Resumo executivo
A Inteligência Operacional Territorial (IOT) é uma prática de gestão pública digital implementada pela Secretaria de Operações Urbanas de Guarujá para transformar ordens de serviço, endereços e registros operacionais em informações territoriais úteis ao planejamento, à priorização e à execução dos serviços urbanos.
A iniciativa surgiu diante de um problema recorrente na administração pública: embora houvesse grande volume de solicitações registradas, as informações estavam dispersas e eram utilizadas principalmente de forma individual, sem uma visão integrada do território. A programação das equipes dependia de análises manuais, conhecimento empírico e organização por listas, o que dificultava a identificação de demandas próximas, pontos de recorrência, áreas críticas e melhores sequências de atendimento. Como consequência, parte do tempo operacional era consumida em deslocamentos desnecessários, retrabalho, correção de endereços e definição manual de rotas.
A prática reorganizou esse processo a partir do uso inteligente dos dados já produzidos pela própria Prefeitura. As ordens de serviço são padronizadas, georreferenciadas e distribuídas territorialmente, permitindo visualizar sua localização, agrupá-las por região, bairro e área operacional, identificar ocorrências recorrentes e gerar rotas mais eficientes para as equipes de campo. A solução também permite considerar critérios como urgência, antiguidade da solicitação, proximidade entre atendimentos, impacto comunitário e características dos veículos disponíveis.
Inicialmente aplicada ao serviço de desobstrução e manutenção da microdrenagem urbana, a Inteligência Operacional Territorial passou a apoiar a programação diária de cinco veículos operacionais, com diferentes dimensões e capacidades. Essa diferenciação é importante porque determinadas vias e comunidades possuem restrições de acesso, exigindo que a distribuição das ordens considere não apenas a proximidade geográfica, mas também a compatibilidade entre o equipamento e o território atendido.
A implantação ocorreu de forma progressiva, com fase piloto em dezembro de 2025, operação ampliada a partir de janeiro de 2026 e aplicação em situações emergenciais desde fevereiro de 2026. A prática foi desenvolvida com recursos próprios, a partir das necessidades reais da operação municipal, sem depender da aquisição de sistemas complexos ou de grandes investimentos em infraestrutura tecnológica.
Entre os principais resultados está o aumento superior a 450% na produtividade operacional, associado à melhoria da organização das demandas, redução de deslocamentos improdutivos e maior capacidade de atendimento com a estrutura já disponível. Além do ganho quantitativo, a prática aprimorou a qualidade da informação utilizada na tomada de decisão, permitindo reconhecer ruas com alta recorrência de problemas, diferenciar ocorrências pontuais de situações que demandam intervenção estrutural e gerar subsídios para inspeções, manutenção preventiva e planejamento de obras.
A solução também fortalece a resiliência climática municipal. Ao integrar a distribuição espacial das ordens de serviço com o histórico de ocorrências e os pontos críticos do território, a administração passa a dispor de uma base mais consistente para priorizar ações preventivas antes de períodos de chuva e organizar respostas mais rápidas em situações de emergência.
O propósito central da Inteligência Operacional Territorial é demonstrar que dados administrativos cotidianos podem ser convertidos em inteligência pública de alto valor. A prática não substitui o conhecimento dos servidores e das equipes de campo; ao contrário, organiza e amplia esse conhecimento por meio de uma visão territorial integrada, promovendo decisões mais objetivas, transparentes e fundamentadas em evidências.
Por utilizar dados já existentes, ferramentas acessíveis e uma metodologia adaptável, a iniciativa possui elevado potencial de replicação em outras áreas da Prefeitura e em outros municípios. Seu modelo pode ser aplicado a serviços como tapa-buraco, poda, limpeza urbana, iluminação pública, fiscalização, manutenção viária e atendimento de emergências, contribuindo para uma gestão pública mais eficiente, responsiva e orientada às necessidades reais da população.
