Encruzilhadas em Rede: Mapeamento dos Terreiros de Matriz Africana e Afro-brasileira

  • Entidade(s) Responsável(is): A boa prática é coordenada pela Secretaria da Igualdade Racial do Estado do Ceará (Seir), órgão responsável pela formulação e implementação das políticas estaduais de promoção da igualdade racial. O desenvolvimento metodológico e tecnológico foi realizado em cooperação com a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), por meio da Diretoria de Pesquisa e Avaliação de Políticas de Segurança Pública (Dipas), responsável pela elaboração do instrumento de coleta, estruturação da base de dados, georreferenciamento e apoio técnico à plataforma. A atuação integrada entre Seir e Supesp reúne competências em políticas públicas, pesquisa aplicada, inteligência territorial e gestão da informação, fortalecendo a capacidade institucional do Estado para produzir conhecimento estratégico orientado por evidências.
  • Categorias da Gestão da Informação: Inteligência de Dados Públicos, Inclusão Digital e Acessibilidade, Gestão do Conhecimento Organizacional
  • Palavras-chave: Povos de Terreiro, Igualdade Racial, Políticas Públicas

Resumo executivo

O Encruzilhadas em Rede: Mapeamento dos Terreiros de Matriz Africana e Afro-brasileira é uma iniciativa da Secretaria da Igualdade Racial do Estado do Ceará (Seir), desenvolvida em cooperação técnica com a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), por meio da Diretoria de Pesquisa e Avalação de Políticas de Segurança Pública (Dipas), com o objetivo de estruturar a primeira base de dados territorializada sobre os terreiros de matriz africana e afro-brasileira do Estado do Ceará.

A iniciativa foi concebida para enfrentar uma lacuna histórica na gestão pública: a inexistência de informações sistematizadas sobre esses espaços tradicionais, dificultando o planejamento de políticas públicas, a territorialização das ações governamentais e o enfrentamento ao racismo religioso. A ausência de dados qualificados comprometia a capacidade do Estado de reconhecer os terreiros como territórios de preservação cultural, organização comunitária, promoção de direitos e fortalecimento da identidade afro-brasileira. Como resposta a esse desafio, foi desenvolvida uma plataforma digital baseada em metodologia padronizada de coleta de dados, participação voluntária das comunidades e georreferenciamento das informações, observando integralmente os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018). O instrumento de coleta foi estruturado em quatro eixos temáticos: contexto territorial; atuação sociocultural e econômica; violência, racismo religioso e discriminação; e estratégias de fortalecimento institucional.

As informações produzidas permitirão construir um banco de dados inédito sobre os povos de terreiro no Ceará, subsidiando diagnósticos territoriais, planejamento governamental, formulação de políticas públicas baseadas em evidências e ações intersetoriais voltadas à promoção da igualdade racial.

Lançada oficialmente em 20 de janeiro de 2026, a iniciativa encontra-se em fase de implantação, com mobilização conduzida pela Seir para ampliar o cadastramento voluntário dos terreiros em todo o Estado. Ainda nesta etapa, o projeto já representa importante avanço na gestão da informação pública ao transformar uma realidade marcada pela invisibilidade estatística em uma base estruturada de inteligência territorial.

Além de qualificar a atuação governamental, o Encruzilhadas em Rede fortalece a participação social, amplia a transparência das informações públicas e reafirma o compromisso do Estado do Ceará com a promoção da igualdade racial, a valorização da diversidade religiosa e a proteção dos povos tradicionais de matriz africana. Trata-se de uma boa prática que integra inovação metodológica, transformação digital, governança de dados e gestão do conhecimento para apoiar decisões públicas mais precisas, inclusivas e orientadas por evidências.

 
Status Atual
Em Implantação
Premiações recebidas
Não
Financiamento externo
Não

Motivação e Justificativa

A promoção da igualdade racial e o enfrentamento ao racismo religioso constituem desafios permanentes da administração pública brasileira, exigindo políticas estruturadas, territorializadas e fundamentadas em informações qualificadas. No Estado do Ceará, a criação da Secretaria da Igualdade Racial (Seir), por meio da Lei Estadual nº 18.310, de 17 de fevereiro de 2023, representou um marco institucional para o fortalecimento dessas políticas, atribuindo ao Estado a responsabilidade de desenvolver ações articuladas de promoção da equidade racial, valorização da diversidade cultural e proteção das comunidades historicamente vulnerabilizadas.

Durante a estruturação dessas políticas, identificou-se uma importante lacuna na gestão pública: a inexistência de informações sistematizadas sobre os terreiros de matriz africana e afro-brasileira existentes no Ceará. A ausência de uma base de dados oficial dificultava a identificação da distribuição territorial dessas comunidades, suas características socioculturais, formas de organização, atividades desenvolvidas, demandas específicas e situações de vulnerabilidade, limitando significativamente a capacidade do Estado de formular políticas públicas territorializadas e de avaliar seus resultados.

