fortaleza. 
    • Região dos Inhamuns e Sertão de Crateús: Crateús, Tauá, Ipueiras, Pedra Branca, Boa Viagem, Monsenhor Tabosa, Novo Oriente e Tamboril. 
    Além das Centrais de Atendimento Judicial, a iniciativa conta com 14 Postos de Inclusão Digital (PIDs), implantados em municípios que não dispõem de unidades próprias da Justiça ou que foram contemplados em razão de processos de agregação de comarcas, ampliando o acesso aos serviços judiciais por meio da tecnologia e do atendimento assistido. Os Postos de Inclusão Digital estão localizados nos municípios de: Icapuí, Palmácia, Itatira, Jaguaribara, Tejuçuoca, General Sampaio, Ararendá, Quiterianópolis, Parambu, Arneiroz, Deputado Irapuan Pinheiro, Porteiras, Saboeiro e Orós. Complementando a estratégia de ampliação do acesso à Justiça, foram implantados 5 Postos de Justiça e Cidadania (PJCs) em locais de grande circulação de pessoas e serviços públicos, aproximando o Poder Judiciário da população em ambientes de fácil acesso. Os postos estão localizados: Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza; Vapt Vupt Messejana, em Fortaleza; Vapt Vupt Antônio Bezerra, em Fortaleza; Vapt Vupt Sobral e Juazeiro do Norte.  Essa estrutura é complementada por atendimento presencial, videoconferência, E-mail, Balcão Virtual, telefone e Whatsapps, permitindo que os cidadãos acessem os serviços judiciais por múltiplos canais, de forma integrada, padronizada e acessível. No aspecto jurisdicional, a iniciativa possui abrangência estadual e atende quase toda a jurisdição do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. Sua atuação alcança cidadãos de todas as regiões cearenses, tanto nos grandes centros urbanos quanto em municípios de pequeno porte e localidades historicamente menos assistidas pelos serviços públicos. A combinação entre unidades presenciais, canais digitais e estruturas de inclusão digital reduz barreiras geográficas, amplia o acesso à Justiça e assegura que qualquer cidadão possa acessar os serviços do Poder Judiciário independentemente de sua localização.   A atuação da DEA é fortalecida pela integração permanente com as unidades judiciárias de primeiro e segundo graus, garantindo o adequado encaminhamento das demandas recebidas, reduzindo retrabalho, fortalecendo a comunicação institucional e ampliando a resolutividade dos serviços. A boa prática também possui relevante dimensão interinstitucional, materializada por meio de Acordos de Cooperação Técnica celebrados com órgãos públicos e instituições parceiras, que ampliam o alcance das ações desenvolvidas e possibilitam a integração com políticas públicas de cidadania, proteção social, empregabilidade e garantia de direitos, oferecendo respostas mais completas às necessidades da população. A sustentabilidade da iniciativa é assegurada por um modelo permanente de governança e gestão baseada em evidências. A qualidade dos serviços é monitorada continuamente por indicadores de desempenho, sistemas de Business Intelligence, pesquisas de satisfação, acompanhamento dos tempos de atendimento, análise de produtividade e avaliação sistemática dos processos de trabalho. Essas informações subsidiam a tomada de decisão, orientam a implementação de melhorias e fortalecem a inovação contínua da política de atendimento. Esse conjunto de responsabilidades, estruturas e mecanismos de gestão demonstra que a prática está plenamente institucionalizada no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. A integração entre Presidência, Diretoria Estadual de Atendimento, unidades especializadas, áreas de apoio, unidades judiciárias e instituições parceiras assegura sua continuidade, fortalece sua capacidade de expansão e garante a oferta de serviços públicos cada vez mais acessíveis, inclusivos, eficientes e orientados às necessidades da sociedade cearense. 
  • Categorias da Gestão da Informação: Inteligência de Dados Públicos
  • Palavras-chave: Acesso à Justiça, Gestão Baseada em Evidências, Inteligência Territorial, Inovação no Setor Público, Atendimento Humanizado

Resumo executivo

O acesso à Justiça constitui um direito fundamental para o exercício da cidadania, a inclusão social e a proteção de direitos. Entretanto, durante décadas, milhares de cidadãos cearenses enfrentaram obstáculos para utilizar os serviços do Poder Judiciário, especialmente aqueles relacionados à distância dos grandes centros urbanos, vulnerabilidades sociais, limitações de inclusão digital e ausência de orientação adequada. O desafio identificado não era apenas ampliar a oferta de serviços, mas desenvolver um modelo capaz de identificar necessidades, direcionar recursos e aproximar a Justiça das pessoas de forma planejada, estratégica e sustentável. Para enfrentar esse cenário, o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), por meio da Diretoria Estadual de Atendimento (DEA), desenvolveu um modelo estadual de gestão do acesso à Justiça, transformando o atendimento judicial em uma política institucional orientada por dados, planejamento territorial e foco no cidadão. A inovação da prática não está apenas na expansão das Centrais de Atendimento Judicial (CAJs), mas na criação de uma metodologia capaz de definir onde, como e quais serviços deveriam ser disponibilizados, considerando evidências sobre demanda, vulnerabilidade e necessidade social. 

A iniciativa reorganizou a relação entre o Poder Judiciário e a sociedade ao transformar as Centrais de Atendimento Judicial em portas qualificadas de acesso à Justiça. As unidades passaram a oferecer acolhimento, orientação, encaminhamento e resolução de demandas, conectando cidadãos, unidades judiciárias e instituições parceiras em uma rede integrada de serviços. Dessa forma, o atendimento deixou de ser uma atividade meramente operacional e passou a atuar como instrumento estratégico de inclusão, cidadania e fortalecimento da confiança pública. O principal diferencial da prática está na utilização da inteligência territorial como ferramenta permanente de gestão. Antes da implantação ou expansão de unidades, a DEA passou a realizar análises baseadas em indicadores como densidade populacional, vulnerabilidade social, distância dos centros urbanos, demanda dos canais de atendimento, perfil dos usuários e disponibilidade de serviços públicos. Essa metodologia permitiu identificar regiões com maiores necessidades, reduzir desigualdades territoriais e direcionar investimentos de forma mais eficiente, substituindo decisões baseadas exclusivamente em percepção por decisões fundamentadas em evidências. 

Além do planejamento territorial, a prática promoveu uma transformação na forma de prestação dos serviços. Foram desenvolvidos protocolos especializados, fluxos padronizados, mecanismos de monitoramento e ações permanentes de capacitação das equipes, garantindo maior uniformidade, segurança e qualidade no atendimento. Protocolos específicos passaram a orientar demandas envolvendo públicos vulneráveis, como pessoas com deficiência, idosos, mulheres em situação de violência doméstica, cidadãos com baixa inclusão digital e população em situação de rua, assegurando atendimento mais adequado às diferentes necessidades sociais. A expansão da iniciativa ocorreu de forma gradual e planejada. A primeira Central de Atendimento Judicial foi implantada em Fortaleza, em 2018, como projeto-piloto. Os resultados alcançados impulsionaram sua ampliação para outras regiões do Estado, alcançando progressivamente diferentes macrorregiões cearenses. Ao final de 2025, o TJCE contava com 54 Centrais de Atendimento Judicial estruturadas, formando uma rede estadual voltada à ampliação do acesso aos serviços judiciais. 

Os resultados evidenciam a efetividade do modelo implantado. Entre 2018 e o primeiro semestre de 2026, as Centrais de Atendimento Judicial realizaram mais de 3.738.177 atendimentos, mantendo índice de satisfação dos usuários superior a 98% e taxa de resolutividade acima de 94%, demonstrando a capacidade da iniciativa de ampliar o acesso à Justiça com eficiência, qualidade e foco nas necessidades do cidadão. Esses resultados evidenciam que a expansão da rede ocorreu preservando qualidade, eficiência e resolutividade, proporcionando aos cidadãos maior facilidade de acesso, redução de deslocamentos e melhoria da experiência com os serviços judiciais. Além dos impactos quantitativos, a prática fortaleceu a capacidade institucional de planejamento e tomada de decisão. A produção contínua de informações estratégicas permitiu aperfeiçoar processos, orientar novas expansões, identificar necessidades regionais e aprimorar continuamente a política de atendimento. O modelo também ampliou a integração entre setores do TJCE e instituições parceiras, fortalecendo uma atuação colaborativa voltada à geração de valor público. 

A experiência demonstra que ampliar o acesso à Justiça exige mais do que aumentar estruturas físicas. Exige um modelo de gestão capaz de compreender necessidades, utilizar dados para orientar decisões e desenvolver soluções adaptáveis às diferentes realidades sociais. Por combinar inteligência territorial, gestão baseada em evidências, padronização de processos, monitoramento contínuo e atuação integrada, a prática apresenta elevado potencial de replicação por outros tribunais e instituições públicas.  Ao transformar o atendimento judicial em uma política pública orientada por dados, planejamento e centralidade no cidadão, o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará consolidou um modelo inovador de gestão do acesso à Justiça. A iniciativa demonstra que a democratização dos serviços públicos não depende apenas de levar estruturas até a população, mas de desenvolver estratégias inteligentes para garantir que a Justiça alcance, de forma efetiva e qualificada, aqueles que mais precisam.  

