Ciclo de Soluções em Governo: institucionalizando capacidades de inovação e gestão do conhecimento na gestão pública do ES

Resumo executivo

O Ciclo de Soluções em Governo é uma metodologia institucional do LAB.ges/SEGER criada para transformar desafios reais da administração pública em soluções testadas, documentadas e passíveis de replicação. A iniciativa integra desenvolvimento de competências, inovação pública e gestão do conhecimento organizacional em uma única jornada estruturada.

A prática surgiu para enfrentar limitações observadas em modelos tradicionais de capacitação, nos quais o conhecimento adquirido raramente era convertido em mudanças concretas nos processos de trabalho. Em resposta, o LAB.ges estruturou um modelo baseado em desafios reais apresentados pelos órgãos públicos, conduzindo equipes multidisciplinares por etapas de diagnóstico, pesquisa com usuários, ideação, prototipação, testes e documentação dos resultados.

Junto com o desenvolvimento de competências em inovação, a iniciativa produz ativos permanentes de conhecimento institucional, como metodologias, guias, protocolos, pesquisas, artigos técnicos, livros de casos, instrumentos de avaliação, bases de evidências e registros sistematizados que permitem preservar, compartilhar e reutilizar o conhecimento produzido.

A gestão da informação, embora não seja o foco primeiro dos participantes ao iniciarem a jornada, é elemento central da prática. Todo o ciclo é acompanhado por indicadores longitudinais, avaliações em diferentes momentos, monitoramento da evolução dos protótipos e documentação estruturada dos processos, permitindo decisões orientadas por evidências e melhoria contínua.

Desde sua implantação, em 2023, o Ciclo já mobilizou, em suas 8 edições, centenas de servidores, mais de 30 órgãos públicos e 68 desafios institucionais, fortalecendo a capacidade estatal de aprender, inovar e produzir soluções públicas sustentáveis, ao mesmo tempo em que consolida um patrimônio de conhecimento organizacional vivo e reutilizável por outras equipes e instituições.

Status Atual
Em Expansão
Premiações recebidas
Sim
Financiamento externo
Sim

Vídeo explicativo

Motivação e Justificativa

A criação do Ciclo de Soluções em Governo decorreu da percepção de que a administração pública acumulava grande quantidade de conhecimento produzido em capacitações, projetos e experiências institucionais, porém com baixa capacidade de transformar esse conhecimento em aprendizado organizacional permanente. Embora diferentes órgãos realizassem iniciativas relevantes, muitas soluções permaneciam dispersas, dependentes das pessoas que as desenvolveram e pouco reaproveitadas em novos contextos.

O LAB.ges identificou que o desafio não era apenas formar servidores, mas criar um mecanismo institucional capaz de captar, organizar, produzir, compartilhar e reutilizar conhecimento aplicado à solução de problemas públicos.

Dessa forma, o Ciclo foi concebido como uma infraestrutura de gestão do conhecimento que integra desenvolvimento de competências, inteligência coletiva, documentação metodológica e produção contínua de evidências para apoiar decisões públicas.

O diagnóstico partiu da análise crítica de duas iniciativas anteriores do LAB.ges: a trilha de inovação vinculada à Escola de Governo e a Solucionática, oficina de resolução de problemas. A equipe mapeou gargalos de cada formato— formações pouco conectadas a desafios reais, baixa continuidade das soluções, limites de escala e necessidadede menor custo operacional — e testou, em 2023, um modelo experimental combinando dois fornecedores, dois métodos, dois formatos e dois registros de conhecimento. A conclusão foi que era preciso reformular o modelo: sair de ações formativas isoladas para uma jornada prática, escalável e orientada por evidências, com protótipos testados em problemas reais. E, junto a isso, estruturar um modelo de gestão do conhecimento novos ativos de conhecimento que passam a compor o patrimônio intelectual do Estado, ampliando a capacidade institucional de geração de valor público.

Objetivos ODS: 
  • 16 - Paz, justiça e instituições eficazes
Inovação e diferencial: 

O diferencial reside na transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito, sistematizado e reutilizável por toda a administração pública, articulando inteligência organizacional, documentação metodológica e melhoria contínua. O principal destaque da iniciativa não está na utilização isolada de metodologias, tecnologias ou modelos de gestão que anda não tinham sido utilizados, mas na forma como essas metodologias foram integradas em um sistema permanente de gestão do conhecimento institucional.

