Resumo executivo
O SIGMA (Sistema Integrado de Gestão e Monitoramento Acadêmico) é uma plataforma de inteligência de dados e Business Intelligence desenvolvida pelo Laboratório de Gestão e Inteligência de Dados (LAGID) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em parceria com a Pró-Reitoria de Graduação (PRG) e a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI). A plataforma integra dados dispersos de diferentes sistemas institucionais, tendo como principal o SIG (ERP institucional), em especial o módulo de gestão acadêmica – o SIGAA. Dessa forma, o SIGMA definiu uma arquitetura analítica unificada, transformando registros transacionais em indicadores estratégicos, painéis interativos e relatórios dinâmicos sobre diversos aspectos acadêmicos como, por exemplo, desempenho discente, avaliação do curso e estudantes em risco de evasão, disponibilizados de forma segmentada para coordenadores de curso, chefes de departamento, diretores de centro, assessores de graduação e pró-reitorias.
A concepção do sistema partiu de uma demanda concreta da PRG para dar cumprimento à Resolução da Graduação, que atribui às Coordenações de Curso a responsabilidade de identificar, a cada período letivo, os discentes em regime de acompanhamento de desempenho acadêmico e comunicá-los oficialmente sobre riscos de cancelamento de vínculo. Na prática, contudo, o sistema transacional institucional, embora robusto em suas funções operacionais, não oferecia recursos analíticos adequados para esse acompanhamento. Um diagnóstico conduzido por meio de conversas institucionais e de questionário aplicado a 35 coordenadores de curso confirmou essa lacuna: 50% dos respondentes declararam-se insatisfeitos com os relatórios do SIGAA para acompanhamento do desempenho discente, e 54,5% consideraram difícil ou pouco ágil utilizar exclusivamente o sistema transacional para agir de forma proativa contra evasão e retenção. O diagnóstico revelou ainda uma assimetria relevante: coordenadores com maior domínio técnico conseguiam extrair e cruzar dados por conta própria, enquanto os demais permaneciam dependentes de relatórios padronizados, evidenciando um problema não apenas técnico, mas de equidade no acesso à informação institucional.
Para responder a esse cenário, o SIGMA foi estruturado sobre uma arquitetura orientada a dados, integralmente open-source e implantada em infraestrutura própria. O processo de Extração, Transformação e Carga (ETL) é orquestrado pelo Pentaho Data Integration, alimentando um Data Warehouse em PostgreSQL modelado segundo o esquema estrela (star schema). A camada de Business Intelligence é operacionalizada pelo Metabase, e a apresentação das informações ocorre por meio de um portal web em WordPress, com autenticação via Single Sign-On (SSO/OAuth) e Controle de Acesso Baseado em Papéis (RBAC), garantindo que cada gestor visualize automaticamente apenas os dados pertinentes ao seu curso, departamento ou centro, sem necessidade de cadastros ou treinamentos adicionais.
A plataforma organiza suas informações em três níveis de gestão. No nível tático, voltado a coordenadores de curso, painéis apresentam dados gerais de evasão e diplomação, avaliação do curso (incluindo um NPS adaptado ao contexto educacional), desempenho por disciplina, risco de evasão, jubilamento, jornada do estudante — com destaque para o monitoramento do engajamento digital como indicador precoce de desengajamento — e uma visão integrada do histórico de cada discente. No nível operacional, chefes de departamento acompanham indicadores de esforço docente (como a Razão Aluno-Professor, Razão Turmas-Professor e Razão Carga Horária-Professor) e desempenho das disciplinas ofertadas. No nível estratégico, diretores de centro e pró-reitorias visualizam dados consolidados de todos os cursos e departamentos sob sua responsabilidade, além de indicadores nacionais do INEP, como CPC, ENADE e IDD.
Em uso desde setembro de 2025, o SIGMA já está incorporado ao cotidiano da gestão acadêmica da UFPB: 90 coordenadores de curso, 42 chefes de departamento, 11 diretores de centro, 13 assessores de graduação e as 3 pró-reitorias (Graduação, Assistência Estudantil e Planejamento) utilizam a plataforma regularmente, beneficiando indiretamente cerca de 30 mil estudantes. O histórico de acessos mensais confirma um padrão consistente de engajamento dos gestores desde a disponibilização do sistema.
O impacto do SIGMA se manifesta em três planos complementares. No plano operacional, o sistema reduz a dependência de cruzamentos manuais de dados e viabiliza a busca ativa por estudantes em risco de evasão ou jubilamento, permitindo intervenções mais precoces e personalizadas. No plano estratégico, fornece subsídios objetivos para decisões institucionais sobre alocação de vagas, docentes e recursos entre centros e departamentos. No plano institucional, democratiza o acesso à informação entre gestores com diferentes níveis de letramento analítico, fortalecendo uma cultura organizacional orientada por dados e alinhada aos princípios éticos e de proteção de dados exigidos pela LGPD.