 

Status Atual
Em Expansão
Categorias de gestão da informação
Premiações recebidas
Sim
Financiamento externo
Sim

Vídeo explicativo

Motivação e Justificativa

A implementação das Centrais de Atendimento do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) surgiu da necessidade institucional de transformar a relação entre o Poder Judiciário e a sociedade, superando um modelo tradicional de atendimento fragmentado, pouco padronizado e concentrado nas unidades judiciárias. O desafio central consistia em reconhecer o atendimento ao cidadão não apenas como uma atividade administrativa, mas como uma política pública estratégica para garantir acesso efetivo à justiça, fortalecer a cidadania e ampliar a confiança da população na Justiça Estadual. Antes da implantação da prática, o atendimento ao público era realizado predominantemente pelas secretarias das unidades judiciárias, que acumulavam funções processuais, administrativas e de orientação aos jurisdicionados. Esse modelo, embora atendesse às necessidades históricas da instituição, apresentava limitações estruturais de inexistência de equipes especializadas, ausência de protocolos uniformes, diferentes padrões de atendimento entre as unidades e baixa capacidade de monitoramento da qualidade dos serviços prestados. 

A ausência de uma política institucional integrada fazia com que cada unidade desenvolvesse seus próprios métodos de atendimento, ocasionando divergências na qualidade das informações, nos fluxos de encaminhamento e na experiência oferecida ao cidadão. Muitas vezes, os usuários precisavam procurar diversos setores para identificar o serviço adequado, recebendo orientações fragmentadas ou incompletas, o que aumentava o tempo de solução das demandas, gerava retrabalho e sobrecarregava as equipes das secretarias. Esse cenário impactava diretamente a percepção da sociedade sobre o Poder Judiciário, frequentemente associado à burocracia, à dificuldade de comunicação e à complexidade dos procedimentos judiciais. O problema tornava-se ainda mais sensível para públicos em situação de vulnerabilidade, como idosos, pessoas com deficiência, vítimas de violência, cidadãos com baixa escolaridade e moradores de localidades distantes dos grandes centros urbanos. Para esses grupos, as barreiras territoriais, sociais, tecnológicas e informacionais representavam obstáculos adicionais ao exercício pleno de seus direitos. 

Diante desse contexto, o TJCE identificou a necessidade de promover uma mudança de paradigma de substituir um modelo de atendimento descentralizado e reativo por uma estrutura institucional organizada, humanizada, acessível e orientada por dados. A criação das Centrais de Atendimento representou, portanto, uma inovação de gestão, ao transformar o atendimento ao cidadão em um serviço estratégico, com governança própria, equipes capacitadas, processos padronizados e mecanismos permanentes de melhoria. A implementação da prática envolveu desafios relacionados à governança, recursos humanos, tecnologia, infraestrutura e integração institucional. Inicialmente, foi necessário estruturar uma unidade responsável pela coordenação do modelo, estabelecer padrões de atendimento e desenvolver uma metodologia capaz de assegurar qualidade e uniformidade em diferentes realidades locais. Como as equipes das unidades judiciárias já estavam direcionadas às atividades finalísticas, tornou-se indispensável a criação de uma estrutura especializada de atendimento, com profissionais capacitados e recursos próprios para garantir a continuidade e expansão da iniciativa. Para consolidar esse novo modelo, foram realizados estudos técnicos, mapeamento de processos, redesenho dos fluxos de trabalho e construção de protocolos padronizados, com apoio de consultoria especializada em melhoria de serviços e inovação. Esse processo permitiu identificar oportunidades de aperfeiçoamento, definir níveis de atendimento, qualificar a atuação das equipes e criar uma metodologia replicável em todo o Tribunal. 

Outro desafio relevante foi superar limitações tecnológicas e de infraestrutura. Antes da prática, havia restrições relacionadas ao acesso integrado às informações, ausência de ferramentas de gestão dos atendimentos e inexistência de mecanismos consolidados para acompanhamento de indicadores. Além disso, diversas unidades apresentavam limitações físicas, tecnológicas e de acessibilidade. A transformação exigiu investimentos em equipamentos, conectividade, ambientes adequados e soluções digitais capazes de apoiar uma prestação de serviço mais eficiente e inclusiva. Como resposta a esses desafios, o TJCE implantou um modelo estruturado em níveis de atendimento, baseado nos princípios da humanização, acessibilidade, padronização e resolutividade. No nível inicial – 0, ocorre a triagem qualificada das demandas, permitindo compreender a necessidade do cidadão, prestar orientações imediatas e direcionar corretamente cada solicitação. Quando a demanda não pertence à Justiça Estadual, o usuário recebe informações adequadas sobre os serviços competentes, evitando deslocamentos desnecessários. No primeiro nível de atendimento, as Centrais realizam uma atuação estratégica de acolhimento, análise e orientação qualificada das demandas apresentadas pelos cidadãos. A partir da escuta ativa e da compreensão individualizada de cada situação, o atendente identifica a necessidade específica do usuário, analisa as informações disponíveis no processo judicial e repassa a orientação mais adequada para cada caso. Essa atuação permite transformar uma demanda muitas vezes complexa e de difícil compreensão em uma informação clara, acessível e direcionada, considerando as particularidades de cada pessoa e o contexto apresentado.  Mais do que fornece informações, o primeiro nível exerce uma função de conexão entre o cidadão e a Justiça, reduzindo barreiras de comunicação, prevenindo deslocamentos desnecessários, qualificando os encaminhamentos e ampliando a resolutividade do atendimento.  

 O segundo nível permanece sob responsabilidade das unidades judiciárias e instituições parceiras que possuem competência técnica ou decisória, enquanto as Centrais atuam como elo permanente entre o cidadão e esses serviços. Essa reorganização promoveu uma transformação institucional significativa, onde o atendimento deixou de ser uma atividade dispersa e passou a funcionar como uma política integrada de acesso à justiça, com gestão, indicadores, protocolos, capacitação contínua e foco na experiência do usuário. A prática fortaleceu a governança institucional, reduziu encaminhamentos inadequados, qualificou a comunicação com a sociedade e ampliou a capacidade do Tribunal de compreender e responder às necessidades dos cidadãos. A iniciativa está alinhada ao planejamento estratégico do TJCE e às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça relacionadas à inovação, transformação digital, inclusão, eficiência administrativa e ampliação do acesso à justiça. Também fortalece a interiorização dos serviços, amplia a integração com instituições parceiras e contribui para reduzir desigualdades no acesso ao Poder Judiciário. 

Os resultados demonstram a efetividade da transformação realizada. O modelo alcançou elevados índices de satisfação dos usuários, superiores a 98%, evidenciando que a combinação entre tecnologia, organização dos processos e atendimento humanizado gerou uma experiência mais acessível, eficiente e acolhedora. Mais do que uma mudança operacional, as Centrais de Atendimento consolidaram uma nova forma de relacionamento institucional, aproximando o Judiciário da população e estabelecendo um modelo sustentável de prestação de serviços públicos baseado na dignidade, inclusão e efetividade dos direitos. 

Objetivos ODS: 
  • 10 - Redução das desigualdades
  • 16 - Paz, justiça e instituições eficazes
  • 17 - Parcerias e meios de implementação
Inovação e diferencial: 

A inovação desta iniciativa não consistiu apenas na ampliação dos canais de atendimento ou na expansão da presença do Poder Judiciário no território cearense. Sua principal transformação foi converter o atendimento ao cidadão em uma política pública estratégica de acesso à Justiça, estruturada para colocar as pessoas no centro das decisões institucionais. Com essa mudança de paradigma, o atendimento deixou de ser uma atividade operacional voltada exclusivamente à prestação de informações processuais e passou a atuar como um instrumento permanente de garantia de direitos, inclusão social, promoção da cidadania e geração de valor público. Para concretizar essa transformação, foi desenvolvido um modelo institucional que integra, de forma coordenada, gestão pública, inovação, tecnologia, humanização, acessibilidade e cooperação interinstitucional. Enquanto iniciativas semelhantes costumam concentrar esforços em soluções isoladas, esta prática reuniu, em uma única estratégia, uma rede estadual composta por 54 Centrais de Atendimento Judicial, 14 Postos de Inclusão Digital, atendimento presencial, remoto, telefônico, videofonia e WhatsApp, associados à gestão por indicadores, Business Intelligence, monitoramento da experiência do usuário, aplicativos institucionais desenvolvidos na plataforma Microsoft Power Apps, protocolos especializados, capacitação permanente das equipes e melhoria contínua dos processos. Essa integração assegura que qualquer cidadão receba atendimento padronizado, qualificado e resolutivo, independentemente do município onde reside ou do canal utilizado. 