É inovador pois transforma capacitação em um mecanismo institucional de resolução de problemas públicos. Em vez de oferecer cursos genéricos ou oficinas isoladas, o Ciclo combina consultorias especializadas do mercado com cocriação e mediação técnica do LAB.ges, que adapta métodos privados ao contexto, às restrições e aos objetivos da gestão pública. A inovação está no arranjo: cada trilha parte de desafios reais dos órgãos, usa processos andragógicos de até 100h, incorpora escuta de usuários, prototipação, mentorias e avaliação por evidências. Com isso, o projeto resolve 3 desafios simultâneos: desenvolve competências em servidores; gera soluções testadas para políticas e serviços públicos; e estrutura conhecimento, dados e evidências, banco de boas práticas, metodologias e modelos de gestão replicáveis, dentro do contexto local.

Cada desafio gera novos ativos de conhecimento — diagnósticos, registros metodológicos, indicadores, pesquisas, aprendizados, protótipos, artigos técnicos, estudos de caso e materiais didáticos — que passam a compor o patrimônio intelectual do Estado.

Assim, o conhecimento deixa de permanecer restrito às equipes participantes e passa a alimentar novos ciclos de inovação, reduzindo retrabalho, acelerando processos de aprendizagem e fortalecendo a capacidade institucional de tomada de decisão baseada em evidências.

O Ciclo possui um sistema longitudinal e contínuo de monitoramento, realizando pesquisas com indicadores de curto, médio e longo prazo. Antes da formação (T0), mede competências em inovação; a cada módulo, aplicapesquisa de reação que avalia autoavaliação dos participantes, desempenho do instrutor e percepção sobre ocurso; ao final (T1), combina nova medição de competências com reação geral; quatro meses depois (T2), avalia retenção; e, após 12 meses (T3), verifica maturidade dos protótipos e custo-efetividade. Esses dados medem resultados e orientam ajustes de rota na seleção de desafios, desenho das trilhas, mentorias e aprimoramento metodológico.

Contexto e Alcance

Entidade responsável

LAB.ges – Laboratório de Inovação na Gestão / Gerência de Inovação na Gestão / Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (SEGER).

Público-alvo

Servidores, gestores públicos, equipes de inovação, lideranças e órgãos da administração pública estadual.
O governo tem 54 órgãos, dos quais mais de 30 são participantes de uma ou mais das 8 edições do Ciclo desde 2023.

Parceria e participação social
Sim
Beneficiários finais

Servidores, gestores públicos, equipes de inovação, lideranças e órgãos da administração pública estadual.
O governo tem 54 órgãos, dos quais mais de 30 são participantes de uma ou mais das 8 edições do Ciclo desde 2023.

Escopo jurisdicional
Estadual
Nível de alcance
Estadual Nacional
Local de implantação

As 68 equipes participantes atuam em Órgãos localizados na Região Metropolitana da Grande Vitória. Porém, vários projetos são de cobertura estadual, beneficiando os 78 municípios capixabas e sua população.

Resultados e Impacto

O público-alvo direto — servidores e equipes participantes — ampliou competências para inovar, com ganhos de+13,8% na percepção organizacional, +9,6% em equipe e +8,3% individual; em algumas instituições, o crescimento superou 30%.

Em termos de recursos financeiros: em 2024, o ticket médio por protótipo foi de cerca de R$34 mil, abaixo da Solucionática (R$52,5 mil) e do StartupES (R$140mil). Em 2025, a escala chegou a 30 desafios com três consultorias, somando aproximadamente R$791,7 mil, ou R$26,4 mil por desafio. O LAB.ges mantém governança, seleção e avaliação, enquanto a execução distribuída gera ganho de escala.

O projeto também gerou entregas concretas: os protótipos tiveram avanço médio de 65% em sua execução, e 59% seguiram em execução ou implementação ativa um ano depois.

Os efeitos tendem a se manter porque o Ciclo trabalha problemas reais dos órgãos, forma equipes para aplicar métodos no cotidiano e deixa como legado servidores mais qualificados: 62% apontaram o desenvolvimento profissional como principal resultado daformação.

Foram produzidos 2 livros e 1 website com os protótipos desenvolvidos, 2 artigos cientificos, manuais metodológicos, 1 manual de elaboração de desafios, além de dashboards das medições das pesquisas de competências e de custo-efetividade, que norteiam ajustes e novos caminhos para as edições posteriores do Ciclo.

Há boas práticas de gestão de recursos desde o planejamento das contratações. A estrutura de escopo por trilha compara custos por desafio/protótipo, define entregas verificáveis e acompanha a execução das consultorias por reuniões, registros, mentorias, produtos intermediários e avaliação dos participantes. A gestão contratual é realizada conforme sistemas e normas públicas aplicáveis, documenta processos, acompanha prazos e resultados,valida entregas e controla a relação investimento/impacto. Além do cumprimento legal, o projeto mede e utilizadados de custo-efetividade e ticket médio por protótipo para orientar decisões futuras, ampliar escala comeficiência e qualificar o uso de recursos.