Mais do que uma solução tecnológica, o SIGMA representa uma mudança de paradigma na gestão acadêmica da UFPB: de uma lógica reativa e fragmentada para uma abordagem preventiva, integrada e orientada por evidências, com elevado potencial de replicação em outras Instituições Federais de Ensino Superior que compartilham estruturas de gestão e sistemas transacionais semelhantes.
Vídeo explicativo
Motivação e Justificativa
A Universidade Federal da Paraíba é uma instituição de grande porte, uma das maiores do Nordeste e a terceira do país em número de vagas no Sisu. Esse contexto impõe desafios estruturais permanentes ao monitoramento e à melhoria de indicadores acadêmicos como ocupação de vagas, evasão, retenção e taxa de conclusão. Embora os ambientes acadêmicos produzam grande volume de dados com elevada granularidade, esses dados nem sempre eram efetivamente mobilizados nos processos de tomada de decisão, o que representava uma lacuna significativa para a gestão institucional.
Essa lacuna se manifestava de forma distinta nos diferentes níveis hierárquicos da instituição. No nível estratégico, pró-reitorias e diretores de centro precisavam acompanhar indicadores amplos, relacionados à alocação da força de trabalho docente e ao desempenho dos cursos em perspectiva global. No nível tático-operacional, chefes de departamento e coordenadores de curso demandavam informações mais granulares, como desempenho acadêmico por disciplina e identificação de estudantes em situação de risco de evasão, retenção ou jubilamento. Em ambos os casos, a ausência de ferramentas que integrassem, consolidassem e apresentassem essas informações de forma acessível e orientada à decisão comprometia a capacidade de resposta institucional diante de situações que, com frequência, exigiam intervenções tempestivas.
A motivação imediata para a concepção do SIGMA partiu de uma demanda formal da Pró-Reitoria de Graduação (PRG), voltada ao cumprimento da Resolução da Graduação 29/2020. A norma estabelece, em seu Art. 64, que o regime de acompanhamento de desempenho acadêmico tem por objetivo oferecer orientação efetiva ao discente com dificuldades na integralização curricular, cabendo à coordenação comunicá-lo oficialmente sobre riscos de cancelamento de vínculo. O Art. 66, por sua vez, atribui expressamente à Coordenação do Curso a responsabilidade de identificar, a cada período letivo, os discentes que se enquadram nesse regime. Na prática, contudo, o sistema transacional institucional (SIGAA), embora robusto em suas funções de registro e operacionalização de processos acadêmicos, não oferecia recursos analíticos adequados para que essa atribuição normativa fosse cumprida de forma ágil e consolidada.
As informações necessárias ao acompanhamento discente encontravam-se dispersas entre diferentes sistemas e fontes — o SIGAA, planilhas internas e relatórios produzidos manualmente —, o que inviabilizava uma visão consolidada e integrada do percurso acadêmico dos estudantes. Essa fragmentação impunha aos coordenadores a necessidade de realizar cruzamentos manuais de dados para compreender situações que, em tese, deveriam ser de fácil acesso, como reprovações recorrentes ou sinais de risco de evasão. Além de onerosa, essa prática tornava o processo decisório essencialmente reativo: a ausência de dados consolidados atrasava, ou mesmo inviabilizava, a adoção de ações preventivas, de modo que fenômenos como evasão e retenção frequentemente só eram percebidos em estágios avançados, quando as possibilidades de intervenção já se encontravam bastante limitadas.
Agravava esse cenário uma assimetria no acesso à informação entre os próprios gestores acadêmicos. Coordenadores com maior domínio técnico conseguiam, por iniciativa própria, extrair e cruzar dados dos sistemas disponíveis; os demais, sem esse perfil, ficavam restritos aos relatórios padronizados do SIGAA, cuja rigidez nem sempre atendia às necessidades específicas de cada curso. Essa desigualdade evidenciava que o problema não era apenas técnico, mas também de equidade no acesso à informação institucional.
Para aprofundar e qualificar esse diagnóstico inicial, levantado por meio de conversas institucionais com a PRG e com coordenadores de curso, foi elaborado e compartilhado um questionário junto aos coordenadores da instituição, obtendo 35 respostas (taxa de aproximadamente 29%). Os resultados confirmaram as percepções relatadas: 50% dos respondentes declararam-se insatisfeitos com os relatórios do SIGAA para o acompanhamento do desempenho acadêmico dos estudantes, e apenas 9,1% manifestaram satisfação. O quadro se mostrou ainda mais crítico quanto à agilidade: 54,5% dos coordenadores avaliaram como difícil ou pouco ágil utilizar exclusivamente o SIGAA para acompanhar o desempenho discente de forma proativa, com vistas a prevenir evasão e retenção, e apenas 13,6% consideraram o sistema satisfatório para essa finalidade.