Essa invisibilidade estatística comprometia não apenas o planejamento governamental, mas também a articulação entre diferentes órgãos públicos responsáveis pela promoção da igualdade racial, cultura, direitos humanos, assistência social e segurança pública. Sem informações confiáveis e atualizadas, a atuação estatal permanecia predominantemente reativa, dificultando o desenvolvimento de estratégias preventivas e de ações focalizadas para o enfrentamento do racismo religioso e da discriminação.

Diante desse cenário, a Seir estabeleceu cooperação técnica com a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), por meio da Diretoria de Pesquisa e Avaliação de Políticas de Segurança Pública (Dipas), visando desenvolver uma metodologia capaz de transformar dados dispersos em conhecimento estratégico para a gestão pública.

Como resultado dessa articulação institucional, foi criado o Encruzilhadas em Rede, iniciativa que integra transformação digital, inteligência territorial, georreferenciamento e participação social para estruturar a primeira base estadual de informações sobre os terreiros de matriz africana e afro-brasileira. A plataforma permite produzir informações qualificadas para subsidiar a formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas públicas baseadas em evidências, fortalecendo a capacidade institucional do Estado e promovendo maior reconhecimento dos povos de terreiro como sujeitos de direitos e importantes agentes de preservação da cultura afro-brasileira.

Ao transformar a invisibilidade histórica em informação qualificada, o Encruzilhadas em Rede fortalece a governança pública, amplia a capacidade de planejamento estatal e cria condições para políticas mais eficientes, inclusivas e territorialmente direcionadas.

Objetivos ODS: 
  • 10 - Redução das desigualdades
  • 16 - Paz, justiça e instituições eficazes
  • 17 - Parcerias e meios de implementação
Inovação e diferencial: 

O Encruzilhadas em Rede inova ao estruturar o primeiro sistema estadual de mapeamento territorializado dos terreiros de matriz africana e afro-brasileira, integrando tecnologia digital, georreferenciamento e produção de dados para subsidiar políticas públicas. Diferentemente de levantamentos exclusivamente cadastrais, a plataforma reúne informações territoriais, socioculturais, econômicas e sobre racismo religioso, permitindo diagnósticos abrangentes e planejamento orientado por evidências. Outro diferencial é a cooperação entre a Seir e a Supesp, que incorpora metodologias de pesquisa aplicada e inteligência territorial à política de igualdade racial. O modelo fortalece a governança da informação, amplia a participação social por meio do cadastramento voluntário e estabelece uma base de dados atualizável, escalável e replicável por outros entes públicos, contribuindo para decisões mais qualificadas e transparentes.

Contexto e Alcance

Entidade responsável

A boa prática é coordenada pela Secretaria da Igualdade Racial do Estado do Ceará (Seir), órgão responsável pela formulação e implementação das políticas estaduais de promoção da igualdade racial. O desenvolvimento metodológico e tecnológico foi realizado em cooperação com a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), por meio da Diretoria de Pesquisa e Avaliação de Políticas de Segurança Pública (Dipas), responsável pela elaboração do instrumento de coleta, estruturação da base de dados, georreferenciamento e apoio técnico à plataforma. A atuação integrada entre Seir e Supesp reúne competências em políticas públicas, pesquisa aplicada, inteligência territorial e gestão da informação, fortalecendo a capacidade institucional do Estado para produzir conhecimento estratégico orientado por evidências.

Público-alvo

O público-alvo da iniciativa é constituído pelos terreiros de matriz africana e afro-brasileira do Estado do Ceará, representados por suas lideranças religiosas e responsáveis pelos espaços tradicionais. Essas comunidades participam voluntariamente do cadastramento, fornecendo informações sobre localização, características territoriais, atividades socioculturais, iniciativas comunitárias, experiências relacionadas ao racismo religioso e necessidades de fortalecimento institucional. A participação direta dos povos de terreiro garante que a base de dados seja construída a partir de suas próprias realidades, fortalecendo sua visibilidade institucional e assegurando que futuras políticas públicas sejam elaboradas com base em informações produzidas pelas comunidades.

Parceria e participação social
Sim
Beneficiários finais

O público-alvo da iniciativa é constituído pelos terreiros de matriz africana e afro-brasileira do Estado do Ceará, representados por suas lideranças religiosas e responsáveis pelos espaços tradicionais. Essas comunidades participam voluntariamente do cadastramento, fornecendo informações sobre localização, características territoriais, atividades socioculturais, iniciativas comunitárias, experiências relacionadas ao racismo religioso e necessidades de fortalecimento institucional. A participação direta dos povos de terreiro garante que a base de dados seja construída a partir de suas próprias realidades, fortalecendo sua visibilidade institucional e assegurando que futuras políticas públicas sejam elaboradas com base em informações produzidas pelas comunidades.