Critério
Classificação
Justificativa
Escalabilidade
Muito alto

Há flexibilidade pela estrutura como arquitetura metodológica adaptável. A premissa é que desafios públicos exigem ampliação de enquadramento: cada problema precisa considerar atores, território, escala, temporalidade,valor público e capacidade institucional. Por isso, desde 2023, o modelo evoluiu de uma fase experimental com métodos e fornecedores para uma estrutura modular, capaz de agrupar mais de 30 desafios por rodada em trilhas temáticas inéditas.

Replicabilidade
Muito alto

A replicação não depende de um órgão ou sistema específico, mas de 3 condições: boa seleção dos desafios; patrocínio das lideranças; mediação técnica em gestão da inovação para ajustar consultorias emétodos e mentorias a cada contexto.

Em nosso contexto, a iniciativa já demonstrou escalabilidade sustentável. O próprio desenho do Ciclo foi reformulado para isso: antes, iniciativas como a Solucionática atuavam sobre um problema por vez; agora, cada rodada organiza múltiplos desafios em trilhas temáticas, permitindo que mais de 30 problemas sejam trabalhados simultaneamente.

Há processos e fluxos documentados que permitem compreender e replicar. Entre os registros estão: fluxo de seleção de temáticas, matriz de priorização de desafios, formulários de inscrição e diagnóstico, termos de compromisso para servidores e alta gestão, critérios de enquadramento por trilha, canvas de problema, modelos de acompanhamento das equipes, instrumentos de pesquisa de reação e competência, roteiros de mentoria, registros de entregas intermediárias, protocolo de avaliação dos protótipos e guias metodológicos. Esses documentos orientam da escolha dos desafios até a sistematização dos resultados, reduzindo dependência de conhecimento tácito e facilitando a transferência do modelo.

Em termos de recursos financeiros: em 2024, o ticket médio por protótipo foi de cerca de R$34 mil, abaixo da Solucionática (R$52,5 mil) e do StartupES (R$140mil). Em 2025, a escala chegou a 30 desafios com três consultorias, somando aproximadamente R$791,7 mil, ou R$26,4 mil por desafio. O LAB.ges mantém governança, seleção e avaliação, enquanto a execução distribuída geraganho de escala.

Sustentabilidade
Baixo

No nosso caso, há contratação de empresas que conduzem as facilitações e com quem cocriamos as metodologias de cada ciclo, uma vez que a equipe do LAB.ges é estruturada com base em bolsistas e trainees, tendo considerável rotatividade, razão pela qual a decisão de terceirizar a facilitação e centralizar as diretrizes estratégicas, definições e gestao do conhecimento. Porém, numa instituição que tenha equipe capacitada para facilitação de metodologias colaborativas de solução de problemas complexos e ao menos um profissional com habilidade em ciência de dados e gestão do conhecimento, é possivel rodar o programa sem outros recursos além de equipe dedicada.

Quanto a ferramentas, utilizamos plataforma Jotform para coleta e PowerBI para tratamento de dados, ambas de baixo custo. Mas pode-se usar também versão gratuita, googleforms ou outra plataforma sem custos.

Impacto realizado ou potencial:

O legado desses 4 anos da prática é transformar como o serviço público desenvolve pessoas e enfrenta problemas complexos. É institucionalizar e disseminar uma prática em que equipes públicas diagnosticam problemas reais, trabalham comevidências, cocriam com usuários, testam soluções e sustentam protótipos em seus órgãos.

Adota instrumentos de acessibilidade, que reduzem barreiras e ampliam a diversidade: formulários, regulamentos e manuais em linguagem simples e design acessível, espaços acessíveis, atividades remotas, acompanhamento das equipes e ajustes metodológicos conforme perfil dos participantes e natureza dos desafios. Estimula ativamente o desenvolvimento de soluções voltadas à inclusão, como comunicação de risco acessível para cidadãos em áreas vulneráveis, participação plena de pessoas com deficiência em conselhos, a escuta de adolescentes na socioeducação, inclusão de identidade de gênero, deficiência e neurodivergências no ambiente público e ampliação da participação de mulheres na Defesa Civil.