Vídeo explicativo
Motivação e Justificativa
A concepção da Inteligência Operacional Territorial (IOT) partiu de uma necessidade concreta da Secretaria de Operações Urbanas de Guarujá: melhorar a utilização das informações já produzidas pela administração municipal para planejar, priorizar e executar os serviços de campo com maior eficiência.
A Secretaria recebe diariamente ordens de serviço distribuídas por diferentes bairros, comunidades e regiões do município. Embora essas solicitações estivessem registradas em sistema administrativo, sua utilização operacional ocorria principalmente por meio de listas e análises manuais. Os dados eram consultados de forma individual, sem uma visão territorial integrada que permitisse identificar demandas próximas, agrupamentos, recorrências, pontos críticos ou a sequência mais eficiente de atendimento.
Esse modelo gerava dificuldades para a programação diária das equipes. A definição das rotas dependia fortemente do conhecimento empírico dos servidores e da leitura manual dos endereços, exigindo tempo para organizar as solicitações e aumentando o risco de deslocamentos desnecessários, retorno a regiões já visitadas, atendimento fragmentado de uma mesma área e utilização inadequada dos veículos disponíveis.
Outro desafio relevante era a qualidade dos endereços informados nas ordens de serviço. Diferenças de grafia, abreviações, ausência de padronização e referências imprecisas dificultavam a localização das demandas. Estimou-se que cerca de 20% do tempo operacional da empresa responsável pelos serviços poderia ser comprometido por endereços incorretos ou insuficientes, reduzindo a capacidade efetiva de atendimento da estrutura contratada.
A operação de manutenção e desobstrução da microdrenagem também possui características que tornam o planejamento territorial indispensável. A Secretaria dispõe de veículos com diferentes dimensões e capacidades, incluindo equipamentos de grande porte e um veículo menor destinado a vias estreitas, comunidades e locais com restrição de acesso. Assim, a programação não poderia considerar apenas a ordem cronológica das solicitações: era necessário relacionar localização, urgência, recorrência, proximidade, características da via e compatibilidade do veículo.
Além do atendimento cotidiano, Guarujá apresenta vulnerabilidades associadas às chuvas intensas, aos alagamentos e à sobrecarga da drenagem urbana. A ausência de uma leitura integrada do histórico das ordens de serviço dificultava a identificação de ruas com problemas repetitivos e a diferenciação entre ocorrências pontuais e situações que exigiam inspeção, manutenção preventiva ou intervenção estrutural.
Ao mesmo tempo, a Prefeitura já possuía um conjunto relevante de dados operacionais, produzido continuamente pelos atendimentos realizados. A oportunidade de inovação consistiu em transformar esses registros administrativos em inteligência territorial, sem depender da aquisição de sistemas complexos ou de grandes investimentos tecnológicos.
A Inteligência Operacional Territorial tornou-se necessária para organizar e padronizar os dados, georreferenciar as solicitações, visualizar sua distribuição no território, gerar rotas mais eficientes e apoiar decisões baseadas em evidências. A prática busca ampliar a capacidade de atendimento com os recursos existentes, reduzir desperdícios operacionais, melhorar a resposta ao cidadão e produzir informações que também apoiem o planejamento preventivo e estrutural dos serviços urbanos.
- 9 - Indústria, inovação e infraestrutura
- 11 - Cidades e comunidades sustentáveis
- 13 - Ação contra a mudança global do clima
A Inteligência Operacional Territorial (IOT) é uma boa prática porque transforma ordens de serviço em inteligência territorial aplicada à gestão urbana. Seu diferencial está em integrar localização, urgência, antiguidade, recorrência, proximidade entre demandas e compatibilidade dos veículos, permitindo planejar atendimentos com critérios objetivos e conhecimento operacional.