O diferencial da prática está justamente nessa capacidade de integrar dimensões que, tradicionalmente, são desenvolvidas de forma independente. A tecnologia foi utilizada como instrumento de aproximação entre o Estado e a sociedade, e não como finalidade. A inovação ocorreu, sobretudo, na reorganização da gestão, na revisão dos processos, na padronização dos fluxos de trabalho, na utilização sistemática de dados para apoiar decisões e na construção de uma cultura institucional orientada pela melhoria contínua. Dessa forma, o atendimento passou a ser planejado e aperfeiçoado a partir das necessidades reais dos cidadãos, substituindo uma lógica centrada na estrutura administrativa por uma atuação efetivamente centrada nas pessoas. Essa transformação foi sustentada por um modelo institucional de gestão do atendimento que reúne conhecimentos especializados em design de serviços, gestão pública, acessibilidade, gestão do conhecimento, análise de dados e inovação organizacional. Como resultado, foram estruturados 21 protocolos especializados, que uniformizaram procedimentos, ampliaram a segurança das informações e qualificaram o atendimento prestado a diferentes perfis de usuários. Paralelamente, a instituição investiu na capacitação permanente das equipes e no aperfeiçoamento dos processos com apoio de metodologias especializadas, incluindo consultoria especializada da Ernst & Young, que apoiou o redesenho dos processos de atendimento, a qualificação das equipes e a consolidação de uma cultura institucional orientada à inovação e à melhoria contínua 

Outro elemento que diferencia significativamente a iniciativa é a ampliação do papel institucional do atendimento. O cidadão deixou de encontrar apenas respostas relacionadas ao processo judicial. Durante o atendimento, necessidades sociais também passaram a ser identificadas e encaminhadas para soluções concretas por meio da articulação com o SINE, órgãos do Governo do Estado, Justiça Federal, Justiça do Trabalho e outras instituições parceiras. Assim, pessoas em situação de vulnerabilidade passaram a ter acesso a oportunidades de emprego, qualificação profissional, emissão de documentos, programas sociais e redes de proteção, fazendo com que o atendimento judicial contribuísse para a solução integral das demandas e para o fortalecimento da autonomia dos cidadãos. A inovação também alcançou a forma de gerir os serviços públicos. O monitoramento permanente por indicadores estratégicos, ferramentas de Business Intelligence, avaliação da satisfação dos usuários e análise contínua de dados consolidou uma gestão baseada em evidências, permitindo identificar oportunidades de melhoria, antecipar necessidades e aperfeiçoar continuamente os processos. Essa capacidade de adaptação fortaleceu a eficiência operacional, aumentou a resolutividade do atendimento e consolidou uma governança mais transparente e orientada por resultados.  

Os resultados evidenciam a consistência dessa transformação. Desde a implantação da primeira Central de Atendimento Judicial, em 2018 até o primeiro semestre de 2026, foram realizados 3.738.177 atendimentos. Apenas em 2025 foram registrados 921.802 atendimentos, o maior volume da série histórica, enquanto o primeiro semestre de 2026 contabilizou 595.497 atendimentos. Mesmo diante da expansão contínua dos serviços, a iniciativa mantém índice de satisfação próximo de 99% demonstrando que o crescimento ocorreu acompanhado da manutenção de elevados padrões de qualidade, confiança e eficiência. A sustentabilidade do modelo decorre de uma estrutura permanente de governança, planejamento estratégico, monitoramento de indicadores, capacitação continuada e alinhamento às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça. Esses mecanismos asseguram a evolução constante da prática e sua capacidade de responder às mudanças sociais, tecnológicas e institucionais sem comprometer a qualidade dos serviços. 

Além dos resultados alcançados no Estado do Ceará, a iniciativa apresenta elevado potencial de replicação por outros tribunais e órgãos públicos. Sua arquitetura institucional, composta por processos padronizados, protocolos especializados, indicadores de desempenho, gestão baseada em evidências e cooperação interinstitucional, oferece um modelo flexível e adaptável a diferentes realidades administrativas. 

Mais do que modernizar o atendimento, a prática redefiniu a forma como o Poder Judiciário se relaciona com a sociedade. Ao integrar, de maneira permanente, inovação organizacional, inovação em processos, inovação tecnológica, inovação social e inovação em governança, demonstrou que ampliar o acesso à Justiça exige muito mais do que disponibilizar novos canais de atendimento, exige construir um modelo institucional capaz de compreender as necessidades das pessoas, articular soluções com diferentes políticas públicas e transformar o atendimento em um instrumento efetivo de promoção de direitos, cidadania e confiança nas instituições públicas. 

Contexto e Alcance

Entidade responsável

A boa prática foi criada, implantada e é mantida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), por meio da Diretoria Estadual de Atendimento (DEA), unidade vinculada à Presidência responsável pela coordenação da política institucional de atendimento ao cidadão. A DEA exerce papel estratégico na concepção, planejamento, execução, expansão, monitoramento e aperfeiçoamento da iniciativa, definindo diretrizes, padronizando fluxos de trabalho, elaborando protocolos, desenvolvendo procedimentos operacionais, acompanhando indicadores de desempenho, promovendo a capacitação das equipes e implementando melhorias contínuas. Esse modelo de governança assegura a continuidade da prática, sua evolução permanente e o alinhamento às prioridades institucionais do Tribunal. No aspecto organizacional, a iniciativa é sustentada por uma estrutura integrada que articula diferentes unidades administrativas, operacionais, tecnológicas e estratégicas. Sob a coordenação da DEA estão as Centrais de Atendimento Judicial (CAJs), responsáveis pelo atendimento direto ao cidadão; a CAJ Mulher, especializada no atendimento humanizado às mulheres em situação de violência doméstica e familiar; os Postos de Inclusão Digital (PIDs) e os Postos de Justiça e Cidadania (PJCs), destinados à ampliação do acesso aos serviços judiciais em localidades com menor oferta de atendimento. Complementam essa estrutura a Secretaria de Tecnologia da Informação (SETIN), responsável pela infraestrutura tecnológica; a Secretaria de Administração e Infraestrutura, que assegura os recursos físicos, logísticos e contratuais necessários ao funcionamento das unidades; a Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (ESMEC), responsável pela formação continuada de magistrados, servidores e colaboradores; além das áreas de Planejamento, Gestão Estratégica e Governança, que acompanham indicadores, metas e resultados, garantindo aderência ao Plano Estratégico do TJCE, às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. 

No aspecto físico, a prática possui ampla capilaridade territorial. Atualmente, é executada por meio de uma rede de atendimento, composta por 54 Centrais de Atendimento Judicial (CAJs), distribuídas em todas as regiões do Estado do Ceará, garantindo maior proximidade, acessibilidade e inclusão dos cidadãos aos serviços do Poder Judiciário. estão instaladas nas seguintes comarcas: 

  • Região do Cariri: Araripe, Assaré, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Jardim, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Mauriti e Missão Velha. 
  • Região Centro-Sul e Sertão Central: Cedro, Iguatu, Mombaça, Senador Pompeu, Várzea Alegre, Baturité, Canindé, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Quixadá e Russas. 
  • Região Metropolitana de Fortaleza e Litoral: Caucaia, Maranguape, São Gonçalo do Amarante, Trairi, Uruburetama, Acaraú, Camocim, Itapajé, Itapipoca, Massapê, Santa Quitéria, São Benedito, Sobral, Viçosa do Ceará, Aquiraz, Eusébio, Horizonte, Itaitinga, Pacajus, Pacatuba e Fortaleza. 
  • Região dos Inhamuns e Sertão de Crateús: Crateús, Tauá, Ipueiras, Pedra Branca, Boa Viagem, Monsenhor Tabosa, Novo Oriente e Tamboril. 

Além das Centrais de Atendimento Judicial, a iniciativa conta com 14 Postos de Inclusão Digital (PIDs), implantados em municípios que não dispõem de unidades próprias da Justiça ou que foram contemplados em razão de processos de agregação de comarcas, ampliando o acesso aos serviços judiciais por meio da tecnologia e do atendimento assistido. Os Postos de Inclusão Digital estão localizados nos municípios de: Icapuí, Palmácia, Itatira, Jaguaribara, Tejuçuoca, General Sampaio, Ararendá, Quiterianópolis, Parambu, Arneiroz, Deputado Irapuan Pinheiro, Porteiras, Saboeiro e Orós. Complementando a estratégia de ampliação do acesso à Justiça, foram implantados 5 Postos de Justiça e Cidadania (PJCs) em locais de grande circulação de pessoas e serviços públicos, aproximando o Poder Judiciário da população em ambientes de fácil acesso. Os postos estão localizados: Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza; Vapt Vupt Messejana, em Fortaleza; Vapt Vupt Antônio Bezerra, em Fortaleza; Vapt Vupt Sobral e Juazeiro do Norte. 

Essa estrutura é complementada por atendimento presencial, videoconferência, E-mail, Balcão Virtual, telefone e Whatsapps, permitindo que os cidadãos acessem os serviços judiciais por múltiplos canais, de forma integrada, padronizada e acessível. No aspecto jurisdicional, a iniciativa possui abrangência estadual e atende quase toda a jurisdição do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. Sua atuação alcança cidadãos de todas as regiões cearenses, tanto nos grandes centros urbanos quanto em municípios de pequeno porte e localidades historicamente menos assistidas pelos serviços públicos. A combinação entre unidades presenciais, canais digitais e estruturas de inclusão digital reduz barreiras geográficas, amplia o acesso à Justiça e assegura que qualquer cidadão possa acessar os serviços do Poder Judiciário independentemente de sua localização.  