Diante desse conjunto de evidências, tornou-se clara a necessidade de uma solução analítica complementar, capaz de transformar os dados já produzidos pelo sistema institucional em informações acionáveis, sem duplicar esforços de registro ou comprometer a integridade do sistema transacional vigente. O SIGMA se fez necessário, portanto, não apenas como resposta a uma exigência normativa pontual, mas como instrumento estrutural para qualificar a gestão acadêmica da graduação, tornando-a mais preventiva, menos dependente do domínio técnico individual de cada gestor.
- 4 - Educação de qualidade
O diferencial do SIGMA está na articulação entre as necessidades concretas da gestão acadêmica de uma IFES, aplicação ainda incipiente no Brasil, o que confere caráter pioneiro ao projeto. A inovação se desdobra em três frentes: (i) natureza preditiva, ao incorporar o engajamento digital do estudante como indicador precoce de evasão, complementando métricas acadêmicas póstumas como reprovações; (ii) adaptação do Net Promoter Score ao contexto educacional, introduzindo a satisfação discente como dimensão até então ausente da avaliação institucional; e (iii) estruturação de indicadores de esforço docente. Diferentemente de um sistema de relatórios pontual, o SIGMA integra fontes dispersas em arquitetura analítica única, com controle de acesso por papéis institucionais, entregando a cada gestor apenas o nível de informação pertinente à sua atuação.
Contexto e Alcance
O SIGMA é uma iniciativa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), instituição federal de ensino superior vinculada ao Ministério da Educação. A criação e manutenção da plataforma são de responsabilidade do Laboratório de Gestão e Inteligência de Dados (LAGID/UFPB), unidade responsável pelo desenvolvimento técnico e pela engenharia de dados do sistema, em parceria institucional com a Pró-Reitoria de Graduação (PRG), órgão que demandou o projeto e é responsável pela validação dos indicadores acadêmicos e pela governança do uso das informações, e com a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), responsável pela infraestrutura tecnológica, segurança e integração com o sistema acadêmico transacional institucional (SIGAA). A equipe do projeto é composta por duas professoras/professores pesquisadores, dois especialistas de TI e um professor pesquisador coordenador, sob a articulação conjunta dessas três unidades da UFPB.
O público-alvo direto do SIGMA compreende os gestores acadêmicos da UFPB responsáveis pelo acompanhamento e pela tomada de decisão na graduação: 110 coordenadores de curso, que utilizam a plataforma para monitorar desempenho, risco de evasão e jubilamento de seus discentes; 102 chefes de departamento, que acompanham indicadores de esforço docente e desempenho das disciplinas ofertadas; 13 diretores de centro, com acesso a dados consolidados de todos os cursos e departamentos sob sua responsabilidade; e 13 assessores de graduação dos centros de ensino. Também integram o público-alvo direto as três pró-reitorias da UFPB (Graduação, Assistência Estudantil e Planejamento), que utilizam os painéis para subsidiar decisões estratégicas institucionais, com destaque para o uso da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil no monitoramento de estudantes em situação de vulnerabilidade acadêmica. De forma indireta, o sistema beneficia aproximadamente 30 mil estudantes de graduação da instituição.
O público-alvo direto do SIGMA compreende os gestores acadêmicos da UFPB responsáveis pelo acompanhamento e pela tomada de decisão na graduação: 110 coordenadores de curso, que utilizam a plataforma para monitorar desempenho, risco de evasão e jubilamento de seus discentes; 102 chefes de departamento, que acompanham indicadores de esforço docente e desempenho das disciplinas ofertadas; 13 diretores de centro, com acesso a dados consolidados de todos os cursos e departamentos sob sua responsabilidade; e 13 assessores de graduação dos centros de ensino. Também integram o público-alvo direto as três pró-reitorias da UFPB (Graduação, Assistência Estudantil e Planejamento), que utilizam os painéis para subsidiar decisões estratégicas institucionais, com destaque para o uso da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil no monitoramento de estudantes em situação de vulnerabilidade acadêmica. De forma indireta, o sistema beneficia aproximadamente 30 mil estudantes de graduação da instituição.
A boa prática abrange a UFPB em todos seus campi: João Pessoa (sede da UFPB), Areia, Bananeiras, Rio Tinto, Mamanguape e Santa Rita.