A solução vai além da roteirização convencional: considera particularidades do serviço público, como restrições de acesso e diferentes tipos de equipamentos. Também aproveita dados já existentes, sem substituir o sistema oficial nem exigir plataforma de alto custo.
Com a padronização e o georreferenciamento das informações, a Prefeitura passou a identificar pontos críticos, reduzir deslocamentos improdutivos e apoiar ações preventivas e estruturais. A prática elevou em mais de 450% a produtividade operacional, venceu o Prêmio InovaCidade 2026 e pode ser replicada em outros serviços urbanos e municípios.
Contexto e Alcance
Prefeitura Municipal de Guarujá, por meio da Secretaria de Operações Urbanas. A Secretaria é responsável pela criação, implantação, operação, atualização e manutenção da Inteligência Operacional Territorial, incluindo a organização dos dados, o planejamento das rotas e o acompanhamento dos resultados. A prática foi desenvolvida internamente, com recursos próprios, a partir das necessidades identificadas na gestão dos serviços urbanos municipais.
A prática tem como público-alvo direto os gestores, servidores e equipes operacionais da Secretaria de Operações Urbanas de Guarujá responsáveis pelo planejamento, programação, supervisão e execução dos serviços de campo. Também atende setores que utilizam ordens de serviço, informações territoriais e indicadores para definir prioridades, distribuir recursos, acompanhar atendimentos e identificar pontos críticos. A metodologia pode ser aplicada por outras secretarias e órgãos municipais que executem atividades territorializadas, como manutenção viária, limpeza urbana, poda, iluminação pública, fiscalização e resposta a emergências.
A prática tem como público-alvo direto os gestores, servidores e equipes operacionais da Secretaria de Operações Urbanas de Guarujá responsáveis pelo planejamento, programação, supervisão e execução dos serviços de campo. Também atende setores que utilizam ordens de serviço, informações territoriais e indicadores para definir prioridades, distribuir recursos, acompanhar atendimentos e identificar pontos críticos. A metodologia pode ser aplicada por outras secretarias e órgãos municipais que executem atividades territorializadas, como manutenção viária, limpeza urbana, poda, iluminação pública, fiscalização e resposta a emergências.
Resultados e Impacto
A prática foi estruturada para organizar e padronizar os dados das ordens de serviço, reduzir o tempo de programação manual, diminuir deslocamentos improdutivos, ampliar a capacidade de atendimento com a estrutura existente e transformar o histórico das solicitações em apoio ao planejamento preventivo.
Como resultado, as ordens passaram a ser georreferenciadas, agrupadas por território e distribuídas conforme urgência, antiguidade, recorrência, proximidade e compatibilidade dos veículos. A programação diária tornou-se mais rápida e objetiva, com melhor aproveitamento das equipes e dos cinco veículos operacionais.
A implantação elevou em mais de 450% a produtividade do serviço de desobstrução da microdrenagem, reduziu retrabalho e permitiu identificar ruas com ocorrências repetidas e pontos críticos. As informações passaram a subsidiar inspeções, manutenção preventiva e avaliação de intervenções estruturais. A prática também venceu o Prêmio InovaCidade 2026.
A prática possui alto potencial de escalabilidade porque sua estrutura pode ser ampliada sem exigir a substituição do sistema oficial de ordens de serviço ou grandes investimentos em infraestrutura. A metodologia utiliza dados administrativos já existentes e pode incorporar novos bairros, equipes, veículos, tipos de demanda e critérios de priorização.
Embora tenha sido inicialmente aplicada à desobstrução da microdrenagem, a mesma lógica territorial pode ser expandida para serviços como tapa-buraco, poda, capinação, limpeza urbana, coleta especial, iluminação pública, fiscalização e resposta a emergências. A ampliação depende principalmente da padronização dos dados e da adaptação das regras operacionais de cada atividade.
A arquitetura flexível permite atender progressivamente outras áreas da Secretaria e, futuramente, diferentes órgãos municipais, preservando o modelo de baixo custo e aproveitando recursos tecnológicos já disponíveis.