A atuação da DEA é fortalecida pela integração permanente com as unidades judiciárias de primeiro e segundo graus, garantindo o adequado encaminhamento das demandas recebidas, reduzindo retrabalho, fortalecendo a comunicação institucional e ampliando a resolutividade dos serviços. A boa prática também possui relevante dimensão interinstitucional, materializada por meio de Acordos de Cooperação Técnica celebrados com órgãos públicos e instituições parceiras, que ampliam o alcance das ações desenvolvidas e possibilitam a integração com políticas públicas de cidadania, proteção social, empregabilidade e garantia de direitos, oferecendo respostas mais completas às necessidades da população. A sustentabilidade da iniciativa é assegurada por um modelo permanente de governança e gestão baseada em evidências. A qualidade dos serviços é monitorada continuamente por indicadores de desempenho, sistemas de Business Intelligence, pesquisas de satisfação, acompanhamento dos tempos de atendimento, análise de produtividade e avaliação sistemática dos processos de trabalho. Essas informações subsidiam a tomada de decisão, orientam a implementação de melhorias e fortalecem a inovação contínua da política de atendimento. Esse conjunto de responsabilidades, estruturas e mecanismos de gestão demonstra que a prática está plenamente institucionalizada no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. A integração entre Presidência, Diretoria Estadual de Atendimento, unidades especializadas, áreas de apoio, unidades judiciárias e instituições parceiras assegura sua continuidade, fortalece sua capacidade de expansão e garante a oferta de serviços públicos cada vez mais acessíveis, inclusivos, eficientes e orientados às necessidades da sociedade cearense. 

Público-alvo

A  prática tem como público-alvo direto os órgãos, setores e departamentos da Administração Pública envolvidos na gestão, execução, suporte, expansão e aprimoramento da política de atendimento do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE). Mais do que uma estrutura operacional, a iniciativa constitui um modelo institucional de governança colaborativa, que integra diferentes unidades administrativas e judiciárias, promovendo padronização de processos, gestão estratégica de informações, atuação em rede e fortalecimento da capacidade institucional de atendimento ao cidadão.  

A Diretoria Estadual de Atendimento (DEA) é o principal público-alvo estratégico da prática, por exercer a função de unidade gestora responsável pelo planejamento, coordenação, monitoramento e evolução contínua do modelo. A DEA atua na construção da arquitetura de funcionamento da rede de atendimento, estabelecendo diretrizes, desenvolvendo protocolos, estruturando fluxos operacionais, acompanhando indicadores de desempenho, promovendo capacitações e articulando diferentes unidades e instituições parceiras. Dessa forma, a Diretoria deixa de atuar apenas como uma unidade administrativa e passa a exercer um papel de governança, assegurando a sustentabilidade, a qualidade e a expansão organizada da política de atendimento em todo o Estado. 

 As Centrais de Atendimento Judicial (CAJs) constituem outro público-alvo essencial, pois são responsáveis pela execução direta dos serviços e pela aplicação dos procedimentos padronizados definidos pela DEA. A prática fortalece essas unidades ao proporcionar maior uniformidade dos atendimentos, redução de inconsistências, melhoria dos fluxos de trabalho e maior eficiência operacional, permitindo que diferentes regiões do Estado ofereçam serviços com o mesmo padrão de qualidade. Os Pontos de Inclusão Digital (PIDs) e os Pontos de Justiça e Cidadania (PJCs) também representam públicos-alvo estratégicos da iniciativa. Essas unidades ampliam a presença institucional do Poder Judiciário, especialmente em localidades com maiores barreiras territoriais ou digitais, funcionando como pontos de conexão entre cidadãos, Justiça e instituições públicas. Por meio da prática, esses espaços recebem suporte técnico, orientação operacional, padronização de procedimentos e integração com a rede de parceiros, garantindo que o atendimento seja realizado de forma acessível, eficiente e humanizada. 

Também são diretamente beneficiadas as unidades judiciárias, incluindo secretarias, varas e gabinetes, uma vez que a melhoria da qualidade do atendimento inicial, a orientação adequada aos usuários e a organização dos fluxos contribuem para a redução de demandas encaminhadas de forma inadequada, a diminuição do retrabalho e o aumento da eficiência da prestação jurisdicional. Além disso, a atuação especializada das Centrais de Atendimento Judicial (CAJs permitem que essas unidades concentrem seus esforços nas atividades de natureza processual, direcionando suas equipes para as demandas residuais da jurisdição, enquanto os serviços de orientação, atendimento inicial e esclarecimento aos usuários ficam sob a responsabilidade das equipes especializadas de atendimento. Esse modelo promove maior racionalização do trabalho, otimização dos recursos humanos e melhoria da qualidade dos serviços entregues pelo Poder Judiciário.  

Integram ainda o público-alvo áreas estratégicas do TJCE, como a Secretaria de Tecnologia da Informação, responsável pelo suporte aos sistemas, fornecimento de equipamentos digitais e soluções tecnológicas utilizadas na operação da rede; as unidades de planejamento, governança e gestão estratégica, responsáveis pelo acompanhamento de indicadores e resultados; e os setores de capacitação e gestão de pessoas, que contribuem para o desenvolvimento permanente das equipes envolvidas. Além das unidades internas, são interessados diretos os órgãos parceiros que participam da construção e execução do modelo colaborativo, entre eles o Governo do Estado do Ceará, o SINE/IDT, a Justiça Federal, o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-7) e o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE). Essas instituições utilizam a infraestrutura das Centrais de Atendimento Judicial, dos Pontos de Inclusão Digital e dos Pontos de Justiça e Cidadania para ampliar a oferta de serviços públicos, fortalecendo a integração institucional e promovendo uma atuação mais eficiente e próxima da população. 

Assim, o público-alvo da prática representa uma rede integrada de atores institucionais que tiveram sua capacidade de gestão, articulação e prestação de serviços ampliada por meio de um modelo inovador de governança pública. A iniciativa evidencia que sua transformação não está limitada à expansão territorial das unidades de atendimento, mas, principalmente, à construção de um modelo estratégico de gestão, envolvendo pessoas, processos, fluxos de trabalho e informações. Dessa forma, a prática não se restringe apenas à ampliação da estrutura física, mas promove a expansão planejada e organizada dos serviços, com uma arquitetura de funcionamento capaz de garantir padronização, eficiência, sustentabilidade e qualidade no atendimento prestado ao cidadão. 

Parceria e participação social
Sim
Beneficiários finais

A  prática tem como público-alvo direto os órgãos, setores e departamentos da Administração Pública envolvidos na gestão, execução, suporte, expansão e aprimoramento da política de atendimento do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE). Mais do que uma estrutura operacional, a iniciativa constitui um modelo institucional de governança colaborativa, que integra diferentes unidades administrativas e judiciárias, promovendo padronização de processos, gestão estratégica de informações, atuação em rede e fortalecimento da capacidade institucional de atendimento ao cidadão.  

A Diretoria Estadual de Atendimento (DEA) é o principal público-alvo estratégico da prática, por exercer a função de unidade gestora responsável pelo planejamento, coordenação, monitoramento e evolução contínua do modelo. A DEA atua na construção da arquitetura de funcionamento da rede de atendimento, estabelecendo diretrizes, desenvolvendo protocolos, estruturando fluxos operacionais, acompanhando indicadores de desempenho, promovendo capacitações e articulando diferentes unidades e instituições parceiras. Dessa forma, a Diretoria deixa de atuar apenas como uma unidade administrativa e passa a exercer um papel de governança, assegurando a sustentabilidade, a qualidade e a expansão organizada da política de atendimento em todo o Estado. 

 As Centrais de Atendimento Judicial (CAJs) constituem outro público-alvo essencial, pois são responsáveis pela execução direta dos serviços e pela aplicação dos procedimentos padronizados definidos pela DEA. A prática fortalece essas unidades ao proporcionar maior uniformidade dos atendimentos, redução de inconsistências, melhoria dos fluxos de trabalho e maior eficiência operacional, permitindo que diferentes regiões do Estado ofereçam serviços com o mesmo padrão de qualidade. Os Pontos de Inclusão Digital (PIDs) e os Pontos de Justiça e Cidadania (PJCs) também representam públicos-alvo estratégicos da iniciativa. Essas unidades ampliam a presença institucional do Poder Judiciário, especialmente em localidades com maiores barreiras territoriais ou digitais, funcionando como pontos de conexão entre cidadãos, Justiça e instituições públicas. Por meio da prática, esses espaços recebem suporte técnico, orientação operacional, padronização de procedimentos e integração com a rede de parceiros, garantindo que o atendimento seja realizado de forma acessível, eficiente e humanizada. 