Escopo jurisdicional
Estadual
Nível de alcance
Estadual Nacional
Local de implantação

Estado do Ceará, abrangendo os municípios cearenses, com coordenação institucional da Secretaria da Igualdade Racial, sediada em Fortaleza.

Resultados e Impacto

O Encruzilhadas em Rede foi concebido para estruturar a primeira base estadual de informações territorializadas sobre os terreiros de matriz africana e afro-brasileira do Ceará. Entre as metas definidas estão: desenvolver metodologia padronizada de coleta de dados; implantar uma plataforma digital para cadastramento voluntário; georreferenciar os terreiros; produzir informações qualificadas para subsidiar políticas públicas; e fortalecer a participação social. Até o momento, foram concluídas a metodologia de pesquisa, a estruturação do questionário, o desenvolvimento da plataforma digital e o lançamento oficial da iniciativa. Atualmente, o projeto encontra-se na fase de mobilização e cadastramento das comunidades, consolidando progressivamente um banco de dados inédito que permitirá diagnósticos territoriais e planejamento governamental orientado por evidências.

Critério
Classificação
Justificativa
Escalabilidade
Muito alto

A plataforma foi concebida para expansão contínua, permitindo o cadastramento progressivo de novos terreiros sem necessidade de alterações estruturais. Sua arquitetura digital favorece a incorporação de novos indicadores, funcionalidades e áreas temáticas, ampliando a capacidade de atendimento e de geração de informações estratégicas. O modelo também possibilita integração futura com outras bases governamentais, fortalecendo sua utilização como instrumento permanente de gestão da informação e inteligência territorial.

Replicabilidade
Muito alto

A metodologia empregada pode ser adaptada por outros estados e municípios interessados em estruturar políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais. A combinação entre coleta digital, georreferenciamento, participação social e governança da informação constitui um modelo de baixo custo relativo, passível de reprodução em diferentes contextos administrativos. O arranjo institucional entre órgão finalístico e instituição especializada em pesquisa também representa referência para iniciativas semelhantes.

Sustentabilidade
Muito alto

A sustentabilidade da iniciativa decorre de sua vinculação à política estadual de promoção da igualdade racial e da cooperação institucional entre Seir e Supesp. O uso de plataforma digital reduz custos operacionais, facilita atualizações e permite manutenção contínua da base de dados. A participação voluntária das comunidades fortalece a legitimidade e a atualização permanente das informações, enquanto a utilização dos dados para subsidiar políticas públicas reforça sua relevância institucional e sua continuidade como instrumento estratégico da administração pública.

Impacto realizado ou potencial:

Embora a coleta de dados ainda esteja em andamento, o Encruzilhadas em Rede já representa um avanço institucional ao criar as bases do primeiro banco de dados estadual sobre os terreiros de matriz africana e afro-brasileira. A iniciativa supera a histórica invisibilidade dessas comunidades e estabelece condições para que políticas públicas sejam formuladas a partir de informações territorializadas e orientadas por evidências. A plataforma permitirá identificar demandas, vulnerabilidades e potencialidades dos terreiros, fortalecendo ações de promoção da igualdade racial, enfrentamento ao racismo religioso e proteção da liberdade religiosa. Também amplia a capacidade de planejamento governamental, fortalece a transparência e estimula a articulação entre diferentes órgãos públicos. Seu modelo possui potencial de replicação em outros estados, consolidando uma referência nacional em gestão da informação aplicada às políticas de igualdade racial.

Informações complementares

Governança, tecnologias e ferramentas:

O Encruzilhadas em Rede é desenvolvido a partir de um modelo de governança colaborativa entre a Secretaria da Igualdade Racial (Seir) e a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), integrando competências em políticas públicas, pesquisa aplicada e inteligência territorial. A iniciativa utiliza questionário eletrônico estruturado, georreferenciamento, banco de dados digital e metodologia padronizada de coleta de informações, assegurando consistência, qualidade e comparabilidade dos dados produzidos. O tratamento das informações observa a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), garantindo participação voluntária, confidencialidade e segurança das informações. A governança contempla procedimentos de validação, organização e atualização contínua dos dados, permitindo sua utilização como instrumento permanente para planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas de promoção da igualdade racial.

Evidências documentais e links:

Como evidências da implementação da iniciativa podem ser apresentados: ato de lançamento oficial do Encruzilhadas em Rede, registros fotográficos do evento de lançamento realizado em 20 de janeiro de 2026, capturas de tela da plataforma e do formulário eletrônico de cadastramento, materiais institucionais de divulgação, metodologia de pesquisa utilizada para o levantamento das informações e documentos que formalizam a cooperação técnica entre a Seir e a Supesp. Também podem ser incluídas notícias publicadas nos canais oficiais do Governo do Estado, apresentações institucionais e, futuramente, painéis, mapas e relatórios produzidos a partir da consolidação da base de dados. Esses materiais demonstram o desenvolvimento da plataforma, sua metodologia e sua aplicação na formulação de políticas públicas baseadas em evidências.