A prática apresenta alta replicabilidade porque utiliza informações comuns à maioria das administrações públicas, como número da ordem de serviço, endereço, bairro, prioridade e tipo de atendimento. Sua aplicação não depende de equipamentos exclusivos, sistemas proprietários complexos ou grandes investimentos em infraestrutura.
Para adaptar o modelo a outro órgão ou município, é necessário principalmente padronizar os dados, definir os critérios locais de prioridade e cadastrar as características das equipes, veículos e territórios. A metodologia pode funcionar de forma complementar aos sistemas de atendimento já existentes, sem exigir sua substituição.
Por ser flexível, a solução pode ser ajustada a diferentes portes de município e aplicada a serviços como drenagem, manutenção viária, poda, limpeza urbana, iluminação, fiscalização e atendimento de emergências.
A prática apresenta elevada sustentabilidade porque utiliza dados já produzidos pela administração, equipamentos de informática existentes e ferramentas digitais de baixo custo, sem depender de estrutura física exclusiva, aquisição de veículos adicionais ou contratação de sistema proprietário complexo.
Sua operação foi incorporada à rotina de planejamento da Secretaria e pode ser mantida por servidores capacitados, com atualizações periódicas das bases de dados, regras operacionais e mapas. A continuidade exige principalmente organização dos processos, documentação e transferência de conhecimento entre os responsáveis.
Como a solução melhora o aproveitamento dos recursos já disponíveis e reduz deslocamentos improdutivos, sua manutenção tende a gerar benefícios operacionais superiores aos custos tecnológicos necessários para seu funcionamento.
A Inteligência Operacional Territorial produziu impactos diretos na gestão dos serviços urbanos ao transformar ordens de serviço dispersas em informações territoriais para planejamento, priorização e execução das atividades de campo. A prática reduziu etapas manuais, deslocamentos improdutivos e retrabalho, além de elevar em mais de 450% a produtividade do serviço de desobstrução da microdrenagem.
O histórico das solicitações passou a apoiar a identificação de ruas recorrentes, pontos críticos e situações que exigem inspeção, prevenção ou intervenção estrutural. Para a população, os efeitos incluem maior capacidade de atendimento, melhor distribuição dos recursos públicos e respostas mais rápidas em áreas vulneráveis a chuvas e alagamentos.
A iniciativa também resultou no desenvolvimento de uma tecnologia municipal de baixo custo, com potencial de aplicação em outros serviços e municípios. Como validação externa, foi vencedora do Prêmio InovaCidade 2026.
Informações complementares
A prática é gerida pela Secretaria de Operações Urbanas, responsável pela definição dos critérios, atualização dos dados, programação das equipes e acompanhamento dos resultados. O fluxo utiliza informações do sistema oficial de ordens de serviço, com conferência, padronização de endereços, georreferenciamento e organização territorial.
A solução emprega planilhas CSV ou Excel, mapas digitais, geocodificação, agrupamento geográfico, otimização de rotas e indicadores operacionais. A priorização considera urgência, antiguidade, recorrência, proximidade, impacto comunitário e compatibilidade entre veículo e local. O desenvolvimento contou com apoio do ChatGPT e Claude, sempre com validação e supervisão humana.
Prefeitura de Guarujá – implantação, funcionamento e resultados:
https://www.guaruja.sp.gov.br/guaruja-recebe-premio-por-iniciativa-de-eficiencia-em-produtividade-operacional-urbana
Smart City Business – relação oficial dos vencedores do Prêmio InovaCidade 2026: https://smartcitybusiness.com.br/premio-inovacidade/
Estância de Guarujá – cobertura local do reconhecimento:
Fatos & Fontes – descrição do sistema e dos impactos operacionais:
Guarujá conquista Prêmio InovaCidade 2026 por sistema que moderniza gestão de serviços urbanos