Resultados e Impacto
O SIGMA teve quatro objetivos centrais, e os resultados confirmam seu cumprimento. (1) Consolidar dados dispersos do SIGAA, planilhas e relatórios manuais: alcançado com ETL e Data Warehouse dimensional, sustentando painéis integrados por curso, departamento e centro. (2) Identificar precocemente estudantes em risco de evasão, retenção ou jubilamento, atendendo à Resolução 29/2020: alcançado com painéis de Risco de Evasão, Jubilamento e Jornada do Estudante, incluindo engajamento digital como indicador precoce. (3) Democratizar o acesso à informação entre gestores com diferentes perfis: alcançado via interface intuitiva. (4) Fortalecer cultura orientada por dados: em uso desde setembro de 2025, o sistema já conta com 110 coordenadores, 90 chefes de departamento, 13 diretores de centro, 13 assessores e as 3 pró-reitorias como usuários ativos, beneficiando indiretamente 30 mil estudantes, com engajamento mensal consistente.
A sustentabilidade do SIGMA é reforçada por sua arquitetura integralmente baseada em tecnologias open-source, implantadas em infraestrutura própria da UFPB. Essa escolha evita dependência de fornecedores externos, elimina custos recorrentes de licenciamento e garante à instituição controle técnico pleno sobre a evolução do sistema, sem restrições contratuais que comprometam sua manutenção de longo prazo.
Quanto à escalabilidade, o SIGMA já está em processo de expansão para integrar novas fontes e dimensões de dados institucionais, ampliando o escopo analítico da plataforma além do recorte atual. Está prevista também sua extensão para a pós-graduação, replicando a lógica de painéis por curso, programa e nível de gestão hoje aplicada à graduação.
O SIGMA foi construído sobre boas práticas consolidadas de modelagem de dados e Business Intelligence, com processos de ETL bem definidos e um Data Warehouse estruturado segundo o esquema estrela (star schema), com tabelas de fatos e dimensões conformadas. Essa padronização metodológica, e não uma solução ad hoc, é o que confere ao sistema seu potencial de replicabilidade.
Como muitas Instituições Federais de Ensino Superior brasileiras utiliza o SIGAA como sistema acadêmico transacional, o SIGMA pode ser adaptado a esse contexto institucional com esforço técnico reduzido, aproveitando a mesma lógica de extração e os mesmos indicadores já validados. Para instituições que utilizem outro sistema transacional, a arquitetura permanece replicável: bastam ajustes pontuais nos scripts de carga (ETL) que conectam a fonte de dados ao Data Warehouse, preservando a modelagem dimensional e os painéis de BI já desenvolvidos, o que reduz significativamente o esforço de adaptação a novos contextos.
O SIGMA foi projetado para operar com baixa necessidade de recursos ou atenção especiais para sua manutenção contínua. Por ser baseado integralmente em tecnologias open-source (Pentaho, PostgreSQL, Metabase, WordPress) e implantado em infraestrutura própria da UFPB, o sistema não gera custos recorrentes de licenciamento nem depende de contratos externos que possam comprometer sua continuidade. Os processos de ETL são automatizados e executam cargas incrementais, mantendo o ambiente analítico atualizado sem intervenção manual constante. A equipe responsável é enxuta — duas professoras/professores pesquisadores, dois especialistas de TI e um coordenador —, o que demonstra que a operação do sistema não exige estrutura dedicada de grande porte para se manter ativa e confiável no longo prazo.
O SIGMA gerou impacto direto sobre a gestão acadêmica da UFPB nos planos operacional, estratégico e institucional. No operacional, reduziu a dependência de cruzamentos manuais de dados e viabilizou a busca ativa de estudantes em risco de evasão, retenção ou jubilamento. No estratégico, forneceu subsídios objetivos para decisões sobre alocação de vagas, docentes e recursos entre centros e departamentos. No institucional, democratizou o acesso à informação entre gestores com diferentes perfis técnicos, fortalecendo uma cultura organizacional orientada por dados.
Em uso desde setembro de 2025, o sistema já é adotado por 110 coordenadores de curso, 90 chefes de departamento, 13 diretores de centro, 13 assessores de graduação e as três pró-reitorias da UFPB, beneficiando indiretamente cerca de 30 mil estudantes. O histórico consistente de acessos mensais confirma sua incorporação efetiva à rotina de gestão institucional.
Informações complementares
O SIGMA é sustentado por uma governança compartilhada entre três unidades da UFPB: a PRG, responsável pela validação dos indicadores acadêmicos e pela legitimidade institucional das métricas; a STI, responsável pela infraestrutura, segurança e integração com o sistema transacional; e o LAGID, responsável pelo desenvolvimento técnico e pela engenharia de dados. A gestão das tarefas é realizada utilizando a ferramenta Trello e há reuniões periódicas para alinhamento entre a equipe.