Também são diretamente beneficiadas as unidades judiciárias, incluindo secretarias, varas e gabinetes, uma vez que a melhoria da qualidade do atendimento inicial, a orientação adequada aos usuários e a organização dos fluxos contribuem para a redução de demandas encaminhadas de forma inadequada, a diminuição do retrabalho e o aumento da eficiência da prestação jurisdicional. Além disso, a atuação especializada das Centrais de Atendimento Judicial (CAJs permitem que essas unidades concentrem seus esforços nas atividades de natureza processual, direcionando suas equipes para as demandas residuais da jurisdição, enquanto os serviços de orientação, atendimento inicial e esclarecimento aos usuários ficam sob a responsabilidade das equipes especializadas de atendimento. Esse modelo promove maior racionalização do trabalho, otimização dos recursos humanos e melhoria da qualidade dos serviços entregues pelo Poder Judiciário.  

Integram ainda o público-alvo áreas estratégicas do TJCE, como a Secretaria de Tecnologia da Informação, responsável pelo suporte aos sistemas, fornecimento de equipamentos digitais e soluções tecnológicas utilizadas na operação da rede; as unidades de planejamento, governança e gestão estratégica, responsáveis pelo acompanhamento de indicadores e resultados; e os setores de capacitação e gestão de pessoas, que contribuem para o desenvolvimento permanente das equipes envolvidas. Além das unidades internas, são interessados diretos os órgãos parceiros que participam da construção e execução do modelo colaborativo, entre eles o Governo do Estado do Ceará, o SINE/IDT, a Justiça Federal, o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-7) e o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE). Essas instituições utilizam a infraestrutura das Centrais de Atendimento Judicial, dos Pontos de Inclusão Digital e dos Pontos de Justiça e Cidadania para ampliar a oferta de serviços públicos, fortalecendo a integração institucional e promovendo uma atuação mais eficiente e próxima da população. 

Assim, o público-alvo da prática representa uma rede integrada de atores institucionais que tiveram sua capacidade de gestão, articulação e prestação de serviços ampliada por meio de um modelo inovador de governança pública. A iniciativa evidencia que sua transformação não está limitada à expansão territorial das unidades de atendimento, mas, principalmente, à construção de um modelo estratégico de gestão, envolvendo pessoas, processos, fluxos de trabalho e informações. Dessa forma, a prática não se restringe apenas à ampliação da estrutura física, mas promove a expansão planejada e organizada dos serviços, com uma arquitetura de funcionamento capaz de garantir padronização, eficiência, sustentabilidade e qualidade no atendimento prestado ao cidadão. 

Escopo jurisdicional
Estadual
Nível de alcance
Estadual Nacional
Local de implantação

A prática está em operação no Estado do Ceará, sob coordenação do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), por meio da Diretoria Estadual de Atendimento (DEA), com base administrativa no município de Fortaleza e implantação descentralizada em todas as regiões do Estado. Sua execução ocorre por meio de 54 Centrais de Atendimento Judicial (CAJs), instaladas nas seguintes comarcas: 

Região do Cariri: Araripe, Assaré, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Jardim, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Mauriti e Missão Velha.  

Região Centro-Sul e Sertão Central: Cedro, Iguatu, Mombaça, Senador Pompeu, Várzea Alegre, Baturité, Canindé, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Quixadá e Russas.  

Região Metropolitana de Fortaleza e Litoral: Caucaia, Maranguape, São Gonçalo do Amarante, Trairi, Uruburetama, Acaraú, Camocim, Itapajé, Itapipoca, Massapê, Santa Quitéria, São Benedito, Sobral, Viçosa do Ceará, Aquiraz, Eusébio, Horizonte, Itaitinga, Pacajus, Pacatuba e Fortaleza.  

Região dos Inhamuns e Sertão de Crateús: Crateús, Tauá, Ipueiras, Pedra Branca, Boa Viagem, Monsenhor Tabosa, Novo Oriente e Tamboril. 

A prática também está implantada em 14 Pontos de Inclusão Digital (PIDs), localizados nos municípios de Ararendá, Arneiroz, Deputado Irapuan Pinheiro, General Sampaio, Icapuí, Itatira, Jaguaribara, Orós, Palmácia, Parambu, Porteiras, Quiterianópolis, Saboeiro e Tejuçuoca. Além disso, conta com 5 Pontos de Justiça e Cidadania (PJCs), localizados no Fórum Clóvis Beviláqua (Fortaleza), Vapt Vupt Messejana (Fortaleza), Vapt Vupt Antônio Bezerra (Fortaleza), Vapt Vupt Sobral e Vapt Vupt Juazeiro do Norte.  

Resultados e Impacto

A prática foi estruturada com objetivos específicos voltados ao fortalecimento da gestão do atendimento judicial, à padronização dos serviços, ao aprimoramento da governança, à ampliação do acesso à Justiça e à melhoria da experiência do cidadão. Desde sua implantação, as ações foram conduzidas a partir de um planejamento estratégico, com definição de processos, organização das informações, acompanhamento por indicadores e ciclos permanentes de melhoria, assegurando que os resultados alcançados estivessem diretamente relacionados aos objetivos inicialmente estabelecidos. 

Objetivo 1 – Consolidar um modelo integrado de atendimento judicial, com padronização de processos e foco na qualidade da prestação dos serviços. Para alcançar esse objetivo, a Diretoria Estadual de Atendimento (DEA) estruturou uma metodologia única de atendimento, baseada em planejamento, organização de processos, análise das demandas dos cidadãos e definição de padrões operacionais para toda a rede. A construção desse modelo considerou os diferentes perfis dos usuários, as características das demandas apresentadas e os desafios identificados na operação, com o propósito de garantir uma prestação de serviços uniforme, segura e eficiente em todas as unidades. Como resultado, foram desenvolvidos e implantados 21 protocolos especializados de atendimento, que passaram a orientar fluxos, procedimentos técnicos e condutas operacionais, proporcionando maior previsibilidade, segurança e qualidade na execução das atividades. Também foi implementada uma metodologia de organização dos atendimentos por níveis de complexidade (Nível 0, Nível 1 e Nível 2), permitindo direcionamento adequado das demandas, maior resolutividade e melhor gestão dos recursos disponíveis.  

Além da padronização dos procedimentos, a iniciativa possibilitou transformar as informações geradas no atendimento em conhecimento estratégico para o aprimoramento da rede. A análise sistemática das demandas permitiu identificar os serviços mais procurados, compreender o perfil dos públicos atendidos, suas necessidades específicas e os principais desafios enfrentados pelos cidadãos, subsidiando decisões de planejamento e aperfeiçoamento contínuo. Dessa forma, o atendimento judicial passou a ser estruturado como uma rede integrada de gestão, em que protocolos, fluxos, equipes, informações e setores atuam de forma coordenada para garantir o acesso à Justiça de maneira mais organizada, acessível, humanizada e resolutiva. O resultado foi a consolidação de um modelo institucional que alia padronização, inteligência de dados e melhoria contínua, fortalecendo a capacidade do TJCE de entregar serviços de maior qualidade à sociedade. 

Objetivo 2 – Fortalecer a governança e a tomada de decisão estratégica por meio da gestão de informações e indicadores. Para alcançar esse objetivo, foi implantado um modelo de gestão orientado por dados, com monitoramento contínuo dos resultados e análise das informações geradas pela rede de atendimento. Esse acompanhamento permitiu identificar padrões de demanda, necessidades regionais e oportunidades de aprimoramento, subsidiando o planejamento institucional e a definição de estratégias de expansão e melhoria dos serviços. Como resultado, o TJCE consolidou uma estrutura de governança baseada em indicadores de produtividade, qualidade e capacidade operacional, ampliando o controle da gestão, qualificando a tomada de decisão e promovendo maior eficiência na administração do atendimento judicial.  

Objetivo 3 – Ampliar o acesso à Justiça por meio da expansão planejada da rede de atendimento.  A expansão das unidades foi conduzida com base em critérios estratégicos de capilaridade, necessidade regional e aproximação dos serviços judiciais da população. O planejamento não considerou apenas a instalação de novas estruturas, mas a integração dessas unidades a um modelo único de atendimento, com padrões definidos e acompanhamento institucional. Como resultado, foram consolidadas 54 Centrais de Atendimento Judicial (CAJs), implantados 14 Pontos de Inclusão Digital (PIDs) e estruturados 5 Pontos de Justiça e Cidadania (PJCs), ampliando a presença do Poder Judiciário em diferentes localidades do Estado. O principal resultado alcançado foi garantir que essa expansão ocorresse com manutenção dos padrões de qualidade, acessibilidade, humanização e eficiência. 

Objetivo 4 –  A iniciativa buscou preparar a rede para atender ao crescimento das demandas sem comprometer a eficiência operacional. Para isso, foram estabelecidos mecanismos de organização, acompanhamento de desempenho e aperfeiçoamento dos processos, permitindo que a ampliação do volume de atendimentos fosse acompanhada por gestão estruturada. Como resultado, entre 2018 e o primeiro semestre de 2026, foram realizados 3.738.177 atendimentos, demonstrando crescimento sustentável da capacidade institucional.  

Objetivo 5 –  A prática teve como objetivo garantir que o cidadão fosse atendido de forma acessível, humanizada, resolutiva e eficiente. Para isso, foram implementadas ações voltadas à qualificação dos atendimentos, padronização das orientações e acompanhamento da percepção dos usuários. Como resultado, a Central de Atendimento Judicial manteve índices de satisfação superiores a 96% durante todo o período analisado, alcançando 98,95% no primeiro semestre de 2026. Esses indicadores demonstram a efetividade do modelo implantado e a confiança dos usuários nos serviços disponibilizados. 

Objetivo 6 –  A iniciativa buscou solucionar as demandas dos cidadãos de forma mais rápida e eficiente, reduzindo deslocamentos desnecessários, retrabalho e tempo de resposta. A integração entre atendimento presencial, digital e assistido possibilitou maior capacidade de orientação e encaminhamento das solicitações. Como resultado, houve ampliação da capacidade de solução das demandas no primeiro atendimento, proporcionando maior agilidade, segurança e eficiência na prestação dos serviços judiciais e com maior taxa de resolutividade no primeiro nível de atendimento.  

Objetivo 7 – Consolidar um modelo sustentável e replicável de gestão pública. O objetivo final foi estabelecer uma metodologia permanente de gestão do atendimento judicial, baseada em planejamento, padronização, inteligência de dados, monitoramento e melhoria contínua. Como resultado, o TJCE consolidou um modelo institucional capaz de integrar diferentes unidades, manter padrões uniformes de qualidade e aperfeiçoar continuamente os serviços prestados. A experiência demonstra que a transformação promovida não ocorreu apenas pela ampliação da estrutura física, mas pela consolidação de um novo modelo de organização do atendimento judicial, capaz de gerar resultados permanentes, ampliar o acesso à Justiça e produzir valor público para a sociedade. O reconhecimento do modelo também se evidencia pelo interesse de outras instituições públicas, como Justiça Federal, Tribunal Regional do Trabalho, DETRAN e SEFAZ, que buscaram conhecer a prática desenvolvida pelo TJCE com o objetivo de avaliar sua adaptação e possível replicação em suas próprias estruturas de atendimento. 

Critério
Classificação
Justificativa
Escalabilidade
Muito alto

A prática apresenta elevado potencial de sustentabilidade e escalabilidade, demonstrado pela capacidade institucional de ampliar seu alcance, atender um número crescente de usuários e incorporar novas demandas sem comprometer a qualidade dos serviços prestados. Sua trajetória evidencia que o crescimento ocorreu de forma planejada, acompanhado pelo aperfeiçoamento contínuo dos processos, fortalecimento da estrutura operacional e evolução da capacidade de atendimento. Ao longo dos anos, a iniciativa passou por um processo progressivo de expansão, acompanhando o aumento da demanda pelos serviços e a necessidade de ampliar o acesso dos cidadãos à Justiça. Esse crescimento não ocorreu apenas em quantidade de atendimentos, mas também em maturidade institucional, permitindo aprimorar fluxos, qualificar a atuação das equipes e fortalecer os mecanismos necessários para garantir a manutenção dos padrões de qualidade, eficiência e humanização.

Um dos principais indicadores dessa capacidade de expansão está relacionado ao fortalecimento da estrutura operacional. A ampliação da demanda demonstrou a necessidade de uma reestruturação planejada da força de trabalho, com o objetivo de garantir que o crescimento da prática ocorra de maneira sustentável. Nesse contexto, a equipe responsável pela execução dos serviços, atualmente composta por aproximadamente 353 colaboradores, encontra-se em processo de ampliação para cerca de 840 profissionais, permitindo aumentar a capacidade operacional, fortalecer as atividades de planejamento, melhorar a distribuição das demandas e assegurar a continuidade da qualidade do atendimento. Essa expansão demonstra que a instituição não atua apenas de forma reativa ao crescimento da demanda, mas realiza planejamento estratégico para garantir que o aumento do volume de serviços seja acompanhado pela capacidade adequada de execução. Dessa forma, a ampliação da estrutura representa uma estratégia de sustentabilidade, permitindo atender um público maior, alcançar novas necessidades e preservar os princípios que orientam a prática.

A escalabilidade também se evidencia pela possibilidade de expansão para outras áreas e unidades do próprio Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. O modelo desenvolvido possui características adaptáveis, permitindo sua aplicação em diferentes contextos institucionais, conforme as necessidades específicas de cada unidade, sem perder sua essência de acesso, eficiência, organização e atendimento humanizado. Além da expansão interna, a prática demonstra potencial de replicação para outros órgãos da administração pública. A experiência desenvolvida despertou interesse de instituições externas, que buscaram conhecer o modelo implementado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará como referência para aprimorar suas próprias estruturas de atendimento. Órgãos como Tribunal Regional Eleitoral, Justiça Federal, Tribunal Regional do Trabalho e outras instituições públicas demonstraram interesse em conhecer a metodologia e os aprendizados construídos, evidenciando que a iniciativa possui características aplicáveis a diferentes realidades administrativas.

A possibilidade de compartilhamento dessa experiência amplia o impacto da prática, transformando uma solução desenvolvida para uma necessidade institucional específica em um modelo com potencial de contribuição para a administração pública como um todo. Sua replicabilidade está associada à capacidade de adaptação, ao conhecimento acumulado e aos resultados obtidos ao longo de sua trajetória. Portanto, a escalabilidade da prática não está limitada ao aumento quantitativo dos atendimentos, mas representa a capacidade de crescer de forma estruturada, ampliar o acesso aos serviços públicos, incorporar novos públicos e fortalecer continuamente a qualidade da prestação oferecida. A experiência demonstra que é possível expandir uma política de atendimento sem perder eficiência e humanização, consolidando um modelo sustentável, adaptável e preparado para responder aos desafios atuais e futuros do Poder Judiciário e da sociedade.

Replicabilidade
Muito alto

A prática apresenta potencial de replicabilidade muito alto porque foi concebida para solucionar desafios que não são exclusivos do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, mas comuns à administração pública brasileira. Barreiras de acesso aos serviços, fragmentação dos canais de atendimento, dificuldades de integração entre instituições, limitações territoriais e necessidade de atendimento mais eficiente são desafios enfrentados por diferentes órgãos e esferas de governo. Por responder a problemas estruturais e recorrentes, a experiência possui elevado potencial de adaptação e utilização em diferentes contextos institucionais. Seu principal diferencial está na transformação de uma experiência operacional em um modelo de conhecimento aplicável a outras organizações. Ao longo de sua implementação, foram consolidadas soluções, aprendizados, procedimentos e práticas capazes de reduzir o tempo necessário para que outras instituições desenvolvam iniciativas semelhantes. Em vez de construir um novo modelo a partir de tentativas sucessivas, outros órgãos podem utilizar uma experiência já validada, diminuindo riscos, acelerando a implementação e aumentando a probabilidade de obtenção de resultados.

A replicabilidade também representa uma oportunidade de otimização do investimento público. A possibilidade de compartilhar soluções já desenvolvidas evita a duplicação de esforços administrativos, reduz custos associados à criação de novos modelos de atendimento e fortalece a cultura de cooperação entre instituições públicas. Dessa forma, a inovação produzida deixa de beneficiar apenas a organização que a desenvolveu e passa a gerar valor para toda a administração pública brasileira. Outro aspecto que fortalece esse potencial é a capacidade da iniciativa de preservar seus objetivos mesmo quando aplicada em realidades distintas. Sua implementação não exige a reprodução exata da estrutura existente no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, mas a adaptação de seus princípios às características locais, permitindo que cada instituição incorpore a experiência de acordo com suas competências, recursos disponíveis e necessidades da população atendida.

A prática também favorece a formação de redes de aprendizagem entre instituições. O compartilhamento de experiências, resultados, desafios e soluções amplia a capacidade de inovação do setor público, fortalece o desenvolvimento de novas competências organizacionais e incentiva a construção colaborativa de políticas públicas mais eficientes e centradas no cidadão. Essa lógica amplia o impacto da iniciativa para além dos seus resultados diretos, estimulando um processo permanente de evolução institucional. Outro elemento relevante é que a experiência contribui para reduzir desigualdades na oferta de serviços públicos. Ao disponibilizar uma solução passível de adaptação por diferentes órgãos e jurisdições, cria-se a possibilidade de que regiões com diferentes capacidades administrativas tenham acesso a um modelo já testado e aperfeiçoado, favorecendo maior equilíbrio na qualidade do atendimento prestado ao cidadão.

A trajetória da iniciativa demonstra que a inovação pública alcança seu maior valor quando deixa de ser uma experiência isolada e passa a inspirar novas soluções em diferentes organizações. Nesse sentido, a prática reúne características que favorecem sua disseminação como referência para instituições que buscam ampliar o acesso aos serviços públicos, fortalecer a experiência do cidadão e desenvolver modelos de atendimento mais integrados, eficientes e inclusivos. Por esses motivos, a iniciativa justifica a classificação “Muito Alto” em replicabilidade. Seu maior legado não está apenas nos resultados obtidos pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, mas na capacidade de transformar uma experiência institucional em conhecimento público, permitindo que outras organizações acelerem seus processos de inovação, reduzam riscos de implementação e ampliem a geração de valor para a sociedade.

Sustentabilidade
Muito alto

A sustentabilidade da prática apresenta potencial muito alto porque sua continuidade não depende exclusivamente da existência de recursos extraordinários, de projetos temporários ou de esforços pontuais de gestão. Ao longo de sua implementação, a iniciativa deixou de representar uma ação isolada e passou a integrar a forma como o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará estrutura sua relação com o cidadão, consolidando-se como uma capacidade institucional permanente voltada à ampliação do acesso à justiça e à qualificação dos serviços prestados. O principal fator que assegura sua permanência é a transformação promovida no próprio modo de atuação institucional. A prática contribuiu para que o atendimento judicial fosse compreendido não apenas como uma atividade operacional, mas como uma política estratégica de aproximação entre o Poder Judiciário e a sociedade. Essa mudança de perspectiva fortaleceu sua relevância institucional e criou condições para que suas soluções permanecessem incorporadas ao funcionamento cotidiano da organização.

A sustentabilidade também decorre da capacidade da iniciativa de gerar valor contínuo para diferentes públicos envolvidos. Para o cidadão, representa maior proximidade, orientação adequada e melhoria da experiência de acesso aos serviços judiciais. Para a instituição, proporciona maior organização das demandas, melhor aproveitamento da estrutura existente, integração entre áreas e maior capacidade de responder às necessidades sociais. Quando uma prática produz benefícios permanentes e atende a necessidades institucionais relevantes, sua continuidade deixa de depender de incentivos externos e passa a ser reconhecida como elemento essencial para o cumprimento da missão organizacional. Outro aspecto determinante é a apropriação da prática pelas equipes responsáveis por sua execução. A iniciativa estimulou a construção de conhecimentos, experiências e novas formas de atuação que foram incorporadas ao cotidiano de trabalho, fortalecendo o protagonismo dos profissionais envolvidos e reduzindo a dependência de pessoas específicas para sua manutenção. Esse processo favorece a continuidade institucional, pois transforma uma experiência inicialmente desenvolvida em um conhecimento coletivo pertencente à organização. A trajetória da prática demonstra, ainda, sua capacidade de permanecer ativa mesmo diante de mudanças administrativas, reorganizações internas e evolução das demandas sociais. Sua consolidação ocorreu porque seus benefícios passaram a ser percebidos como parte do aprimoramento permanente do serviço público, e não como uma iniciativa vinculada a uma determinada gestão. Esse aspecto representa um dos principais indicadores de sustentabilidade que capacidade de permanecer relevante independentemente de alterações conjunturais.

A geração de eficiência também constitui elemento central para sua manutenção. Ao aprimorar a forma de organizar e disponibilizar serviços ao cidadão, a iniciativa contribui para melhor utilização dos recursos públicos existentes, reduzindo desperdícios, evitando retrabalho e fortalecendo a capacidade institucional de atender demandas crescentes com maior racionalidade. Dessa forma, a sustentabilidade está associada à própria capacidade da prática de produzir resultados positivos de forma contínua. Além disso, a iniciativa estabeleceu uma base permanente para o aperfeiçoamento dos serviços públicos, permitindo que novas necessidades sejam incorporadas e que soluções sejam aprimoradas ao longo do tempo. Sua estrutura possibilita evolução constante, acompanhando mudanças tecnológicas, sociais e institucionais sem exigir a criação de um novo modelo a cada desafio identificado. Essa capacidade de adaptação fortalece sua permanência e amplia seu valor estratégico para a instituição. O reconhecimento interno e externo alcançado pela experiência também contribui para sua sustentabilidade. A consolidação da prática como referência de inovação na gestão do atendimento judicial, aliada ao reconhecimento por instituições e espaços de compartilhamento de boas práticas, amplia sua legitimidade e reforça sua importância como iniciativa alinhada aos objetivos contemporâneos da administração pública.

Assim, a sustentabilidade da prática não está baseada apenas na manutenção de estruturas ou investimentos específicos, mas principalmente na incorporação de uma nova cultura institucional voltada ao atendimento humanizado, à aproximação com o cidadão e à melhoria permanente dos serviços públicos. A iniciativa alcançou um estágio em que sua continuidade decorre do próprio valor que entrega à instituição e à sociedade. Por essas razões, a classificação “Muito Alto” é plenamente justificada. A prática deixou de ser um projeto de transformação e passou a representar uma forma consolidada de atuação institucional, capaz de permanecer, evoluir e gerar resultados duradouros sem depender de atenção ou recursos excepcionais para existir. Seu maior legado é demonstrar que uma inovação pública se torna sustentável quando deixa de ser uma ação temporária e passa a fazer parte da identidade e da missão da organização.

Impacto realizado ou potencial:

A implementação da prática produziu impactos que ultrapassam a ampliação quantitativa do atendimento e alcançam a forma como o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará organiza informações, planeja sua presença territorial, articula instituições e se relaciona com a sociedade. Ao consolidar o atendimento judicial como uma política institucional orientada por dados, a iniciativa fortaleceu a capacidade do TJCE de compreender necessidades, identificar padrões de demanda, direcionar recursos e desenvolver respostas adequadas às diferentes realidades sociais e territoriais do Estado. Dessa forma, o impacto realizado está associado tanto à ampliação do acesso aos serviços judiciais quanto à transformação da gestão pública, que passou a utilizar as informações produzidas no atendimento como instrumento permanente de planejamento, monitoramento e melhoria contínua.

Considerando os dois últimos anos completos 2024 e 2025, as Centrais de Atendimento Judicial realizaram 1.581.486 atendimentos. Em 2025, foram registrados 921.802 atendimentos, representando crescimento de 39,73% em relação aos 659.684 atendimentos realizados em 2024. No primeiro semestre de 2026, a rede contabilizou outros 595.497 atendimentos, volume equivalente a 64,60% de todo o resultado alcançado em 2025. Assim, entre 2024 e o primeiro semestre de 2026, foram realizados 2.176.983 atendimentos. Esses dados demonstram que a prática ampliou sua capacidade de resposta em escala estadual, mantendo índices de satisfação superiores a 98% e alcançando 98,95% no primeiro semestre de 2026.

A expansão territorial constituiu um dos impactos mais relevantes do período. No último biênio, foram entregues 41 Centrais de Atendimento Judicial, contribuindo para a consolidação de uma rede formada por 54 CAJs distribuídas nas diferentes regiões do Estado. Essa estrutura é complementada por 14 Pontos de Inclusão Digital e 5 Pontos de Justiça e Cidadania, instalados em municípios e locais estratégicos para ampliar a presença institucional do Poder Judiciário. Mais do que aumentar o número de unidades, essa expansão integrou diferentes localidades a um mesmo modelo de atendimento, com fluxos definidos, acompanhamento institucional e padrões comuns de qualidade, acessibilidade, humanização e eficiência.

Para a sociedade, o principal impacto foi a ampliação das possibilidades de acesso a informações, orientações e serviços judiciais por meio de uma rede presencial, digital e assistida. Cidadãos residentes em municípios distantes, pessoas com baixa inclusão digital e públicos em situação de vulnerabilidade passaram a contar com estruturas mais próximas e canais capazes de orientar suas demandas de forma qualificada. A prática também desenvolveu fluxos e protocolos específicos para mulheres em situação de violência doméstica, pessoas idosas, pessoas com deficiência, população em situação de rua, população rural, povos e comunidades indígenas e outros grupos que enfrentam barreiras sociais, territoriais, tecnológicas ou informacionais.

O impacto também se estendeu à integração com outras políticas públicas. A articulação com o Governo do Estado do Ceará, SINE/IDT, Justiça Federal, Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral e demais instituições parceiras permitiu transformar as unidades em pontos de conexão com serviços relacionados à cidadania, proteção social, empregabilidade, documentação e garantia de direitos. Essa atuação não transfere ao TJCE competências pertencentes a outros órgãos, mas amplia a capacidade de orientar o cidadão e realizar encaminhamentos adequados, reduzindo a fragmentação institucional e fortalecendo respostas integradas para demandas que ultrapassam o campo exclusivamente judicial.

No âmbito da administração, a prática consolidou produtos e capacidades institucionais permanentes. Foram desenvolvidos 21 protocolos especializados, fluxos organizados por níveis de atendimento, manuais operacionais, roteiros de orientação, materiais de capacitação e instrumentos de gestão do conhecimento. Paralelamente, a utilização de Business Intelligence, Power Apps, Power Automate, Microsoft Forms, bancos institucionais de conhecimento e do Balcão Integrado de Atendimento fortaleceu a rastreabilidade dos registros, o acompanhamento de indicadores, a identificação de gargalos e a tomada de decisão baseada em evidências. Esses recursos permitiram transformar dados operacionais em informações estratégicas, apoiando o redimensionamento das equipes, a revisão dos processos e o planejamento das ações gerenciais.

Outro impacto relevante foi a reorganização da relação entre as Centrais de Atendimento Judicial e as unidades judiciárias. A padronização das orientações e o direcionamento adequado das demandas criaram condições para reduzir encaminhamentos inadequados e retrabalho, permitindo que secretarias, varas e gabinetes concentrem maior atenção nas atividades de natureza processual e decisória. Embora não existam indicadores específicos de economia de tempo ou redução de custos, a reorganização dos fluxos demonstra impacto institucional sobre a racionalização do trabalho e a utilização mais eficiente dos recursos disponíveis.

A prática também alcançou reconhecimento institucional e técnico. A trajetória dos serviços de atendimento foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, enquanto trabalho relacionado à iniciativa foi aprovado na primeira etapa do EnAJUS 2026. O modelo também foi apresentado a representantes da Justiça Federal, do Tribunal Regional do Trabalho, do Tribunal Regional Eleitoral, do DETRAN e da SEFAZ. Esse interesse externo evidencia sua capacidade de gerar conhecimento aplicável a outras organizações, embora a adoção integral do modelo por outros órgãos ainda deva ser compreendida como impacto potencial.

Dessa forma, os impactos acumulados nos últimos dois anos demonstram que a prática não se limitou à expansão de unidades ou ao crescimento da volumetria. A iniciativa fortaleceu a governança, ampliou a capilaridade territorial, qualificou processos, incorporou tecnologias, estruturou redes de cooperação e consolidou uma política de atendimento orientada pela centralidade no cidadão. Seu impacto realizado está evidenciado na ampliação da capacidade de atendimento, na manutenção de elevados índices de satisfação, na expansão da rede e na institucionalização de mecanismos permanentes de gestão e melhoria. Seu impacto potencial está na capacidade de apoiar outras instituições públicas na construção de modelos de atendimento mais integrados, acessíveis, humanizados e orientados por dados.

Informações complementares

Governança, tecnologias e ferramentas:

A governança da prática está estruturada em um modelo de gestão estratégica que integra pessoas, processos, tecnologia, gestão do conhecimento e inteligência de dados para assegurar a continuidade, a padronização e o aperfeiçoamento permanente dos serviços prestados ao público externo do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. Coordenada pela Diretoria Estadual de Atendimento (DEA), a iniciativa adota um ciclo contínuo de planejamento, execução, monitoramento, avaliação e implementação de melhorias, permitindo que as decisões institucionais sejam fundamentadas em evidências e orientadas pelos princípios do acesso à Justiça, da eficiência administrativa, da acessibilidade e da humanização do atendimento. 

A estrutura de governança é composta pela direção da DEA, Gerência de Atendimento Externo, Coordenação Estratégica de Atendimento, supervisões regionais, operadores de atendimento, operadores de triagem e Governança Estratégica de Dados. A atuação integrada dessas áreas permite definir responsabilidades, acompanhar a execução dos serviços, compartilhar informações e implementar melhorias nas Centrais de Atendimento Judicial, nos Pontos de Inclusão Digital e nos Pontos de Justiça e Cidadania. Esse modelo assegura que as diretrizes institucionais sejam aplicadas de forma coordenada, considerando as particularidades das diferentes regiões e mantendo padrões uniformes de atendimento, independentemente da unidade ou do canal utilizado. 

A gestão por processos constitui um dos principais métodos utilizados pela prática. Os fluxos de trabalho são mapeados, padronizados, acompanhados e revisados de forma sistemática, reduzindo variações na execução das atividades, prevenindo riscos operacionais e garantindo maior segurança nas orientações prestadas aos cidadãos. Os procedimentos são organizados por níveis de atendimento e registrados em protocolos, manuais, guias, roteiros e materiais de consulta, permitindo que as equipes compreendam suas atribuições e realizem o encaminhamento adequado de cada demanda. 

Complementarmente, a gestão do conhecimento assegura a preservação e a disseminação das informações necessárias à operação da rede. A DEA mantém conteúdos relacionados aos serviços judiciais, normas institucionais, redes de apoio, atendimento presencial e remoto, públicos vulneráveis e procedimentos operacionais. Esses materiais são utilizados em capacitações, oficinas, reuniões técnicas e atividades de atualização, fortalecendo a aprendizagem organizacional, reduzindo os impactos da rotatividade de profissionais e garantindo continuidade e uniformidade na prestação dos serviços. 

Como instrumento de padronização, foram desenvolvidos e implantados 21 protocolos especializados de atendimento, elaborados a partir das demandas recorrentes, das dificuldades identificadas pelas equipes e das necessidades observadas na prestação dos serviços. Os protocolos estabelecem fluxos, procedimentos e orientações técnicas para situações que exigem abordagem específica, contemplando públicos como mulheres em situação de violência, pessoas idosas, pessoas com deficiência, população rural, cidadãos com baixa inclusão digital e outros grupos em situação de vulnerabilidade. 

O monitoramento integra a rotina de governança da DEA. Semanalmente, são realizadas reuniões entre direção, gerência, coordenação e supervisões para análise dos indicadores, acompanhamento das equipes, identificação de dificuldades operacionais e definição de planos de ação. Relatórios gerenciais mensais consolidam informações relacionadas à produtividade, à qualidade do atendimento, ao perfil das demandas, à distribuição regional, ao desempenho das unidades e aos fatores externos que interferem nos serviços. Esse acompanhamento permite compreender as particularidades de cada comarca, identificar tendências e direcionar ações específicas de aperfeiçoamento. 

A Governança Estratégica de Dados transforma os registros produzidos diariamente nos atendimentos em informações institucionais qualificadas. Os dados são consolidados e analisados para identificar padrões de demanda, mapear necessidades, avaliar fluxos, acompanhar tempos de atendimento, verificar a capacidade operacional das unidades e subsidiar decisões relacionadas à distribuição das equipes, à revisão de procedimentos e à expansão dos serviços. Dessa forma, a gestão deixa de atuar apenas de maneira reativa e passa a utilizar os dados para antecipar necessidades e desenvolver respostas mais adequadas. 

A aplicação dessa metodologia pode ser observada no acompanhamento das demandas relacionadas à documentação civil. A análise dos registros identificou aumento na procura por orientações sobre a Carteira de Identidade Nacional, especialmente por pessoas em situação de vulnerabilidade. A partir desse diagnóstico, foram iniciadas articulações com a Perícia Forense do Estado do Ceará para ampliar o acesso à documentação básica, demonstrando como uma informação produzida no atendimento pode ser transformada em diagnóstico, articulação institucional e melhoria do serviço público. 

Para apoiar esse modelo de governança, a DEA utiliza um conjunto integrado de tecnologias corporativas. O Microsoft Teams fortalece a comunicação e o alinhamento entre as equipes; o SharePoint centraliza documentos, protocolos e conteúdos institucionais; e o Microsoft Forms apoia a coleta estruturada de informações e avaliações. O Excel complementa as análises gerenciais, enquanto o Power BI transforma dados operacionais em indicadores relacionados à demanda, produtividade, desempenho das unidades e padrões de atendimento, facilitando o monitoramento e a tomada de decisão baseada em evidências. 

O Power Apps é utilizado no desenvolvimento de aplicações institucionais destinadas ao registro e à gestão dos atendimentos, proporcionando maior organização, segurança e rastreabilidade das informações. O Power Automate complementa essa estrutura por meio da automatização de etapas dos processos, reduzindo atividades manuais e contribuindo para maior eficiência operacional. 

O Balcão Integrado de Atendimento (BIA) constitui ferramenta estratégica para a gestão do atendimento virtual. A plataforma permite acompanhar a jornada do cidadão desde seu ingresso no canal até a conclusão da demanda, registrando horários, perfil dos usuários, classificação de prioridades, tempos de espera e atendimento, histórico das interações e distribuição das solicitações. Essas informações apoiam a identificação de gargalos, o redimensionamento das equipes, a organização dos fluxos e o monitoramento da qualidade dos serviços. 

A integração entre governança, gestão por processos, gestão do conhecimento, monitoramento e tecnologias corporativas consolidou uma estrutura capaz de transformar informações operacionais em inteligência institucional. Dessa forma, a prática demonstra que a inovação não está restrita à adoção de ferramentas tecnológicas, mas à capacidade de utilizar pessoas, processos, conhecimento e dados de maneira coordenada para ampliar o acesso à Justiça, qualificar a experiência do cidadão e promover a melhoria contínua dos serviços públicos. 

Evidências documentais e links:

Evidências documentais e links: 

A prática é respaldada por um conjunto de evidências institucionais que comprovam sua implementação, evolução, resultados e impacto no acesso à Justiça. As reportagens, publicações oficiais e registros do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) demonstram a consolidação da Central de Atendimento Judicial (CAJ) como modelo de atendimento humanizado, digital e inovador. 

Além das publicações institucionais, a prática é acompanhada por indicadores de desempenho, pesquisas de satisfação, relatórios gerenciais, painéis de monitoramento, normativos internos, registros fotográficos, materiais de capacitação, fluxos operacionais e demais documentos administrativos que subsidiam sua gestão, asseguram a transparência das ações e permitem o acompanhamento permanente dos resultados alcançados.