O projeto contribui para reduzir desigualdades ao desenvolver capacidades públicas e soluções voltadas a grupos historicamente vulnerabilizados. Coleta e acompanha dados dos participantes por recortes demográficos, vínculo, órgão, trajetória e relação com o serviço público, permitindo ajustar metodologias a diferentes perfis. Também apoia desafios que enfrentam desigualdades estruturais, como a política Diversa+ da Fapes, a Rede Integrada de Proteção à Pessoa Idosa e o fluxograma de acesso a serviços de abrigamento para mulheres vítimas de violência. Em sua evolução, o Ciclo incorporou recortes temáticos específicos, com trilhas voltadas a transformações ESG e transformações climáticas.

Essa transformação ocorre pela formação prática, mentoria, intersetorialidade e polinização cruzada entre equipes, áreas e políticas públicas, permitindo que aprendizados inspirem soluções em outros contextos. Tudo isso com gestão do conhecimento produzido, para compartilhamento e consolidação de uma cultura de inovação institucional, com uso de dados e evidências.

Assim, a inovação passa a compor a rotina da gestão pública, fortalecendo a capacidade estatal de gerar valor público de forma contínua, colaborativa e orientada a resultados.

Informações complementares

Governança, tecnologias e ferramentas:

A governança do Ciclo de Soluções em Governo está estruturada para assegurar que o conhecimento produzido durante o desenvolvimento das soluções seja continuamente registrado, validado, compartilhado e reutilizado, consolidando uma infraestrutura permanente de aprendizagem organizacional no Governo do Estado do Espírito Santo.

A coordenação institucional é exercida pelo LAB.ges, vinculado à Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (SEGER), responsável pelo planejamento metodológico, articulação com os órgãos participantes, acompanhamento da execução, curadoria técnica dos conteúdos e sistematização dos conhecimentos produzidos ao longo de cada edição do Ciclo. Essa governança integra ainda a Escola de Serviço Público do Espírito Santo (ESESP), consultorias especializadas em inovação pública e os órgãos desafiantes, formando uma rede colaborativa de produção e compartilhamento de conhecimento.

A metodologia combina abordagens consolidadas de inovação pública e design centrado nas pessoas, incluindo Design Thinking, Experiência do Usuário (UX), Gestão de Redes e Stakeholders, pesquisa com usuários, técnicas de cocriação, prototipação, experimentação, validação incremental de soluções e construção de Teorias da Mudança, permitindo que os desafios institucionais sejam tratados de forma colaborativa e orientada por evidências.

Como ferramentas de gestão, a iniciativa utiliza diagnóstico estruturado dos desafios, oficinas facilitadas, instrumentos padronizados de registro das atividades, monitoramento por indicadores, avaliações aplicadas em diferentes momentos da jornada formativa, acompanhamento longitudinal dos projetos e documentação sistemática dos produtos desenvolvidos. Esses mecanismos permitem acompanhar a evolução das equipes, mensurar resultados, identificar oportunidades de melhoria e retroalimentar continuamente a metodologia do Ciclo e decisões em projetos e políticas públicas.

Como ferramentas para dados e evidências, utilizamos plataforma Jotform para coleta e PowerBI para tratamento de dados, ambas de baixíssimo custo e facil utilização.

Sob a perspectiva da gestão do conhecimento, cada edição produz ativos institucionais permanentes, como metodologias, estudos de caso, artigos técnicos, publicações, livros, instrumentos de avaliação, materiais didáticos, registros das soluções desenvolvidas e evidências de implementação. Esses ativos compõem a memória institucional do programa, apoiam a disseminação das boas práticas e ampliam a capacidade de replicação da iniciativa em novos órgãos e contextos.

A governança da informação é fortalecida por processos de curadoria metodológica, organização das evidências produzidas, disseminação dos resultados em eventos e publicações, além do compartilhamento sistemático dos aprendizados entre participantes, mentores e instituições parceiras. Dessa forma, o Ciclo deixa de ser apenas um programa de capacitação e se consolida como um mecanismo institucional de produção, preservação e reutilização do conhecimento aplicado à inovação pública.

Por fim, entendemos que o Ciclo de Soluções cria uma arquitetura de gestão do conhecimento, baseada nos pilares a seguir:

Dimensão Evidência no Ciclo
Produção do conhecimento Desafios reais, pesquisa com usuários, oficinas de cocriação, prototipação
Organização do conhecimento Metodologias, instrumentos padronizados, registros, indicadores, Teoria da Mudança
Compartilhamento Mentorias, DemoDay, publicações, livros, artigos, apresentações
Preservação Documentação, memória institucional, acervo metodológico do LAB.ges
Reutilização Novas edições do Ciclo, replicação em outros órgãos, evolução contínua da metodologia

Evidências documentais e links: