Resumo executivo
O Radar Nacional dos Investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social é uma ferramenta pública de transparência e inteligência de dados que reúne, em um único ambiente digital, informações sobre os RPPS municipais, estaduais e distrital de todo o Brasil. Desenvolvido em Power BI e disponibilizado gratuitamente no portal do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o painel permite consultar as carteiras mensais de investimentos desde janeiro de 2017, além de dados sobre governança, certificações dos responsáveis pelas decisões e consultorias contratadas.
O projeto surgiu da experiência prática de seu criador como Auditor de Controle Externo no Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo. Durante a análise de investimentos previdenciários, constatou-se que, embora os dados fossem públicos, seu acesso era fragmentado, técnico e demorado. Para examinar a carteira de um único RPPS, era necessário localizar arquivos em bases oficiais, realizar downloads, tratar planilhas, padronizar informações e efetuar cruzamentos manuais. Esse processo gerava retrabalho para profissionais especializados e praticamente impedia que cidadãos, segurados, aposentados e pensionistas acompanhassem a aplicação dos recursos previdenciários.
A solução reutiliza principalmente bases públicas do Ministério da Previdência Social e da Comissão de Valores Mobiliários. Os dados são extraídos, saneados, padronizados, integrados e transformados em visualizações interativas. O usuário pode consultar fundos, instituições gestoras, segmentos de investimento, patrimônio, evolução histórica, rankings e concentrações, além de realizar comparações estaduais, regionais e nacionais.
O Radar também amplia a análise para além da dimensão financeira. A ferramenta apresenta informações sobre dirigentes, gestores de recursos, integrantes de comitês de investimentos e conselhos, vínculos funcionais, certificações e prazos de validade. Outro bloco permite examinar as consultorias de investimentos contratadas pelos RPPS. Assim, torna-se possível compreender não apenas onde os recursos estão aplicados, mas também quem participa das decisões e qual estrutura de apoio técnico existe em cada regime.
Seu propósito principal é transformar transparência formal em transparência efetiva. A mera publicação de arquivos não garante que a informação seja compreendida e utilizada. Ao organizar as bases em uma ferramenta visual, comparável e acessível, o Radar reduz a assimetria informacional entre Administração Pública e sociedade, fortalece o controle social e facilita uma atuação institucional orientada por evidências.
A prática também contribui para a eficiência administrativa. Auditores, gestores e pesquisadores deixam de dedicar grande parte do tempo à coleta e preparação dos dados e podem concentrar seus esforços na identificação de riscos, padrões destoantes, concentrações e situações que mereçam aprofundamento. A ferramenta já vem sendo utilizada em análises de carteiras, atividades de fiscalização, manifestações institucionais e capacitações.
O impacto social está relacionado à proteção de recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões. Investimentos inadequados ou perdas relevantes podem comprometer a sustentabilidade dos RPPS e exigir aportes adicionais dos entes federativos, afetando também os recursos disponíveis para outras políticas públicas. Ao ampliar a visibilidade das decisões, o Radar favorece maior responsabilidade, prevenção de riscos e acompanhamento pela sociedade.
O projeto foi desenvolvido por um único servidor, com apoio pontual da área de Tecnologia da Informação do TCE-SP, utilizando bases públicas e infraestrutura já existente, sem contratação externa ou orçamento direto adicional. Lançado em 24 de novembro de 2025, possui abrangência nacional, acesso gratuito e estrutura preparada para atualização e expansão.
Dessa forma, o Radar combina reúso qualificado de dados públicos, conhecimento especializado, inovação digital e controle social para tornar mais transparente, eficiente e responsável a gestão dos investimentos dos RPPS brasileiros.
Vídeo explicativo
Motivação e Justificativa
Os Regimes Próprios de Previdência Social administram recursos destinados ao pagamento presente e futuro de aposentadorias e pensões de servidores públicos. A gestão desses investimentos possui grande relevância institucional, pois decisões inadequadas, concentrações excessivas ou perdas podem comprometer a sustentabilidade dos regimes e exigir aportes adicionais dos entes federativos, com possíveis reflexos sobre os recursos disponíveis para outras políticas públicas.
A motivação para o Radar surgiu da experiência prática de seu criador como Auditor de Controle Externo no Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo, durante a análise de carteiras de investimentos de RPPS. Nesse trabalho, constatou-se uma diferença significativa entre a publicidade formal dos dados e sua acessibilidade real.
As informações já eram divulgadas principalmente pelo Ministério da Previdência Social e pela Comissão de Valores Mobiliários, mas permaneciam distribuídas entre arquivos, competências e estruturas distintas. Para examinar a carteira de um único RPPS, era necessário localizar as bases correspondentes, realizar sucessivos downloads, filtrar o ente, organizar planilhas, padronizar nomes e códigos e efetuar cruzamentos manuais.
Esse processo era demorado mesmo para servidores especializados e gerava retrabalho nos órgãos de controle. Também dificultava análises históricas e comparativas entre entes, estados e regiões. Para cidadãos, segurados, aposentados, pensionistas, pesquisadores e entidades representativas sem domínio de investimentos e tratamento de dados, o acompanhamento dos recursos previdenciários era praticamente inviável. Em síntese, os dados eram públicos, mas não estavam prontos para ser compreendidos e utilizados.
Outro desafio estava na qualidade das informações. Por serem produzidas de forma descentralizada e, em grande parte, autodeclarada, as bases apresentavam divergências de grafia, campos incompletos, registros duplicados, códigos não padronizados, valores incompatíveis e alterações de preenchimento ao longo do tempo. Sem tratamento adequado, essas ocorrências dificultavam a integração dos dados e poderiam comprometer rankings, médias e análises comparativas.
A ausência de uma visão consolidada também limitava a identificação rápida de situações relevantes, como concentração de recursos em determinados fundos ou instituições gestoras, ingresso de investimentos incomuns, mudanças significativas na composição das carteiras e comportamentos destoantes dos padrões estaduais, regionais ou nacionais. Consequentemente, parte considerável do esforço dos auditores era direcionada à coleta e à preparação das informações, e não à análise dos riscos propriamente dita.
Havia, ainda, uma lacuna na compreensão da governança associada aos investimentos. A avaliação de um RPPS não depende apenas de saber onde os recursos foram aplicados, mas também de conhecer quem participa das decisões, quais são os vínculos e as certificações dos gestores e membros dos órgãos colegiados e que tipo de apoio técnico é prestado pelas consultorias contratadas. Essas informações igualmente se encontravam dispersas, dificultando uma visão integrada entre carteira, estrutura decisória e assessoramento técnico.
O tema exige especial atenção porque os investimentos envolvem recursos de longo prazo destinados à proteção previdenciária. Casos recorrentes de aplicações inadequadas, baixa governança, perdas e concentrações excessivas reforçam a necessidade de mecanismos que permitam acompanhamento, comparação e atuação preventiva por gestores, órgãos de controle e sociedade.
Diante desse cenário, identificou-se uma oportunidade de inovação: reutilizar dados públicos já existentes e transformá-los em informação acessível, comparável e útil. A necessidade central não era criar mais uma base isolada, mas integrar, tratar e organizar as informações disponíveis para superar a fragmentação, reduzir o retrabalho e viabilizar transparência efetiva.
O Radar foi concebido, portanto, como resposta a uma necessidade institucional concreta: aproximar dados técnicos dos seus diferentes usuários, apoiar análises baseadas em evidências e ampliar a capacidade de acompanhamento dos recursos previdenciários. Sua razão de existir está na transformação da mera disponibilização de arquivos em informação que possa ser realmente encontrada, compreendida, comparada e utilizada para gestão, fiscalização e controle social.
- 8 - Trabalho decente e crescimento econômico
- 9 - Indústria, inovação e infraestrutura
- 16 - Paz, justiça e instituições eficazes
O Radar qualifica-se como boa prática porque transforma um problema concreto da Administração Pública em uma solução já implantada, de alcance nacional e utilidade prática. Seu diferencial não está simplesmente no uso do Power BI, mas na combinação entre conhecimento especializado sobre os RPPS, tratamento qualificado de grandes bases públicas e criação de uma ferramenta acessível a públicos com necessidades muito diferentes.
A primeira inovação é converter dados apenas formalmente públicos em informação efetivamente utilizável. As bases do Ministério da Previdência Social e da Comissão de Valores Mobiliários já existiam, mas estavam distribuídas em arquivos técnicos, competências distintas e estruturas pouco amigáveis. O Radar extrai, saneia, padroniza e integra essas informações, tratando divergências de grafia, registros duplicados, campos incompletos, códigos não uniformes, valores incompatíveis e outliers. A partir disso, produz séries históricas, indicadores, rankings e comparações automáticas. Portanto, não se limita a republicar dados: agrega inteligência e capacidade analítica às fontes originais.
Outro elemento distintivo é a abrangência nacional. A ferramenta reúne as carteiras mensais dos RPPS municipais, estaduais e distrital de todo o Brasil, com histórico desde janeiro de 2017. O usuário pode realizar recortes por ente, UF, região, período, segmento, fundo, CNPJ e instituição gestora, além de comparar determinado regime com médias estaduais, regionais e nacionais. Essa lógica de benchmarking permite identificar concentrações, padrões destoantes, investimentos inéditos e mudanças relevantes ao longo do tempo.
As funcionalidades foram definidas a partir da experiência prática do criador como Auditor de Controle Externo na análise de investimentos previdenciários. Em vez de partir apenas das possibilidades da tecnologia, o projeto partiu de perguntas e dificuldades reais observadas em fiscalizações: onde estão aplicados os recursos, quais instituições concentram investimentos, quando determinado fundo ingressou na carteira, como o regime se compara a outros e quais situações merecem análise mais aprofundada. Essa aplicação de conhecimento institucional torna o painel diretamente útil à gestão, ao controle externo e ao controle social.
O Radar também se diferencia por ampliar a análise para além da carteira de investimentos. Suas 20 abas estão organizadas em três blocos integrados: investimentos; gestores e órgãos colegiados; e consultorias contratadas. Assim, é possível verificar não apenas onde os recursos estão aplicados, mas também quem participa das decisões, quais são os vínculos funcionais e as certificações dos integrantes dos comitês e conselhos e qual estrutura de apoio técnico foi contratada pelo RPPS. A integração entre dimensão financeira, governança e assessoramento constitui um diferencial relevante em relação a painéis que apresentam apenas valores ou gráficos isolados.
A preocupação com a usabilidade também faz parte da inovação. Como os investimentos previdenciários constituem tema técnico, a ferramenta foi estruturada com linguagem visual, filtros simples, organização temática e comparações automáticas. O acesso é público, gratuito e não exige cadastro. Foram produzidos tutorial em PDF, vídeos explicativos, perguntas frequentes e formulário de dúvidas e sugestões, para que cidadãos e segurados sem formação especializada também possam utilizar as informações.
Outro diferencial é a eficiência na utilização dos recursos públicos. O projeto foi desenvolvido por um único servidor, paralelamente às atividades ordinárias, com bases públicas, Power BI e infraestrutura tecnológica já existente no TCE-SP. Não houve contratação externa, aquisição específica de equipamentos ou orçamento direto adicional. Apesar disso, a ferramenta já foi implantada em escala nacional e pode ser utilizada por órgãos públicos e usuários de todas as unidades da Federação.
A iniciativa também possui caráter preventivo. Ao tornar as decisões mais visíveis e comparáveis, facilita a identificação de riscos e pode induzir maior responsabilidade dos gestores. Para os órgãos de controle, reduz o tempo gasto na coleta e organização dos dados, permitindo uma atuação mais seletiva e baseada em evidências. Para a sociedade, reduz a assimetria de informação e amplia o acompanhamento de recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões.
Por fim, o Radar não é um protótipo ou uma proposta abstrata. Está disponível publicamente desde novembro de 2025, já recebeu milhares de acessos, foi utilizado em atividades institucionais e apresentado em capacitações. Sua inovação resulta da combinação entre abrangência nacional, integração de fontes, conhecimento especializado, análise comparativa, governança previdenciária, acessibilidade e baixo custo. É essa combinação que o diferencia de um painel genérico ou de uma iniciativa tecnológica sem aplicação concreta.
Contexto e Alcance
Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo (MPC-SP)
Por se tratar de uma ferramenta pública digital de abrangência nacional, o Radar está em operação em todo o Brasil. A plataforma reúne informações dos RPPS municipais, estaduais e distrital de todas as unidades da Federação e pode ser acessada gratuitamente, por computador ou celular, sem cadastro ou restrição territorial. Portanto, sua utilização não se limita ao local físico em que foi desenvolvida.
O projeto foi concebido e desenvolvido no município de São Paulo, Estado de São Paulo, no âmbito do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo, com apoio institucional e tecnológico do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. A ferramenta está hospedada e disponibilizada publicamente no portal do TCE-SP.
Resultados e Impacto
A prática foi estruturada a partir dos seguintes objetivos específicos, já acompanhados de resultados concretos:
1. Centralizar informações dispersas sobre os RPPS.
Foi implantado um painel público de abrangência nacional que reúne, em um único ambiente, dados mensais dos RPPS municipais, estaduais e distrital, com série histórica desde janeiro de 2017. O Radar possui 20 abas, organizadas em três blocos: carteiras de investimentos; gestores e órgãos colegiados; e consultorias contratadas.
2. Transformar dados públicos técnicos em informação acessível.
As bases do Ministério da Previdência Social e da CVM foram tratadas, padronizadas e integradas. Como resultado, informações antes disponíveis em arquivos extensos passaram a ser consultadas por meio de filtros, gráficos, rankings, séries históricas e comparações estaduais, regionais e nacionais.
3. Reduzir o tempo gasto na coleta e preparação dos dados.
O Radar substituiu sucessivos downloads e cruzamentos manuais por consultas diretas e visuais. A ferramenta já é utilizada como apoio em análises de carteiras, relatórios de fiscalização, manifestações institucionais e outras atividades de controle, permitindo que os servidores concentrem seus esforços na avaliação dos riscos, e não na organização preliminar das informações.
4. Ampliar a capacidade de identificação de situações relevantes.
Foram criadas funcionalidades para localizar concentrações de recursos, investimentos inéditos, alterações na composição das carteiras, exposição a fundos e instituições gestoras e comportamentos destoantes das médias territoriais. Também é possível verificar quando determinado investimento ingressou na carteira e acompanhar a evolução histórica do patrimônio.
5. Integrar investimentos e governança previdenciária.
Além das aplicações financeiras, o painel passou a apresentar informações sobre dirigentes, gestores de recursos, integrantes dos comitês e conselhos, vínculos funcionais, certificações e prazos de validade. Também foram consolidados dados sobre as consultorias de investimento contratadas. Com isso, foi alcançado o objetivo de oferecer uma visão mais completa do processo decisório dos RPPS.
6. Ampliar a transparência e o acesso social.
A ferramenta foi disponibilizada gratuitamente no portal do TCE-SP, sem exigência de cadastro ou login. Na medição consolidada existente, o Radar havia registrado 3.434 acessos, com média aproximada de 687 acessos mensais e 23 diários. O vídeo do lançamento superou 1.600 visualizações.
7. Capacitar usuários e facilitar o uso autônomo.
Foram produzidos tutorial em PDF, perguntas frequentes, vídeos explicativos e formulário de dúvidas e sugestões. Mais de 100 servidores do TCE-SP já participaram de capacitações em que a ferramenta foi apresentada e utilizada.
8. Implantar uma solução nacional com baixo custo.
O Radar foi desenvolvido por um único servidor, utilizando bases públicas, Power BI e infraestrutura tecnológica já existente, sem contratação externa ou orçamento direto adicional. O projeto foi lançado em 24 de novembro de 2025 e permanece em funcionamento e aperfeiçoamento contínuo.
Os resultados de longo prazo — como eventual melhoria das decisões de investimento, da rentabilidade e do equilíbrio atuarial — dependerão de acompanhamento futuro. Contudo, já estão comprovados os ganhos imediatos de transparência, produtividade, capacidade analítica, capacitação e acesso público às informações previdenciárias.
O Radar apresenta escalabilidade muito alta porque já foi concebido para operar em âmbito nacional. Uma única estrutura reúne informações dos RPPS municipais, estaduais e distrital de todo o Brasil e pode atender simultaneamente gestores, órgãos de controle, pesquisadores, entidades representativas e cidadãos, sem necessidade de criar versões diferentes para cada ente ou unidade da Federação.
A ampliação do número de usuários não exige crescimento proporcional dos recursos empregados. O painel é público, gratuito e acessível sem cadastro, e sua estrutura de filtros permite que cada usuário faça recortes por ente, UF, região, período, fundo, gestor, segmento, certificação e outros critérios dentro da mesma ferramenta.
A solução também pode crescer em conteúdo. À medida que novas competências das bases oficiais são disponibilizadas, elas podem ser incorporadas ao modelo existente, atualizando automaticamente cálculos, indicadores, rankings, tabelas e gráficos. A arquitetura permite ainda acrescentar novas bases e análises relacionadas à gestão previdenciária sem reconstruir integralmente o projeto.
Outro fator favorável é o baixo custo marginal de expansão. A parte mais complexa — tratamento das bases, modelagem, códigos, medidas e construção das telas — já foi desenvolvida. Assim, ampliar o período histórico, incorporar novos dados ou aumentar o público atendido exige esforço significativamente menor do que o necessário para a criação inicial.
Outros tribunais de contas e órgãos públicos podem utilizar imediatamente o painel nacional em fiscalizações, estudos, capacitações e atividades de gestão. Também podem ser desenvolvidos recortes ou integrações com bases locais, preservando-se a estrutura central já existente.
Os principais pontos de atenção são o aumento do volume de dados, a necessidade de manutenção do desempenho e eventuais mudanças na estrutura das fontes oficiais. Esses desafios podem demandar otimizações ou ajustes pontuais, mas não impedem o crescimento da prática.
Portanto, o Radar pode atender mais usuários, novas competências e novas áreas de análise sem aumento proporcional de custos ou de estrutura, justificando a classificação máxima em escalabilidade.
A replicabilidade do Radar é muito alta porque sua metodologia pode ser reproduzida e adaptada por outros tribunais de contas, controladorias, órgãos previdenciários, unidades de inteligência de dados e pelos próprios RPPS.
A prática foi desenvolvida com técnicas amplamente disponíveis: extração e tratamento de bases públicas, padronização de dados, modelagem, criação de indicadores e visualização em ferramenta de business intelligence. Não depende de equipamento exclusivo, contratação externa específica ou solução tecnológica criada por fornecedor único.
Os principais componentes já estão estruturados: identificação das fontes, rotinas de saneamento, relacionamentos entre tabelas, medidas, filtros, rankings, séries históricas e comparações territoriais. Outro órgão pode aproveitar essa lógica para criar versão própria, acrescentar informações locais ou desenvolver painéis complementares sem começar o trabalho do zero.
A documentação produzida também favorece a replicação. O projeto conta com tutorial ilustrado, vídeos explicativos, perguntas frequentes, registros das bases utilizadas e materiais sobre o funcionamento das abas. Esses recursos facilitam a capacitação de novas equipes e a transferência de conhecimento.
A adaptação pode ocorrer em diferentes níveis. Um órgão pode simplesmente utilizar e divulgar o painel nacional já disponível, incorporar seus dados a atividades de fiscalização ou desenvolver solução própria baseada na mesma metodologia. A abordagem também pode ser aplicada a outras áreas da Administração que enfrentem problema semelhante de dados públicos dispersos e pouco acessíveis.
Os principais requisitos para replicação são disponibilidade de equipe com conhecimento básico em tratamento e modelagem de dados, acesso a ferramenta de business intelligence e definição de rotina de atualização. Adaptações mais profundas podem exigir apoio técnico inicial, mas não há barreiras estruturais relevantes.
Por utilizar fontes públicas, tecnologia difundida e metodologia documentável, o Radar possui elevada capacidade de ser copiado, ajustado e aplicado em outros órgãos, jurisdições e áreas de atuação.
A sustentabilidade da prática é muito alta porque o Radar foi estruturado para permanecer em funcionamento com recursos institucionais já existentes, sem necessidade de orçamento específico, contratação externa, aquisição de equipamentos ou equipe exclusiva.
A maior parte do esforço técnico concentrou-se na etapa inicial: tratamento e integração das bases, criação do modelo de dados, desenvolvimento dos códigos, medidas, indicadores e construção das telas. Essa estrutura já está pronta. Quando novas competências das bases oficiais forem disponibilizadas e incorporadas ao fluxo de atualização, os relacionamentos, cálculos, rankings, tabelas e gráficos do painel serão atualizados automaticamente, sem necessidade de reconstrução das 20 abas.
A manutenção ordinária consiste principalmente em incluir as novas bases, conferir os resultados e realizar eventuais ajustes de desempenho ou de qualidade dos dados. Essas atividades são compatíveis com a rotina institucional e não exigem atenção extraordinária ou recursos financeiros adicionais.
O principal risco seria uma alteração relevante no formato, nos campos ou na estrutura das bases fornecidas pelo Ministério da Previdência Social ou pela CVM. Nesse caso, seria necessário adaptar pontualmente as rotinas de importação, tratamento ou relacionamento dos dados. Contudo, a mudança não exigiria refazer integralmente a ferramenta e, em princípio, teria complexidade técnica administrável.
Também podem ocorrer ajustes ocasionais para tratar novas inconsistências, aprimorar a usabilidade ou otimizar o desempenho diante do crescimento da base. Tais atividades correspondem à manutenção normal de qualquer solução digital.
A continuidade é ainda favorecida pelo uso de fontes oficiais periódicas, pela infraestrutura tecnológica do TCE-SP e pela documentação já produzida, que inclui tutorial, vídeos explicativos, perguntas frequentes e registros da lógica de funcionamento.
Assim, salvo mudanças relevantes nas bases de origem, o Radar pode continuar sendo atualizado e disponibilizado com baixo esforço operacional e sem necessidade de recursos ou atenção especiais, justificando a classificação máxima em sustentabilidade.
Como o Radar foi desenvolvido em 2025 e lançado publicamente em 24 de novembro daquele ano, todos os impactos observados até esta inscrição foram acumulados nos últimos dois anos.
O primeiro impacto concreto foi a criação de uma infraestrutura pública nacional de informação sobre os investimentos dos RPPS. Dados antes dispersos e de difícil utilização passaram a ser consultados em ambiente único, visual e comparável, ampliando a transparência prática sobre recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões.
Na Administração Pública, a ferramenta gera ganho de eficiência ao reduzir o tempo dedicado à localização, organização e cruzamento manual de arquivos. Auditores e gestores podem concentrar seus esforços na análise de riscos, concentrações, alterações relevantes e situações atípicas. O Radar já foi utilizado em análises de carteiras, relatórios de fiscalização e manifestações institucionais, demonstrando aplicação concreta em atividades de controle externo.
A prática também possui impacto preventivo. Ao tornar mais visíveis e comparáveis os investimentos, a governança e a qualificação dos responsáveis pelas decisões, favorece a identificação antecipada de situações que mereçam aprofundamento. Essa publicidade pode ainda induzir maior cautela dos gestores, melhorar a qualidade das informações declaradas e fortalecer a accountability.
Para a sociedade, o principal efeito é a redução da assimetria de informação. Servidores ativos, aposentados, pensionistas, entidades representativas, pesquisadores, imprensa e cidadãos passam a ter condições de acompanhar recursos previdenciários sem depender de conhecimento avançado em tratamento de dados. O público potencial diretamente interessado é estimado em aproximadamente 10 milhões de segurados, aposentados e pensionistas vinculados aos RPPS brasileiros.
O impacto potencial alcança também as finanças públicas. Perdas ou insuficiências relevantes nos RPPS podem exigir aportes adicionais dos estados e municípios, reduzindo o espaço orçamentário para outras políticas. Ao fortalecer a transparência, a fiscalização e a prevenção de riscos, o Radar contribui indiretamente para a proteção do patrimônio previdenciário e do interesse coletivo.
Os indicadores disponíveis demonstram adesão inicial concreta. Na medição consolidada constante da documentação, o Radar havia registrado 3.434 acessos, com média aproximada de 687 acessos mensais e 23 diários. O vídeo do lançamento ultrapassou 1.600 visualizações, e mais de 100 servidores do TCE-SP participaram de capacitações em que a ferramenta foi apresentada.
Além do painel, o projeto gerou outros produtos tecnológicos e de conhecimento: base nacional estruturada, rotinas de tratamento e modelagem, tutorial ilustrado, perguntas frequentes, vídeos explicativos e canal para dúvidas e sugestões. Esses recursos ampliam a autonomia dos usuários e favorecem a continuidade, o aperfeiçoamento e a replicação da prática.
Como validação institucional, o Radar foi lançado em evento oficial do TCE-SP e do MPC-SP, com participação do Ministro da Previdência, incorporado ao portal público do Tribunal e divulgado pelo Ministério da Previdência, pela Atricon, pelo Instituto Rui Barbosa e por entidades especializadas. Também foi objeto de reportagem e entrevista no veículo Investidor Institucional, evidenciando repercussão externa no segmento de previdência e investimentos.
A iniciativa foi ainda selecionada como finalista do Prêmio Brasil de Gestão Pública 2026, reconhecimento externo de sua relevância e qualidade.
No longo prazo, espera-se que a maior transparência e capacidade de comparação contribuam para decisões de investimento mais técnicas e responsáveis. Tais efeitos dependem de diversos fatores e deverão ser avaliados ao longo do tempo, mas já estão demonstrados impactos imediatos sobre acesso à informação, produtividade administrativa, capacitação, controle social e atuação preventiva.
Informações complementares
A governança do Radar combina responsabilidade técnica definida, apoio institucional e suporte tecnológico. A concepção, o tratamento dos dados, a modelagem, a construção dos painéis e os materiais de apoio foram conduzidos por Guilherme de Oliveira Villa, Auditor de Controle Externo do MPC-SP. Após a criação da primeira versão funcional, o projeto foi apresentado à Procuradoria-Geral do MPC-SP e à Presidência do TCE-SP, e a área de Tecnologia da Informação passou a apoiar a publicação, a estabilidade e os ajustes de desempenho da ferramenta.
A principal tecnologia utilizada é o Microsoft Power BI, com uso de Power Query para importação, transformação, limpeza e padronização das bases, e de DAX para criação de medidas, indicadores, rankings, médias e comparações. As principais fontes são bases públicas do Ministério da Previdência Social e da Comissão de Valores Mobiliários.
O desenvolvimento seguiu um método incremental e orientado a problemas reais: identificação das fontes; extração e análise das bases; saneamento de inconsistências; padronização de nomes, códigos e campos; criação de relacionamentos entre tabelas; elaboração de medidas e indicadores; construção das telas; testes de usabilidade e desempenho; publicação; e aperfeiçoamento contínuo.
A governança de dados é um dos elementos centrais. Como as informações possuem natureza descentralizada e, em grande parte, autodeclarada, foram criados procedimentos para tratar divergências de grafia, registros duplicados, campos incompletos, códigos não padronizados, valores incompatíveis e outliers. Esses controles buscam evitar que erros pontuais prejudiquem rankings, médias e análises comparativas.
A manutenção foi planejada para exigir pouca intervenção manual. Com a incorporação de novas competências das bases oficiais, os relacionamentos, cálculos, indicadores e visualizações já estruturados são atualizados automaticamente. A conferência dos resultados permanece necessária, sobretudo para identificar alterações no formato das fontes ou novas inconsistências.
O monitoramento da prática considera indicadores como número de acessos, média mensal e diária de consultas, visualizações dos vídeos, participação em capacitações, uso em fiscalizações e manifestações institucionais e dúvidas ou sugestões recebidas. Esses dados ajudam a priorizar melhorias de desempenho, usabilidade, divulgação e produção de materiais de apoio.
A gestão do conhecimento é apoiada por tutorial em PDF, vídeos explicativos, perguntas frequentes, registros das fontes e formulário de dúvidas e sugestões. Esses materiais facilitam o uso autônomo, reduzem a dependência de atendimento individual e contribuem para a continuidade e replicação da prática.
As evidências de funcionamento, utilização, capacitação, divulgação e reconhecimento da prática estão reunidas na pasta pública:
Pasta de materiais do Radar Nacional dos Investimentos dos RPPS:
https://drive.google.com/drive/folders/1dVDC-k9NuTMXZcMUVgo_TSxZodVeDk4v
1. Ferramenta em funcionamento e documentação
Acesso direto ao Radar:
https://www10.tce.sp.gov.br/power-bi-embedded/PublicReport?workspaceId=e5e53f6b-5744-4011-b783-6241b3419d41&reportId=73e0fec6-016b-42cf-abf3-95af24a8a2d7&fullWidth=1
Arquivos na pasta:
- “Local na página do TCE-SP onde é possível acessar o Radar Nacional dos Investimentos dos RPPS..pdf” — demonstra o acesso pelo portal institucional.
- “Informações detalhadas sobre o Radar.pdf” — sistematiza problema, metodologia, objetivos, público-alvo, tecnologias, custos, inovação, resultados e dificuldades.
- “Tutorial Painel da Carteira de Investimentos – Com imagens..pdf” — explica visualmente as abas, os filtros e as possibilidades de consulta.
2. Vídeos tutoriais
Os arquivos abaixo demonstram diretamente a utilização de funcionalidades do painel:
- “Vídeo Tutorial – A.01. Aba Segmento e Gestor.mp4”
- “Vídeo Tutorial – A.03. Aba Ranking (Patrimônio e Segmento).mp4”
- “Vídeo Tutorial – A.04. Aba Ranking (Gestor).mp4”
- “Vídeo Tutorial – A.05. Aba Ranking (Fundos).mp4”
- “Vídeo Tutorial – A.09. Aba Histórico (Segmento e Gestor).mp4”
- “Vídeo Tutorial – B.01. Aba Órgãos Colegiados (Comissionados).mp4”
- “Vídeo Tutorial – C.01. Aba Consultorias (Valor sob consultoria).mp4”
3. Lançamento oficial
Arquivos:
- “Link Vídeo de lançamento do Radar no Youtube.pdf”
- “Cartaz – Evento Previdência em Foco (Evento de Lançamento em Foco com presença do Ministro da Previdência). .pdf”
Gravação oficial do evento:
https://www.youtube.com/watch?v=8ce2vQRCjIg&t=6839s
Página oficial do evento:
https://www.tce.sp.gov.br/eventos/previdencia-foco-desafios-e-oportunidades-gestao-rpps
O evento “Previdência em Foco: Desafios e Oportunidades na Gestão dos RPPS”, realizado em 24/11/2025, marcou o lançamento oficial do Radar e contou com a presença do Ministro da Previdência Social, além de autoridades, especialistas e representantes do TCE-SP, do MPC-SP e de instituições ligadas à previdência pública.
A apresentação específica do Radar Nacional dos Investimentos dos RPPS, realizada por seu idealizador e desenvolvedor, Guilherme de Oliveira Villa, começa aproximadamente em 1h54min do vídeo. O link acima está configurado para abrir diretamente em 1h53min59s, imediatamente antes do início da apresentação.
4. Capacitação e utilização institucional
Arquivos:
- “Cartaz – Programação CAAPEFIS 2026 que teve treinamento sobre o Radar..pdf”
- “Notícia – Módulo Investimentos Curso Previdência Própria na Prática no site do TCE-SP que abordou o Radar.pdf”
- “Notícia – O Radar dos Investimentos dos RPPS foi usado em uma manifestação institucional..pdf”
- “Representação do MPC-SP. Radar dos Investimentos foi usado na manifestação institucional..pdf”
Notícia sobre utilização concreta dos dados do Radar:
https://www.mpc.sp.gov.br/procuradoria-do-mpc-sp-aponta-graves-riscos-em-investimentos-milionarios-feitos-por-instituto-de
A publicação registra o uso do Radar em atuação institucional do MPC-SP, demonstrando que a ferramenta já subsidia análises e medidas de controle externo.
5. Reportagens em veículo especializado
Arquivos:
- “Notícia – Reportagem sobre o Radar no site Investidor Institucional.pdf”
- “Notícia – Entrevista na Revista Investidor Institucional ‘Acesso real aos participantes’..pdf”
Reportagem sobre a ferramenta:
https://investidorinstitucional.com.br/investidores/rpps/tce-sp-disponibiliza-ferramenta-de-acesso-a-investimentos-de-rpps/
Entrevista publicada com o título “Acesso fácil aos participantes”:
https://investidorinstitucional.com.br/investidores/rpps/acesso-facil-aos-participantes/
As publicações apresentam o Radar ao público especializado em previdência e investimentos institucionais e constituem validação externa de sua relevância.
6. Divulgação institucional e nacional
- “Notícia – Divulgação do Radar no Informativo mensal do MPS.pdf”
https://www.gov.br/previdencia/pt-br/assuntos/rpps/acontece-na-srpps/arquivos/InformeSRPCExternonovembro2025.pdf - “Notícia – Divulgação do Radar no site da ATRICON..pdf”
https://atricon.org.br/lancado-o-radar-nacional-dos-investimentos-dos-regimes-proprios-de-previdencia-social-rpps/ - “Notícia – Divulgação do Radar no site do IRB.pdf”
https://irbcontas.org.br/lancado-o-radar-nacional-dos-investimentos-dos-regimes-proprios-de-previdencia-social/ - “Notícia – Divulgação do Radar no site da CONAM.pdf”
https://www.conam.com.br/corte-de-contas-paulista-debate-os-desafios-e-oportunidades-na-gestao-dos-rpps/ - “Notícia – Divulgação do Radar no site da APIMEC.pdf”
https://www.apimecbrasil.com.br/noticia/tce-sp-disponibiliza-ferramenta-de-acesso-a-investimentos-de-rpps/
Essas publicações demonstram a difusão da prática pelo Ministério da Previdência, pelo sistema nacional dos Tribunais de Contas, por entidade especializada em administração municipal e por associação ligada aos profissionais do mercado de capitais.
7. Reconhecimento externo
- “Print do Radar dos Investimentos dos RPPS como finalista do Prêmio Brasil de Gestão Pública.pdf” — comprova a seleção da iniciativa como finalista da premiação, constituindo reconhecimento externo de sua qualidade e relevância.
